Formação

A face humana das comunidades

comshalom

Dom Aloísio Roque Oppermann


Jáé sobejamente conhecida a tendência do ser humano, em resolver seusproblemas, apelando para a violência. Seria um exercício inútil elencarfatos que comprovam a assertiva. Basta lembrar os enfrentamentospolíticos pelo poder, as encrencas por causa de dinheiro, as desgraçaspor causa de traições amorosas, os maus “bofes” de alguém na família…Quero entrar também um pouco no recesso das comunidades paroquiais, eprocurar entender melhor os fatos que desafiam a todos. Nem sempre afraternidade mais pura é o apanágio de nossas organizações religiosas.Temos pastorais, movimentos, associações, conselhos. Há tempos em quetais organizações deslizam como máquinas lubrificadas. Mas há outrostempos em que essas máquinas não tem arranque, não tem combustível,faltam ligações, as peças andam zangadas. Nem manivela resolve. Eentão, nem se fale dos tempos democráticos das eleições de diretorias!Travam-se, não raras vezes, verdadeiras lutas intestinas. E lá se foi afraternidade, e a alegria dos encontros. Jesus descreveu bem essasituação: “Quando o patrão tarda em chegar, há empregados que se põem abater nos domésticos”  (Lc 12, 45).

Oquadro acima bosquejado, poderia nos induzir a considerar a vidacomunitária impossível de ser vivida. Mas somando, dividindo,multiplicando, se chega à conclusão de que o saldo positivo é muitomaior do que os momentos de fricção e de curto-circuito. O próprioJesus, conhecendo nossas fraquezas, se colocou como modelo defraternidade. “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt11, 29). Ele nos concede os dons do Espírito, para nos encorajar, levarao perdão, a ter ternura no coração, a sermos criativos. É claro,existem aqueles casos que se prolongam, e nada muda para melhor. AsPastorais e Movimentos devem existir para resolver os problemas, e nãopara serem peças emperradas da fraternidade. Nesta circunstânciadeve-se parar tudo, buscar o perdão de Cristo no sacramento daPenitência. E depois recomeçar tudo de novo, em outros termos, e emoutras dinâmicas. “As coisas antigas desapareceram” (Ap 21, 4).


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