Formação

Amor de mãe

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Dom José Alberto Moura
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

Jesus apresenta a realidade da dependência do ramo em relação àárvore. Ele somente dá fruto se for alimentado pelo tronco. Aocontrário, não serve a não ser para ser queimado ou jogado fora (Cf. Jo15, 1-8). Nossa realidade de seres criados é assim. Sem a dependênciade Deus, não somos capazes de realizar o bem, mesmo independentementede nossa vontade. Nossa vida é alimentada pela presença do Criador,qual uma criança segura pela mão da mãe ou do pai ou de quem por eles.Podemos, posteriormente, na independência e auto-suficiência, seguirpor caminhos até contrastantes em relação aos desejados por quem nostransmitiu a vida.

Mas, se dermos cabeçada ou nos embrenharmos por rumos que não noslevam a nada, depende de nós mesmos. Deus, como nos ama, deixa-nosbuscar o destino de nossa opção, apesar de Ele não nos abandonar noprocesso de escolha. Estimula-nos a acertar o caminho mais apto à nossaprópria realização, apesar de termos de discernir entre propostas dobem ou do mal. Nem sempre o mais prazeroso no momento será o de maisvalia. A propaganda maior estimula nossos sentidos e o intelecto paranos sentirmos mais gratificados sensorialmente e auto-suficientes emrelação a Deus. Caímos com frequência na escravidão dos sentidos e denós mesmos, sem vislumbrarmos libertação.

Deus nos propõe o caminho de dependência, qual ramo do tronco, mastendo a seiva vital que nos faz revigorados. O próprio Jesus fala que,sem Ele, nada podemos fazer. Nossa realização humana, em verdade, só sedá com nossa mão segura na de Deus. Nossa liberdade só se dá nadependência de Deus, que é plenamente realizadora para nós. A históriado filho pródigo é bem elucidativa para entendermos que a liberdade malusada nos tira da ligação com o Senhor.

Em Maria, a mãe do Salvador, vemos um exemplo concreto de ligaçãoíntima com Deus, que a tornou plena em graça. Deus a escolheu para elevir como um de nós e nos apresentar o caminho de realização plena.Ensinou-nos o uso da liberdade ligada à sua fonte. Sem bebermos dafonte do amor de Deus, não somos capazes de encontrar a razão de ser davida. O amor de Maria foi embebido sempre na fonte do amor do Criador.Agora, mãe do Filho de Deus, somente pode nos indicar a razão de ser davida no amor emanado do Pai e mostrado de modo humanizado por seu filho.

Por isso, o amor materno de Maria é banhado no amor de seu filho,que é o Filho de Deus. Aprendemos com ela a viver como membros dafamília de Deus na aceitação de, também nós, vivermos nessa fonte erealizarmos o projeto divino em nós. A dependência de Deus, então, nosdá todo o vigor e a razão de viver, focalizando o sentido da vida nadireção de Cristo.

Apesar de tanta religiosidade manifestada por maiorias, percebemosmuita desconexão entre o contemplado ou sentido em devoções religiosase sua ligação com postura ética e vivência de valores vislumbrados coma manifestação experimentada no sentimento da fé. A verdadeiradependência libertadora de Deus em Maria a fez viver a coerência de suamissão com o amor de seu Senhor e filho. Oxalá todos pudéssemos imitarMaria com seu amor de Mãe para termos uma sociedade de pessoascoerentes com a fé.


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