Formação

A esperança da Ressurreição

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"Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus"(Col 3,1).

É a Páscoa do Senhor! Grande alegria deve ser gerada em nosso coração, porque o Senhor ressuscitou e deu-nos nova vida. Outrora estávamos nós cativos pelo laço do maligno e pela morte de um justo, o Filho de Deus, a libertação veio ao nosso encontro.
Para nos ensinar como deveríamos viver em santidade nesta terra e fazendo a vontade do Pai, veio até nós Cristo Jesus, que de maneira perfeita soube viver sua humanidade, sendo além de Deus, homem semelhante a nós em tudo, exceto no pecado.

No Mistério Pascal, em seu triplo pólo (Paixão, Morte e Ressurreição), Jesus vem dizer aos homens que apesar da morte são chamados por Deus à vida e uma vida nova.
O homem havia perdido a dignidade de filho de Deus, devido o pecado de Adão e Eva, livremente optando em desobedecer a Deus e a seguir os seus próprios desejos. O pecado original nos tinha privado da presença de Deus (Gn 3, 23) e da felicidade plena que ele tinha preparado para cada homem em seu desígnio de amor, onde toda a humanidade foi atingida.
Mesmo assim, Deus não deixou de amar o homem e por seu Filho Único, Jesus Cristo, em seu louco amor, veio a Salvação até nós(Jo 3, 16).

Por sua morte trouxe-nos a vida. Ele que é a VIDA, não poderia ter como fim a morte, mas a Ressurreição, a Páscoa, a vida nova. Se Jesus não tivesse ressuscitado, o seu itinerário (Encarnação, Paixão, Morte…) teria sido em vão, seria ele como um homem qualquer, exemplo de coerência pela vida transparente e santa, porém, não seria considerado o Salvador de todos os homens. Mas após a espera do Sábado Santo, testemunhos dignos de fé (Maria Madalena, os apóstolos dentre outros) puderam contemplar face a face tão grande espetáculo. Eles viram o Ressuscitado! Nos resta contemplar com os olhos da fé a certeza do Cristo ressuscitado dentre os mortos, como outrora havia dito aos seus discípulos que "precisava ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas, seria morto e ressuscitaria ao terceiro dia"(Mt 16, 21).

Pela fé sabemos que Jesus Cristo goza da plenitude da vida como primícias dos ressuscitados. Cabe a nós também esta sorte que se faz real para Jesus, por grande misericórdia daquele que tanto nos amou. Ele enfrentou a morte e nos revelou a boa nova libertadora de existir vida após a morte. Ela já não tem mais poder sobre nós! Somos livres de suas garras porque ela não é um fim, mas um meio pelo qual todos nós iremos passar para se chegar à vida eterna junto a Deus, Senhor da vida.
Acreditando nesta verdade, os apóstolos testemunharam destemidamente a Ressurreição de Jesus que vai ao encontro do homem, regenerando-o na sua dignidade de filho de Deus e conduzindo-o à verdadeira felicidade conquistada pelo seu sangue salvífico.

Ensinou-nos com a sua vida a necessidade de passar pela cruz para se chegar à Ressurreição. É dever de todo cristão seguir os seus passos. A confiança e a esperança dos apóstolos muito nos tem ensinado a testemunhar a Ressurreição em nossas vidas. A experiência da fé no Cristo Ressuscitado que passou pela cruz os impulsionou a anunciá-lo a todos os povos e nações sem temor.
Esta certeza cristã de que a vida não termina com a morte, pelo contrário, nos dá acesso à vida nova dos regenerados junto a Deus, deve permear por toda a nossa existência aqui na terra. Assim como Cristo morreu para este mundo e soube desprezar "tudo o que há no mundo – concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e a soberba da vida" (1Jo 2,16), afim de viver para Deus, buscou as coisas do alto, duráveis e imperecíveis. Também nós, como verdadeiros cristãos, devemos morrer para nós mesmos, para o homem novo prevalecer e vencer em nós e assim com Cristo Jesus ressuscitarmos.

A Ressurreição de Jesus trouxe-nos a certeza da vida eterna junto a Deus, capaz de sair do seu trono de glória e esplendor para se fazer um conosco. Jesus ressuscitou e está junto do Pai, porém, prometeu estar conosco todos os dias até o fim do mundo( Mt 28,20). E de fato ele continua presente através da Eucaristia, de cada irmão onde faz sua morada e dentro de nós.
Santo Agostinho dizia que tarde havia amado o Senhor, porque o procurava fora, nas coisas e prazeres desta vida e o Senhor estava dentro dele, no lugar mais secreto que é o seu coração. Lá está Jesus, vivo e ressuscitado também em nossos corações e nossa vida deve testemunhar sua Ressurreição.

A esperança da Ressurreição nos faz almejar as coisas lá do alto, "tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam"(Mt 6,20), capazes nos tornamos de renunciar a tudo o que passa e almejar as coisas que não passam. Noutros termos, importa viver como Cristo viveu: despojado de si mesmo para fazer só e somente só a vontade do Pai.
É tempo Pascal em que devemos clamar a experiência com o Ressuscitado para, posteriormente o anunciar a todos os homens. É tempo de colocarmos aos seus pés tudo o que é morte em nós, consequência do pecado original, afim de sermos mergulhados no Mistério Pascal onde passaremos da morte para a vida, em Cristo Jesus.

Seja para nós esta PÁSCOA o contemplar, já aqui na terra, do Cristo Ressuscitado capaz de dissipar todas as trevas em nosso coração, onde houver vestígios de morte e gerar VIDA NOVA, onde passaremos da morte para a vida, ressuscitados com a Pedra Angular, Cristo Jesus.

"Ó Cristo ressuscitado, convosco nós também devemos ressuscitar. Desaparecestes das vistas dos homens e devemos nós seguir-vos. Voltastes para o Pai, e devemos agir de modo que vossa vida ‘seja escondida convosco em Deus’… Dever e privilégio de todos os vossos discípulos é, ó Senhor, serem exaltados e transfigurados convosco! Privilégio nosso é vivermos no céu com o pensamento, tendências, aspirações, desejos e afetos, embora estejamos ainda na terra… Ensinai-nos a ‘buscar as coisas do alto’ (Cl 3,1), testemunhando que vos pertencemos, que o nosso coração ressuscitou convosco e em vós está escondida a nossa vida".(cf. J. H. Newman, Maturidade Cristã, pp. 190-194)


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