Formação

América em ebulição

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Dom Luiz Demátrio Valentini

Devez em quando a história acelera o passo. É o que está acontecendo nocontinente americano. Ao menos é o que se depreende dos depoimentos dosmembros do Conselho do Sínodo da América, que fizeram sua reunião anualna semana passada. De todas as reuniões feitas até hoje, desde 1998,foi a que mais testemunhou a intensidade de mudanças em andamento, emquase todos os países, nas três Américas e no Caribe.

NosEstados Unidos o sinal mais evidente da mudança está no resultado dasrecentes eleições presidenciais. Elas sinalizam não só o desejo de sairdos impasses dos equívocos militares, cometidos em nome de umaprepotência que já não se justifica, nem tem mais o respaldo de umasuperioridade bélica que já se tornou ineficaz. O país sedefronta sobretudo com a falência de um sistema econômico que sepretendia auto justificável, mas que na verdade estava baseado naespeculação financeira, e no endividamento que estimulava a gastança,cujo preço começa agora a ser cobrado.

Percorrendoo mapa do continente, em quase todos os países os sinais de alertaestão acesos. A Guatemala continua com a incumbência de deter o ritmode migração para o norte, como país incumbido de fechar suas fronteirascom o México, que serve de passagem aos Estados Unidos. A inquietação se alastra nos outros países da América Central.

NaAmérica do Sul, a ebulição política se faz presente em quase todos ospaíses. Continua pertinente a observação do documento de Aparecida, quereconheceu o progresso democrático “em diversos processos eleitorais”.

Aseleições realizadas na Venezuela neste domingo dia 23 de novembro,confirmam que a aposta no jogo democrático continua válida. Iisto é umsintoma positivo. O Presidente Chavez venceu na maioria dos Estados,mas perdeu a prefeitura na capital federal. Até que as opções políticassão confiadas à decisão dos eleitores, continua a esperança daconsolidação democrática em nossos países.

Outraconstatação interessante, trazida pelos participantes da reunião doSínodo da América, é a surpreendente acolhida que vem tendo o documentode Aparecida, em todas as Conferências Episcopais da América Latina.Com a observação interessante, de que o documento de Aparecida acabourecuperando a validade do próprio documento do Sínodo da América., quea partir de Aparecida acaba mostrando melhor o seu valor.

Isto,com certeza, mostra a conveniência de priorizar as iniciativas locais,que têm mais chances de responderem à realidade. Aí a preciosidade datradição latino americana de realizar, periodicamente, suas“Conferências Gerais”.  Tanto é verdade que,ao contrário da África, onde já está sendo preparada uma nova edição deum “sínodo continental”, para a América não se vê esta conveniência,dado o intenso trabalho de assimilação do documento de Aparecida, queainda está em curso.

Emalguns países a tensão política é mais intensa. Talvez aquela que maismerece compreensão, é a da Bolívia, onde a situação política tem fortescomponentes culturais, o que a torna mais complexa. Lá a presença daIgreja, com o peso de sua credibilidade, está se mostrando muito válida.

Outra situação vista com expectativa é a do Paraguai, onde as propostas de mudanças que deram a vitória eleitoral ao bispo Lugo, assumem agora o desafio de colocá-las em prática.

Emtodo o caso, quando a história acelera seu ritmo, sentimos o desafio deacertar o passo com ela. O que, certamente, exige de nós mais atenção,e mais abertura de espírito também.


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