Formação

A cura veio através do perdão

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Sérgio Carvalho

Desde cedo, meus pais me conduziram à fé da Santa Igreja Católica. Em 1978, ainda universitário, conheci aquela que, dois anos depois, tornou-se minha esposa.
Ao concluir o curso universitário, fui galgando promoções na empresa onde até então estagiava e cheguei ao posto de Diretor Administrativo. As promoções eram acompanhadas de uma boa remuneração financeira, além de gozar dos privilégios atribuídos a um diretor. E, mesmo indo à missa com minha família todos os domingos, o dinheiro fácil levou-me a experiências negativas e contrárias a uma pessoa que se diz cristã. Comecei a sair com amigos e a enveredar-me pelos caminhos da bebida e dos prazeres da carne.

À medida que os anos passavam, mais e mais eu me afundava no pecado e manchava meu matrimônio. Essa mancha tornou-se um grande pesadelo em minha vida, quando comecei um relacionamento paralelo ao meu matrimônio: constituí outra família, sem desfazer a minha. E convivi com esse pecado sempre sob o aviso de minha esposa: “Se eu souber que você me trai, nosso casamento estará terminado”. Eu sabia que aquelas palavras eram verdadeiras, ela, uma profissional liberal, independente financeiramente, não necessitava de mim para continuar sua vida e a educação de nossos filhos.

Depois de 14 anos naquela empresa, ela entrou numa séria crise financeira, então comecei a perder as vantagens que conquistara, tive redução salarial, perdi o cargo diretivo, ficando marginalizado, humilhado, sem qualquer função, sofrendo uma pressão indireta para pedir demissão. Assim, tive de desfazer o outro lar que havia constituído. E conheci o outro lado da moeda do pecado. Essa moça, magoada com a situação, ameaçava contar tudo à minha esposa. Mas Deus, em sua imensa misericórdia, não permitiu isso.

Não tendo pedido demissão, demitiram-me sem me pagar meus direitos. Isso gerou em mim uma grande mágoa do ex-patrão. Disso começaram a aparecer conseqüências físicas: meus pés foram acometidos de fortes e estranhas dores que os médicos não conseguiam diagnosticar. Essa enfermidade permaneceu por seis meses. Mesmo com os pés nesse estado, em fevereiro de 1994 estava me programando para passar o carnaval em nosso sítio, quando minha esposa falou que havia sido convidada para um encontro de carnaval promovido pela Comunidade Shalom. A princípio rejeitei a idéia, depois concordei em ir apenas no domingo, contanto que no dia seguinte fôssemos para o sítio.

Nesse domingo, fomos nós e nossos filhos ao encontro de carnaval. E, ainda naquela manhã, tive uma profunda experiência com Deus, no momento de adoração ao Santíssimo Sacramento. A pessoa que conduzia a oração, proclamou que o Senhor desejava fazer uma grande obra em um homem que se encontrava enfermo no corpo e na alma, e que para isso precisava perdoar seu ex-patrão, de quem tinha grande mágoa. Naquele momento, chorei bastante e abracei a misericórdia de Deus, dizendo para Jesus que perdoaria e não mais brigaria através da Justiça, e que Ele mesmo tomasse conta daquilo tudo.

No dia seguinte, de volta ao ginásio que sediava o encontro, sentia em meu coração que deveria pressionar meus pés contra o chão, e o fiz, sentindo uma sensação imensa de alívio. Com muita alegria, ao lado de minha esposa, experimentei a cura do Senhor, em pleno encontro de carnaval, sobre aqueles pés que os médicos não curaram.

Depois do evento, nos engajamos num grupo de casais do Projeto Família da Comunidade Shalom e aí o Senhor foi realizando sua obra salvífica em minha vida e em meu matrimônio. Nas reuniões Deus foi preparando também o coração de minha esposa para perdoar-me ao contar-lhe sobre meu passado. Eu me sentia plenamente perdoado por Deus, mas precisava do perdão dela também.

Então, depois de dois anos de caminhada, sentia em meu coração que ela já estava pronta para ouvir e eu para falar. Contei-lhe tudo, e foi uma experiência ao mesmo tempo difícil e libertadora. Ela chorou muito, não dormimos naquela noite.

Hoje, depois de quatro anos dessa minha confissão, vejo a grande obra que Deus realizou também na vida de minha esposa, que foi capaz de me perdoar tão profundamente, que jamais me cobrou ou trouxe de volta o passado. E somos felizes hoje, mesmo em meio às dificuldades, muito mais do que antes, quando tínhamos muitos bens materiais. A experiência com Deus é algo que nos gratifica e completa nossa vida pessoal, conjugal e familiar.


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