Formação

Amar os idosos

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O mundo está envelhecendo e os “anciãos são o porvir”, os velhos são o futuro. Não só as pessoas devem preparar-se para o envelhecimento, mas igualmente as culturas, os governos, a sociedade. Todos nós queremos viver muito tempo, mas ninguém quer envelhecer. Sabemos que um móvel velho, um vinho velho é que tem valor. “Minhas rugas são título de nobreza”, disse uma artista famosa. A grandeza de uma civilização se mede pela atitude perante os anciãos. O pior envelhecimento começa com o medo de envelhecer. A solução está em preparar-se.

Como viver bem a terceira idade? A mais bela idade é a que temos e cada idade tem sua beleza e sua missão. A idade não está só nas artérias, nas rugas, mas no fervor. “Não sei qual é a minha idade: muda de minuto em minuto”, disse um sábio. Importa viver o momento presente, viver de instante em instante, pois tudo começa a cada momento e hoje é o primeiro dia do restante de nossa vida. O problema não está em acrescentar anos à vida, mas acrescentar vida aos anos. O final da vida ainda é vida. Dar a cada instante, a cada manhã o consentimento à vida, comungar com a vida. Neste sentido poucos sabem ser velhos.

Cabe-nos ser reconhecidos e justos para com os idosos. Eles são mestres, são guardiões da fé, da tradição, dos valores. Eles ajudaram o mundo ser melhor. Que a família nunca abandone seus idosos. É preciso honrar pai e mãe.

Nossos anciãos precisam de um aperto de mão, de um olhar, de um sorriso, de um abraço. A bengala mais segura é o braço de um filho, de um amigo, de um vizinho. Aos idosos, demos o melhor lugar de nossa casa, a melhor aposentadoria. A eles e elas demos o assento no ônibus, nas Igrejas, mas principalmente seja-lhes concedido respeito, honra e lugar na sociedade. A frase mais terrível na boca de um idoso é esta: “eles me esqueceram”.

Por outro lado, os idosos têm dons, experiências e sabedoria para enriquecerem a sociedade de hoje. Velhice não é peso, é dom; não é decadência, é oportunidade; não é doença, é uma etapa normal da vida; não é desgraça, é graça; não é diminuir, é crescer. Idoso é alguém que ajuda os outros a viver. O que enche nossas mãos não é o que retemos, mas o que temos dado. Então, velhice é tempo de ação de graças, tempo de novos aprendizados, tempo de mais proximidade de Deus. Possam os idosos viver sentimentos de gratidão para com o passado, alegria em relação ao presente e muita esperança quanto ao futuro. Benditos sejam todos os que cuidam dos idosos. O melhor jeito de envelhecer é viver fazendo o bem, plantando sementes boas no jardim do coração.

Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina

Fonte: CNBB


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