Formação

A Misericórdia de um Deus tão grande, mas tão pequeno

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Um Deus tão grande, mas tão pobre e vulnerável

Omistério do Advento e Natal nos traz uma importante reflexão sobre amisericórdia de Deus. É o amor de Deus que se antecipa a nos amar. Vematé nós para que voltemos a Ele. Não podendo nós subir, Ele desce aténós. Assim reza a Igreja na oração sobre as oferendas no 2º Domingo doAdvento: "… não podemos, ó Deus, invocar nossos méritos, venha emnosso socorro a vossa misericórdia".

Aexperiência de termos sido, alguma vez, perdoados de forma tão gratuitapor alguém a quem machucamos, foi para nós, certamente, um "choque deamor" que nos constrangeu. É bem mais fácil vivermos na dinâmica dacontabilidade e da retribuição, ou seja, receber de quem, de algumaforma, nos "deve algo", um favor, um compromisso de amizade, umsentimento de amor ou um gesto fraterno. No entanto, é realmentedesconcertante quando alguém nos escolhe no amor, no perdão e nagratuidade da vida assim, sem merecermos absolutamente nada. Todos nósjá fizemos a feliz experiência de nos "sentirmos um nada diante dealguém" e que, mesmo vendo nossa fraqueza, nos acolheu e nos amou.

Lembrode quando minha vida missionária estava nos primeiros meses e, após serindicado para trabalhar com um determinado irmão a quem eu não conheciabem, veio acontecer algo chocante. Quebrei por distração um quadro emvidro de grande valor em que constava uma foto do Santo Padre JoãoPaulo II (ainda vivo) vinda do Museu do Vaticano, uma grande pérolapara aquele tempo, algo que toda pessoa gostaria de ter. Interessante éque este irmão recomendava todos os dias para que tivéssemos cuidadocom o quadro. Certo dia, fazendo uma mudança, distraído, deixei oquadro cair na calçada e ele quebrou em pedacinhos danificando também afoto. Confesso que naquela hora senti vontade de morrer e de fato,morri com a humilhação da fraqueza. Não sabia ondecolocar meu rosto, queria sair correndo, mas não conseguia porqueprecisava também ir ao chão o meu orgulho e tornar-se em pedacinhos.

Esteirmão ao se aproximar de mim, olhou nos meus olhos, pôs a mão no meuombro e disse: "Filho, sei que isso acontece, mas o céu vale mais doque este quadro. Fica em paz! Depois sorriu e me abraçou." Confesso quefui gerado outra vez no amor de Deus naquele momento. "O amor é o nomede Deus e o Seu rosto diz uma belíssima canção!" Sempre que quero"cobrar a quem me deve", não tendo como me pagar, então lembro que jávivi a experiência de ser perdoado tão gratuitamente. A misericórdiados nossos irmãos é bálsamo na alma porque é o próprio gesto do amor deDeus que nos amou ao extremo (cf. Jo 13,1).

Sóa misericórdia nos faz participar da plenitude da vida. Perdoar aalguém que nos feriu não é fácil, o sabemos, mas o mais difícil évencer o orgulho e aquele sentimento de que no fundo, queremos o outrohumilhado diante de nós a nos pedir perdão. Com nossas forças pode serimpossível, mas temos a graça de Deus à nossa disposição. Somente com oauxílio divino unido à nosso desejo e à nossa decisão de querer perdoarpode nos fazer dar este passo sublime. Descer para perdoar não éperder, mas é ganhar a nossa vida e a vida do outro. O Mistério doNatal não é esse se abaixar de Deus à miséria do homem para elevá-lo? Eé maravilhoso perceber que a descida de Deus não diminuiu a suadivindade. É mistério da força e da fraqueza unidas como acontecequando olhamos o presépio e quando adoramos a Eucaristia. "Quem é esseDeus tão grande, mas tão pobre e vulnerável?".

Ensina-nos,Senhor a viver a gratuidade do amor e do perdão, mesmo que nos doa, masajuda-nos a viver esse mistério. Se for o melhor para que assimaprendamos e cresçamos,  faz-nos tantas vezes que nos"tornemos em pedacinhos" para que a tua misericórdia nos reconstrua.Sempre que chegamos a um sincero arrependimento e desejo de mudar devida, ao sermos absolvidos por Ti, através do sacerdote, o nossocoração revive a experiência do céu. "Quem é esse Deus que nos fazabrir as portas do seu céu?". Realmente o céu vale mais!. 


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