Formação

A oração do fariseu e do publicano

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No capítulo 18 do seu Evangelho Lucas quis retomar a grande mensagem de Jesus sobre a oração, e o fez na forma de gestos e de particulares, em cenas extraordinariamente visíveis.

Em nosso caso, a perseverança na oração é refletida na parábola do juiz e da viúva; a sinceridade e a pureza interior se traduzem na parábola do fariseu e do publicano. A abertura filial e confiante dos homens diante do mistério de Deus é condensada na sentença de Jesus sobre as crianças.

Sabemos, já pela cena da viúva, que é necessário perseverar na oração todos os dias, assim como que toda a nossa história se reflita na forma de oração. Sabemos que não basta orar externamente, mas é necessário que a oração penetre até a profundidade da alma e seja radicalmente sincera. Este é o tema da nossa parábola.

O fariseu sobe ao templo: diz abertamente que para ele a oração é importante, e reza. Porém a sua palavra e a sua atitude são vazias: na realidade não procura Deus, mas a própria grandeza e se contenta com a sua perfeição humana. O fariseu ao contrário sobe a Deus e se descobre afundado na miséria: tem necessidade  de sair do seu pecado e pede angustiadamente a ajuda de Deus. Sabe estar sozinho: não pode encontrar um apoio naquilo que tem, e procura força e salvação no seu caminho. Por isso grita. Nesse momento pára de ter importância o seu passado de pecador; não são importantes também a coragem e a coerência que deverá demonstrar no seu futuro. É importante somente o fato: onde se encontra um homem abandonado que decide levantar suas mãos para Deus implorando bênção e ajuda, aí se realiza a verdadeira oração. Tendo presente tudo isso, podemos formular algumas conclusões.

Primeiramente, diante do exemplo de Jesus, a oração como rito é passada a segundo plano. Somos certos que o fariseu observou com exatidão todas as prescrições da tradição sagrada de Israel; mas através de todas as suas palavras não chegou à realidade de Deus, permanecendo em si mesmo, na sua visão do mundo, na sua justiça deturpada. O publicano ao contrário é um homem que não entende de pureza nem de fórmulas rituais. A sua vida é cheia de pecado e não pode apresentar a Deus nenhum mérito e nenhuma vantagem. Porém chegado ao fundo de si mesmo, deixa que Deus o ilumine e o transforme. Por isso quando é dito que o publicano volta para sua casa justificado, significa que Deus o ama e que o publicano procurará traduzir na sua vida a exigência do perdão e do amor que Deus lhe transmitiu.

Em segundo lugar, no campo da experiência cristã, a oração consiste no abrir-se com Jesus ao Pai. Em Jesus e com Jesus, podemos descobrir que a nossa vida é cheia do dom que Deus oferece. Rezar significa ter a segurança que no fundo de tudo, não se encontra um vazio que repete o eco de nossas vozes, mas o amor de um pai que se inclina à nossa súplica e nos ama.

Em terceiro lugar, o homem não tem necessidade da oração como tem necessidade das coisas materiais, a saber o ar, a água, mas somente na oração descobre a sua intimidade como pessoa que é amada; descobre a sua realidade como pessoa que está baseada no mistério da morte e da Páscoa de Jesus e poder sentir-se perdoado. Usufruir o dom que nos é oferecido; gozar do mesmo Deus como dom; viver este mistério e experimentá-lo alegremente cada dia: tal é o sentido da verdadeira oração cristã. Isto é o que o fariseu não soube descobrir, porque estava enclausurado no círculo fechado da sua justiça. Isto é o que o publicano aprende no templo.

Não nos esqueçamos que o evangelista Lucas afirmou: “Jesus disse esta parábola para alguns que presumiam de ser justos e desprezavam os outros”.

Desprezar os outros talvez não, mas presumir de ser justo é tão fácil para alguém que procura fazer do melhor modo. E pode acontecer também a algum cristão que faz bem a sua parte e pensa que todos, a começar do Pai Eterno, devem ser informados, devem apreciá-lo e referi-lo.

Se nos sentimos culpados diante de Deus, estamos na verdade, e encontramos a confortar-nos o perdão de Deus e seu amor.


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