Formação

A verdadeira esperança não decepciona

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Ontem à  noite, li um artigo muito interessante em uma revista sobre as novidades esperadas para serem lançadas em 2011. Os laboratórios fervilham de surpresas, o mercado de expectativas e o consumidor de ansiedades: Celulares  "mega " avançados, Nintendo 3D, Playstation phone, ‘invasão’ de carros híbridos e elétricos, publicidade sob medida, social TV, entre outros. Tem muita gente só esperando um destes produtos ser lançado para correr na loja e realizar seu sonho de consumo; nem que para isto tenha que fazer 48 salgadas parcelas! Mal estes consumidores-sonhadores chegarão em suas casas, os fabricantes já estarão realizando testes nos novos modelos que deixarão ‘no chinelo’ aquele super lançamento tão esperado e já ultrapassado. Que decepção! E assim que um novo anúncio for publicado, o tal consumidor renovará sua esperança e começará a sonhar com o novo produto que, como o anterior, será superado antes de sair da loja… E mais decepções! E sabe por que? Porque não podemos colocar a nossa esperança em coisas matérias, em bens perecíveis, em coisas que passam; assim como tudo aquilo que é material está sujeito à corrupção, se a nossa esperança estiver ali, também será destruída.

A verdadeira esperança não decepciona!

Mas como viver neste mundo, usufruindo de forma equilibrada dos bens que ele nos oferece, sem ser escravo deles? É possível viver neste mundo tendo a esperança alicerçada nos bens verdadeiros? O autor da Carta aos Hebreus (Hb 10,34-36) fala aos fiéis que passaram pela experiência da perseguição e que além dos sofrimentos, tiveram seus bens confiscados, ele diz: “E, de fato, participastes nos sofrimentos dos prisioneiros e aceitastes alegremente a espoliação dos vossos bens (hyparchonton – vg: bonorum), sabendo que estáveis de posse de uma fortuna melhor (hyparxin – vg: substantiam) e duradoura. Não percais a vossa segurança, ela recebe uma grande recompensa. De fato, o que precisais é de persistência para cumprir a vontade de Deus e, assim, conseguir a realização da promessa”. Comentando esta passagem, na sua Enciclica Spe Salvi, Bento XVI escreve: “Hyparchonta são as propriedades, aquilo que na vida terrena constitui a sustentação, precisamente a base, a “substância” da qual se necessita para viver. Esta “substancia”, a segurança normal para a vida, foi tirada aos cristãos durante a perseguição. Eles suportaram-no, porque em todo o caso consideravam transcurável esta substância material. Podiam prescindir dela, porque tinham achado uma “base” melhor para a sua existência – uma base que permanece e que ninguém lhes pode tirar. Não é possível deixar de ver a ligação existente entre estas duas espécies de “substancia”, entre a sustentação ou base material e a afirmação da fé como “base”, como “substancia” que permanece. A fé confere à vida uma nova base, um novo fundamento, sobre o qual o homem se pode apoiar, e consequentemente, o fundamento habitual, ou seja a confiança na riqueza material, relativiza-se. Cria-se uma nova liberdade diante deste fundamento da vida que só aparentemente é capaz de sustentar, embora o seu significado normal não seja certamente negado com isso” (Spe Salvi 8).

Quando começa um novo ano nos enchemos de expectativas e de “esperanças”… mas estejamos atentos para fixarmos a nossa esperança sobre bases seguras, que nem as perseguições, nem tribulações da vida são capazes de destruir.  Recordemos que “a esperança não engana” (Rm 5,5), porque “é pela esperança que fomos salvos” (Rm 8,24) e, “em posse de tal esperança, sigamos com total segurança” (2Cor, 3,12), “porque é fiel aquele cuja promessa aguardamos” (Hb 10,23).


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