Formação

A graça de ser… André!

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Missionária da Com. Católica Shalom em Israel

 

Graça aqui não tem nada a ver com riso, me refiro à graça deDeus, sobrenatural. Nos últimos tempos, os personagens menores da Bíblia têm mechamado muita atenção, em especial os citados no Novo Testamento, e com elestenho aprendido. Ao dizer personagens menores, me refiro a terem sido citadosuma única vez, às vezes só o nome, dito uma ou duas frases, se aproximado deJesus com um gesto… Entretanto, mesmo tendo este perfil, se os autoresbíblicos os incluíram na Palavra de Deus, é porque, de alguma maneira, oEspírito do Senhor poderia nos falar através deles.

Um destes que me tem acompanhado é o Apóstolo André, irmãomais novo de São Pedro que é citado, nominalmente, pelos evangelistas Mateus(cf. Mt 4,18-19), Marcos (cf.Mc 1,16) Lucas fala do contexto de pescadores masnão cita o nome, e por João, que acrescenta que ele já seguia João Batista (cf.Jo 1,40-42). Interessante porque os primeiros discípulos a serem chamados sãodois pares de irmãos, todos pescadores, e nós os conhecemos bem: Pedro e André,Tiago e João. Jesus os elege e os forma para serem pescadores de homens, André,porém, parece cumprir esta missão num tom menor, mais escondido, todoparticular.

Digo isso porque ele não está presente em momentos cruciaisda vida de Jesus, seja no êxtase da transfiguração no Monte Tabor, seja naagonia no Monte das Oliveiras, onde os evangelhos nos falam somente de Pedro,Tiago e João. Estes eventos da vida de Jesus jamais se repetirão na história eno tempo e só poderão ser contemplados e vividos misticamente, em oração, aquem Deus aprouver conceder esta graça e ninguém participará novamente desteseventos do jeito que estes três Apóstolos participaram. Por que André nãoestava junto? Creio que não haja resposta para esta pergunta e seja talvez, umaespeculação vã.

Todavia, onde está André? Em quais relatos somente eleaparece e o que eles nos ensinam? Temos dois textos-chave, todos em João: oconvite feito a Cefas para que ele também conheça o Messias, em João 1,41-42, ena multiplicação dos pães, capítulo 6,8-9.

Primeiramente André é um evangelizador, que testemunha eleva alguém da própria família até Jesus, seu irmão mais velho, que não deviaser um camarada muito fácil de ser dobrado e convencido de nada. André parecenão ter desistido e testemunha e acompanha o irmão até que o encontro pessoalentre Jesus e Cefas aconteça. André nos ensina aqui a perseverança naevangelização e o acompanhar nossas ovelhas, formandos, amigos, parentes,vocacionados, o quanto for necessário, em presença e oração, pacientemente, atéque o vínculo entre as pessoas e o Senhor se estabeleça pela vida da graça,pela vida sacramental e oracional, pela experiência comunitária. Parece que aalegria de André é que Cefas se torne Pedro, não se importando muito se oirmão, no futuro, venha a ser muito mais importante do que ele, ao se tornarautoridade suprema entre os Apóstolos, inclusive sobre ele, André.

Na multiplicação dos pães André é aquele que encontra nomeio da confusão alguém, um menino, com seu lanche e o encaminha para Jesus,humildemente, por mais estúpido que possa parecer alguém pretender alimentaruma multidão de milhares de pessoas barulhentas e famintas, dispersas, comcinco pães e dois peixes! Mas André nos mostra aqui como os homens também podemser sensíveis e atentos aos detalhes, não sendo este um atributo exclusivofeminino, e podem achar o escondido e o improvável onde não parece haver saídae onde tudo parece escondido e improvável! André é um homem inteligente,centrado e obediente que vai atrás de alguma solução para que a ordem de Jesusse cumpra. Ele se ocupa mais com o que Jesus diz do que com o que ascircunstâncias gritam, e parte para a ação! Não ficou divagando sobre asimprobablidades e a não-lógica, nem implicando com os outros companheiros para quefizessem alguma coisa, mas partiu, movendo-se na fé, trazendo de volta paraJesus o que encontrou, o que conseguiu, o fruto do seu esforço, boa vontade,enfim, aquilo que deu conta de fazer. Se não tivesse sido por esta atitude tãogenerosa e também evangelizadora de André – que mais uma vez teve que convencero menino a ir até Jesus e abrir mão do seu lanchinho – nós não teríamos orelato deste milagre tão excepcional de Jesus que prefigura a Eucaristia, todossabemos, o Pão Vivo descido dos céus.

Nossa experiência de vida eclesial, seja ela comunitária, deconsagrados, ou de simples paroquianos e servos nas pastorais, nos aproximamuito mais da vida evangelizadora de André do que da vida dos outros trêsApóstolos, com experiências únicas e extraordinárias. A escolha do lugar ondecada um deve estar sempre parte de Jesus, o Senhor. O importante não é ageografia de nosso posicionamento, se a norte, sul, leste ou oeste, em cima dopalco ou no altar, usando o microfone, ou atrás dele, se na arquibancada e noanonimato, ou liderando alguma equipe. O que vale é estar onde Deus quer, com acerteza interior profunda e pessoal de quem diz: ‘Encontrei Jesus! Ele me ama efaz de mim pescador de homens!’.


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