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Anunciar a Pessoa de Jesus Cristo

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pregacao-expositiva-da-bibliaQual a missão da Igreja e com ela a de todos os batizados, ou seja, qual a sua e nossa unção profética? Anunciarão mundo a pessoa de Jesus e a obra de Jesus Cristo. Nós somos anunciadores e precursores de Jesus Cristo. O centro de nossa pregação não é o reino de Deus, mas Jesus Cristo, porque ele é o reino realizado, depois que morreu por nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação (Rm 4, 25). Os apóstolos depois da unção em Pentecostes dedicaram-se a anunciar Jesus Cristo (At 2, 36).

O cristianismo não é uma doutrina, mas uma pessoa, Jesus Cristo. O anúncio de Jesus e o relacionamento com ele deve ser a prioridade de nossas vidas, como também a de levar os nossos irmãos a se relacionar intimamente com ele. A verdadeira e autêntica evangelização não está em anunciar primeiramente as doutrinas e as exigências do Evangelho, mas em primeiro lugar anunciar a pessoa de Jesus Cristo. Estamos mais preparados para apascentar as pessoas que permanecem na Igreja do que sermos pescadores de homens. É muito importante que cuidemos das pessoas que são fiéis, mas não podemos negligenciar na condução de novas pessoas para o aprisco do Senhor, como também “repescar” as que se afastaram. Existem mais ovelhas desgarradas no mundo de hoje do que as que permanecem fiéis e isso nos mostra a grande necessidade de uma evangelização que manifeste toda a plenitude da verdade e da vida cristã, mas que seja também simples e essencial. Somente colocando a pessoa de Jesus Cristo como ponto inicial e central do anúncio isto poderá acontecer. No plano espiritual e pastoral o dogma central de nossa fé é que Jesus Cristo é uma pessoa. Este é o fundamento do anúncio cristão e o segredo de sua força. Está em Jesus Cristo a força do anúncio da boa nova. É ele o motor da evangelização eficaz, por isto devemos usar todos os meios, toda nossa criatividade, toda nossa imaginação, toda a ciência, toda a técnica para que, de maneira pedagógica e convincente possamos apresentar Jesus Cristo para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de desfrutar de sua preciosa amizade. O Evangelho, isto é , Jesus Cristo precisa chegar a todos, “ao centro da pessoa e da sociedade, às raízes mesmas da cultura, não de uma maneira decorativa, como um verniz superficial(Santo Domingo, nº29, Editora Vozes).

A IV Conferência do Episcopado latino-americano afirma exatamente isto, que “o conteúdo da Nova Evangelização é Jesus Cristo, Evangelho do Pai, que anunciou com gestos e palavras que Deus é misericordioso para com todas as suas criaturas, que ama o homem com um amor sem limites e que quis entrar na sua história por meio de Jesus Cristo, morto e ressuscitado por nós, para libertar-nos do pecado e de todas as suas consequências e para fazer-nos participar de sua vida divina. Em Cristo tudo adquire sentido. Ele rompe o horizonte estreito em que o secularismo encerra o homem, devolve-lhe a verdade e dignidade de Filho de Deus e não permite que nenhuma realidade temporal, nem os estados nem a economia nem a técnica se convertam para os homens na realidade última a que devam submeter-se. Nas palavras de Paulo VI, evangelizar é anunciar o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus” (Santo Domingo, nº27, Editora Vozes).

A única forma de conhecermos profundamente uma pessoa é nos relacionando vivamente com ela. Para conhecermos, portanto a pessoa de Jesus Cristo precisamos nos relacionar com ele. Podemos ter este relacionamento íntimo com ele porque Jesus é verdadeiro homem; Jesus é verdadeiro Deus; Jesus é uma única pessoa. Em uma só pessoa Jesus abrange sua humanidade e sua divindade. Cristo é uma pessoa que é a segunda pessoa do Verbo de Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, que encarnou-se através de Maria e se tornou homem.

O Evangelizador precisa primeiro ter uma experiência com a pessoa de Jesus Cristo

O Cantalamessa nos adverte que nós devemos “descobrir e proclamar que Jesus Cristo não é uma ideia, um problema histórico, nem tampouco apenas um personagem, mas uma pessoa viva”( Ungidos pelo Espírito, pág. 82). O cristianismo não pode ser reduzido a uma ideologia ou simplesmente uma teologia. É possível que o homem de hoje tenha um encontro pessoal com Cristo crucificado, como teve São Paulo no caminho de Damasco (At 9, 4-5), como tiveram os apóstolos (Jo 20, 19-23) e que também depois teve Tomé (Jo 20, 24-29). Estes tiveram uma experiência tão viva, tão concreta que se tornaram testemunhas eficazes da pessoa de Jesus Cristo. Estes viram, ouviram e tocaram em Jesus (1 Jo, 1-4; At 2, 32), portanto não puderam mais calar (At 4, 18-20). Tinham que anunciar, tinham que difundir a graça que haviam recebido. Não dava para retê-la, era forte de mais. Experimentaram o amor de Deus através de Jesus e receberam a graça de amá-lo. Seus corações cheios de gratidão por terem sido visitados por Deus, pois se sentiam profundamente curados, libertados de suas dores, se sentiam impelidos a contagiar a toda a humanidade para que esta também experimentasse a grandiosa graça de se desfrutar da amizade da pessoa de Jesus. Além do que se sentiam impelidos de fazerem com que todos que conhecessem a Jesus, uma pessoa inexplicável, amorosa, apaixonante, cativante por sua beleza e bondade, tivessem o coração transbordante de amor por ele.

A partir de agora Jesus merecia todo o amor do mundo, todas as suas vidas. Entregar tudo o que eram e tinham a ele, por amor, já não era mais uma exigência, nem muito menos um jugo, um dever, mas um desejo que brotava inesperadamente de seus corações. Alegravam-se por terem sido dignos de sofrer afrontas pelo nome de Jesus (At 5, 41-42), as dificuldades que encontravam não tinham o poder de desanimar ou de apagar o fogo que ardia dentro dos seus corações, eles consideravam tudo nada comparado a oportunidade de testemunhar Jesus Cristo. Paulo considerou nada os sofrimentos da vida presente comparados com a glória futura, como por exemplo: muitos trabalhos, muitos cárceres, açoites sem medida, muitas vezes viu a morte de perto, receber cinco vezes dos judeus os quarenta açoites menos um, três vezes ser flagelado com varas, uma vez ser apedrejado, três vezes naufragar, uma noite e um dia passar no abismo, viagens sem conta, exposição a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte de seus concidadãos, perigo da parte dos pagãos, perigo na cidade, no deserto, no mar, entre falsos irmãos, fadigas, repetidas vigílias, com fome e sede, frequentes jejuns, frio e nudez (2 Cor 11, 23-27; 2 Cor 6, 3-10).

Consciência da missão

O Evangelizador precisa ser consciente de sua missão, precisa ter a noção exata do seu chamado, como tinha Jesus. Ele não se importava do seu sucesso, se era aceito pelas pessoas que o ouviam, nada fazia Jesus recuar de sua missão de proclamar a Boa-Nova de Seu Pai.

O evangelista São Lucas no capítulo 4, versículos 16 a 32, descreve muito bem a atitude de Jesus diante da reação daqueles que o escutavam. Primeiro, diz o evangelista, “todos na sinagoga tinham os olhos fixos nele”( v.20), com o desenrolar das palavras de Jesus, eles começaram a duvidar dele e perguntaram: “Não é esse o filho de José?”. Com esta pergunta podemos perceber que eles já não estavam com os olhos tão fixos em Jesus como no início, porque as palavras de Jesus incomodavam a eles, porém Jesus, não se importa com a rejeição deles e continua no cumprimento de sua missão. A rejeição por parte dos que ouviam a Jesus se torna cada vez mais intensa: “Todos na sinagoga ficaram tomados de cólera, ouvindo essas palavras. Eles se levantaram, lançaram-no fora da cidade, e o conduziram até uma escarpa da colina sobre a qual estava construída sua cidade, para daí o precipitarem abaixo” (vs. 28-29). Porém, Jesus consciente de ter vindo ao mundo para fazer a vontade do Pai, que era a salvação da humanidade, não se intimida nem com a morte, demonstrando isto quando “passando no meio deles, seguiu seu caminho” (v. 30) e “desce então a Cafarnaum, cidade da Galiléia”, lá “ensinava-os no dia de sábado e eles ficavam impressionados com o seu ensinamento, porque a sua palavra era cheia de autoridade”(v. 31s).

Será que nós, que somos evangelizadores, teríamos a mesma atitude de Jesus? Será que nós somos conscientes que temos a missão de evangelizar e não só um trabalho a desenvolver? A missão de evangelizar não é uma escolha da nossa parte, esta missão é um mandato de Deus. Evangelizar não é uma decisão da nossa parte, que podemos dizer “sim” ou “não, ao contrário, como diz São Paulo: “Pois para mim anunciar o Evangelho não é motivo de orgulho, é uma necessidade que se me impõe: ai de mim se não anunciar o Evangelho! Se o fizesse por minha própria iniciativa, eu teria direito a salário; se, porém, sou obrigado a isso, é um encargo que me é confiado. Qual é então o meu salário? É oferecer gratuitamente o Evangelho que anuncio, sem usar dos direitos que este evangelho me confere” (I Cor 9, 16-18). Não fomos nós que tivemos a iniciativa de evangelizar, é Deus que nos confere este encargo, esta missão, da mesma forma que conferiu a Jesus. Ele mesmo disse que foi enviado pelo Pai, não foi ele mesmo que se enviou, aliás, isto não existe, o envio é sempre iniciativa de outro.

Nós fomos enviados pelo Pai, através de Jesus, para anunciar o evangelho de Deus, não por nossas qualidades, competência, mas por misericórdia de Deus, que derramou sobre nós a mesma unção de Jesus. Nós não anunciaremos o evangelho esperando sermos aceitos, sermos aplaudidos, a termos sucesso. Esta não deve nunca ser a nossa motivação, mas para cumprir um mandato divino a fim de atrairmos aquelas ovelhas que são do aprisco do Senhor, mas que ainda não foram congregadas lá. Com certeza deve existir pessoas que desenvolvam esta missão melhor do que nós, mas se não cumprirmos a vontade de Deus, somos nós que perdemos, porque a obra de evangelização não parará por causa de nossa covardia, ela seguirá adiante, pois Deus é quem realiza todo o trabalho e colocará outros no nosso lugar. Porém, a nossa vida ficará vazia, sem sentido.

O evangelizador precisa compreender o “valor” que possui uma alma para Deus e para todos nós. Santa Teresa disse que daria mil vidas, se as tivesse, para a salvação de uma só alma, porque ela havia compreendido o que era uma alma para Deus e para toda a humanidade. Jesus nos disse que “todo o céu se alegra por um só pecador que se converte, que ele podia ter cem ovelhas, mas se uma só se perdesse, ele deixaria as noventa e nove para ir buscá-la. Jesus não tinha onde descansar sua cabeça. Trabalhava incansavelmente anunciando a boa nova de Deus. Jesus tinha muita pressa para salvar almas. Ele não impõe condições para isto, sofre o que precisa sofrer, trabalha o que precisa trabalhar, se humilha o que precisa se humilhar, se arrisca o que precisa se arriscar, contanto que ele cumpra a vontade do Pai de salvar almas, de reconquistar para o Pai aqueles que são deles, mas que pelo pecado estão separados e sofrem muito como testemunhou o próprio filho pródigo. Jesus só tem uma fome a de matar a sede que Seu Pai têm das almas. Por terem compreendido perfeitamente isto, os santos também só tinham um desejo: salvar almas para a maior glorificação de Deus, como foi a atitude de Sta. Teresinha. Antes de tudo, ela declara firmemente sua finalidade de ser carmelita: “Vim para salvar as almas, e principalmente para rezar pelos sacerdotes” ( Ma, 195).

Não podemos nos preocupar apenas com a nossa salvação. Não podemos só investir em nossa salvação. Precisamos investir na salvação de todas as almas, crianças, jovens, adultos, idosos, profissionais. Resgatar todas para Jesus. Tomando a mesma atitude de São Paulo: “Sim, livre em relação a todos, eu me fiz escravo de todos, para ganhar o maior número deles. Eu estive com judeus como um judeu, para ganhar os judeus, com os que estão sujeitos à lei, como se eu o estivesse – ao passo que eu mesmo não estou – , para ganhar os que estão sujeitos à lei; com os que são sem lei como se eu fosse sem lei – quando não sou sem lei de Deus, visto que Cristo é a minha lei -, para ganhar os que são sem lei. Eu compartilhei a fraqueza dos fracos para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para de alguma maneira salvar alguns. E tudo isso eu o faço por causa do Evangelho, para dele participar”( I Cor 9, 19-23). Todos aqueles que assumem o seu encargo de evangelizar participam do evangelho porque se tornaram testemunhas da graça que Deus havia operado em suas vidas.

Formação: Nov.2008

consagrados

Este livro é o primeiro da Série Theo, que se propõe a oferecer livros de Teologia de qualidade aos homens do 3º milênio. Tem por objetivo apresentar, de modo sucinto, a identidade, a natureza e a missão do ministério ordenado à luz da Palavra de Deus (Bílblia e Tradição) e do Magistério da Igreja Católica. Destinado a sacerdotes, bispos, seminaristas e leigos interessados no tema. Prefácio de Dom Alberto Taveira.

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