Nos dias 09 e 10 de novembro de 2013, a Comunidade de Vida e Aliança Shalom, da Missão de Sobral, reuniram-se para o Retiro Geral da Grande Comunidade, com o tema: “Avançar na oração para a glória de Deus”.
O Retiro tem como objetivo, juntos como Comunidade, louvar, escutar a Deus e redirecionar nossos passos, buscando a vontade de Deus, para a vida da Comunidade e da Missão, sempre em unidade com o Governo Geral. Em sinal dessa unidade, seguimos o mesmo tema de Fortaleza.
No primeiro dia, pela manhã, nossa co-fundadora, Emmir Nogueira, falou para nós sobre “Maria, um modelo de fé”. Inicialmente, Emmir lembrou-nos sobre o recado do Papa Francisco para a Comunidade Shalom: “Saúdem o Moysés, em meu nome, e toda a gente do Shalom.” Esse recado nos enche de alegria, pois nos coloca em unidade com a Igreja.
Em seguida, a pregação se deu em três partes: sobre a obediência da fé de Maria; o itinerário de fé de Maria; e a fé como instrumento para configuração a Cristo.
Maria primeiro concebeu Jesus no seu coração, para depois concebê-Lo em seu ventre. Maria é alegre, pois vive para Deus, não vive para si. A alegria é resultado do abandono total a Deus. O ato de fé carismática é abandono e espera à decisão de Deus. O itinerário de fé de Maria é o itinerário que Maria faz junto a Jesus. Todo itinerário de fé de todo cristão é participação na vida, paixão, morte e ressurreição de Cristo. Deus entrega à Maria: a Igreja, a humanidade, quando Jesus diz, na cruz, olhando para Nossa Senhora e para João: “Mulher, eis aí teu filho”. Por isso, é como diz São Bernardo: “Procura Maria e encontrarás Jesus”.
Nossa Senhora, diante de Deus, tem o brilho dos humildes; é preciso crer no amor de Deus, crer naquilo que Deus faz em nós, e deixar-se olhar, deixar-se amar, deixar-se contemplar por Deus. É o Senhor que vê, em Maria, o “sim” completo à sua vontade, o “sim”à ação da sua graça. É assim que o Senhor nos conduz, a contemplar o mistério da fé de Maria, por meio da oração.
Ainda no primeiro dia, no período da tarde, Moysés, o nosso Fundador, nos falou sobre “Vocação Shalom, um caminho de fé”. Falou-nos que esse retiro é mais uma oportunidade de nos deixar atingir, nos deixar converter, de permitir que a ação da graça de Deus faça na nossa alma, que tantas vezes resiste em se colocar sob o alcance da graça divina.
Levou-nos a refletir sobre o Caminho de fé, dentro da Vocação Shalom, baseado na Encíclica Lumen Fidei, como diz o Papa Francisco: a Fé é a resposta a uma Palavra que interpela pessoalmente a um Tu que nos chama pelo nome. E esta Palavra corresponde a uma chamada e a uma promessa.
A fé não é outra coisa, é um continuo chamado de Deus para mim, para você, para cada um, para nós sairmos de nós mesmos, para um futuro inesperado. É sair da minha vontade, projetos, planos pessoais, para fazer a vontade de Deus. É sair da minha zona de conforto, da minha soberania, para se submeter à soberania de Deus. Não é caminho fácil, mas é o mais feliz; é o único que nos faz verdadeiramente felizes. Mundanismo espiritual é viver para si mesmo, não viver para Deus, não viver para os outros. A fé nos livra do mundanismo.
O contrário da fé é a idolatria, que é não suportar o mistério de Deus, o tempo de Deus, a sua manifestação; é não esperar por Deus. É fruto da impaciência dos homens em querer que Deus faça o que eles querem; é confiar em si mesmo, mais do que em Deus. É confiar mais em nossas mãos do que nas mãos de Deus. Por isso, fazem ídolos com as próprias mãos. O rosto do ídolo é feito por nossas próprias mãos. Quem não quer confiar na soberania de Deus, escuta a voz dos ídolos que diz: “Confia-te em mim”.
Deus nos pede tudo para que possamos acolher Deus, nosso tudo, tudo em todos. Quando você não tem seu futuro controlado por você, mas por Deus, então é sinal de fé.
Quatro coisas fazem crescer a nossa fé: a) o caminho comum – a vida comum, a comunhão, a santidade comum, pois é impossível crer sozinho, a fé não é opção individual; a fé cresce quando estamos juntos, combatemos juntos, unidos; b) a oração – quando rezamos, faz crescer a fé; c) a prova da fé – quem nunca teve sua fé provada, nunca teve fé; se perseverarmos nas provas é porque o Evangelho está sendo vivenciado; d) a transmissão da fé – cresce a nossa fé e ados outros, quando a transmitimos.
No segundo dia, fizemos uma adoração ao Santíssimo Sacramento, em deserto, constituindo-se em um momento forte e de intensa oração. Em seguida, alguns irmãos partilharam, deram seu testemunho, onde também foi um forte momento de edificação de todos.
Enfim, o Senhor muito fez por nós através desses momentos de pregação, deserto, adoração, partilha e testemunhos. O Senhor nos impele a darmos uma resposta generosa da nossa oferta, a não viver egoisticamente para nós mesmos.
Ele nos falou fortemente por meio de uma palavra que a nossa luta diária, muitas vezes, são contra o próprio Senhor Deus, quando resistimos contra a sua Santa Vontade. O Senhor deseja nos vencer neste combate, nos convencer da sua eleição, pois Ele nos olha com amor, misericórdia e compaixão.
Fez nos ver também, que, outras vezes, lutamos contra o pecado, contra o mal, mas sozinhos, e não como família, quando deveríamos lutar compactados na graça, ser apoio uns para os outros, fonte de luz para os irmãos, santidade em comum.
O Senhor nos chama a uma rendição a Ele, para que Ele nos cure. O Senhor passa no meio de nós e nos ergue, realizando uma obra de retorno. Lembra-nos ainda que, pela intercessão de Maria, Ele nos livra do orgulho, pela via da humildade.
Gerson Luiz Apoliano Albuquerque e Maria Lucicleide Lima
