INTRODUÇÃO:
Quandotrata dos mandamentos, o Catecismo da Igreja Católica aborda o estudo dadoutrina cristã com este belo título: “A vida em Cristo”. Na explicação doSímbolo da fé (primeira parte) se dá a razão dos dons de Deus ao ser humanopela criação, e mais ainda, pela redenção, presente de Deus ao ser humano. Odesenvolvimento do ensinamento a respeito dos sacramentos (segunda parte)mostra como na celebração do mistério de Cristo a graça nos é dada, que nos fazparticipantes da natureza divina e filhos de Deus com o batismo; com o batismocomeça uma nova vida, a vida em Cristo. Mas esta vida em Cristo requer o cumprimento dosmandamentos (terceira parte), que é a coerência com a fé e com a vocação, àqual convida São Leão Magno:
“Reconhece, cristão, a tua dignidade, e uma vez que fostefeito participante da natureza divina, não queiras voltar à tua antiga misériacom uma conduta degenerada. Não esqueças de que Cabeça e de que Corpo tu ésmembro. Recorda-te de que, arrancado do poder das trevas, fostes transladado aoesplendoroso Reino de Deus” (Sermão 21).
IDÉIAS PRINCIPAIS:
1. Cristo revela quem é o ser humano
Diz o Concílio Vaticano II que “Cristo manifesta plenamenteo homem ao próprio homem e lhe descobre a grandeza de sua vocação” (Gaudium et Spes, 22). Cristo, oFilho de Deus feito homem –homem perfeito- , enviado por Deus Pai para nossalvar e nos dar o exemplo, é como o espelho no qual o homem pode saber quem ée a que vocação foi chamado por Deus.
2. O sentido da vida e a vocação do homem
O homem foi criado por Deus, e é a única criatura da terraque Deus amou por si mesma. Dotada de alma espiritual –com entendimento e vontade-, a pessoa humanaestá, desde a sua concepção, ordenada a Deus e destinada à eterna bemaventurança. O ser humano consegue a sua perfeição na busca do amor, da verdadee do bem. Em conseqüência, fomos criados por Deus, e o sentido da vida está emcaminhar para Deus para viver eternamente com Ele: esta é a vocação do ser humano.
3. Viver de acordo com a vocação
O ser humano deve viver de acordo com a vocação à qual tenhasido chamado por Deus; deve seguir a lei moral que Deus mesmo colocou no mais íntimo de cadapessoa e que lhe intima: “Faz o bem e evita o mal”. Todos devem seguir esta leique ressoa na consciência, porque é uma lei universal e imutável. O cristãoconhece o caminho para alcançar a eterna bem aventurança: cumprir osmandamentos.
4. Aliberdade do ser humano
Mas o ser humano é livre; e sendo nossa liberdade frágil,pode obedecer – e também desobedecer – a voz de Deus que lhe deu a liberdade para que seja livre deverdade, sem coação alguma, porque quer que se decida por Deus. A liberdade é araiz do ato humano, e por isso o ser humano é responsável das decisões quevoluntariamente adota. Às vezes, a responsabilidade de uma ação pode ficardiminuída – inclusive, anulada – pela ignorância, a violência, o temor e outrosfatores psíquicos e sociais.
Por causado pecado original, o ser humano conserva o desejo do bem, mas a naturezahumana está sujeita ao erro e inclinado ao mal no exercício de sua liberdade.Por isso é preciso amar a liberdade e defende-la, mas também é necessárioeduca-la para que seja “a liberdade que Cristo nos ganhou” (Gálatas 5,1).
5. Avocação do ser humano
Com sua morte na cruz Cristo livrou a humanidade do demônioe do pecado, merecendo para todos a vida nova no Espírito Santo; com a sua graça restaurou o que opecado tinha destruído. E esta senda que Cristo traçou é a que deve seguir todoaquele que queira ir após Ele, para unir-se com Ele, para identificar-se comEle. Não existe outro caminho. Nesta união com Cristo se alcança a perfeição dacaridade, a santidade à qual todos estão chamados, como ensina o ConcílioVaticano II: “Todos… são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição dacaridade”. A vida em Cristo atinge sua plenitude na glória do céu.
6. Avocação do ser humano e a felicidade
Além de santos, Deus nos quer felizes, mesmo contando comque – enquanto peregrinamos – precisamos carregar a cruz, que é a condição da existência cristã. Afelicidade na terra sempre traz consigo o meio amargo da precariedade. Esteparadoxo fica muito bem manifestado nas bem aventuranças, nas quais Jesusensina quais são os verdadeiros bens. Somos herdeiros do Reino de Deus, e nossaverdadeira e plena felicidade se realizará na visão de Deus, no descanso comDeus.
A vidaeterna é um dom gratuito de Deus, tão sobrenatural como a graça que conduz aela.
7. Cristo, princípio e meta de todo ser humano
Cristo, que é o Senhor do cosmos e da história, é para o serhumano em particular “o caminho, a verdade e a vida” (João 14,6). Em quanto Deus é ocriador do universo, que é sustentado com sua palavra poderosa; como homem, é oRedentor do mundo, o único Redentor, pois não existe outro que possa nossalvar. Por isso nossa dignidade, nossa verdade, nossa vida, nosso caminho éJesus Cristo, a quem o ser humano deve buscar, seguir e amar: “Se conheces aCristo, sabes tudo; se ignoras a Cristo, não sabes nada”, dizia o escritoafixado em uma biblioteca.
O serhumano de nosso tempo tem especial necessidade de buscar, de encontrar aCristo, já que está vendo destruídas todas as suas esperanças e ninguém maisque Cristo poderá livrar a humanidade do desamparo que a aprisiona. Cristo é aesperança da humanidade, porque “Cristo é o amor que ama, é o caminho para serandado, a luz para ser acesa, a vida para ser vivida, o amor digno de seramado” (Madre Teresa de Calcutá).
Quemencontra a Cristo experimenta o milagre de ver sua vida transformada, com umideal que o apaixona e lhe dá vontade de viver, como a loucura confessada porSão Paulo: “Já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2,20).
8. PROPÓSITOS DE VIDA CRISTÃ:
· Meditar muitas vezes nas palavras do Papa São Leão Magno:“Reconhece, cristão, a tua dignidade”, e tirar conseqüências para a própriavida.
· Aproveitar o estudo desta parte do Resumo do Catecismo daIgreja Católica” não só para conhecer, mas para realmente “viver em Cristo”.
· Frente à onda de ignorância, tomar a determinação debuscar a Cristo, para conhece-Lo e ama-Lo melhor.
Jayme Pujoll e Jesus Sanches Biela