Formação

“Caindo em si…”

comshalom

“Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao Pai: ‘Pai, me dá a parte da herança que me cabe’ e em seguida ele foi embora, gozar a vida, distante dali, voltando as costas para o pai” (Lc 15,11).

Quanta tristeza nessa primeira cena que, infelizmente, se repete freqüentes vezes também hoje! Jesus não inventou esta situação. Ele a tirou da vida real. Por toda a parte e em qualquer época, há filhos que agem dessa maneira. Além de tudo, parece que esse filho se lembra do pai só por causa da herança. Comporta-se como se o pai estivesse morto, porque exigir a herança significa supor que o pai estivesse morto, porque exigir a herança significa supor que o pai já não está mais vivo. Mas nessa parábola, mais do que o comportamento do filho, é preciso considerar o do pai.

O filho vai embora e leva a vida do jeito que já conhecemos. Vai acabar na miséria e essa condição o faz cair em si mesmo. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. Vou me levantar, e vou encontrar meu pai… Então se levantou, e foi ao encontro do pai” ( Lc 15, 11-24).

Esta parábola nos leva a refletir que o homem tem fome de Deus e é esta fome que o faz voltar para casa. O Senhor nunca sacia inteiramente a fome que o homem tem dele. A fome permanece. A fome está presente. Em todas as circunstâncias o homem sente fome de Deus, seja nos momentos de consolação ou de aridez. O coração do homem é inquieto e só encontra o descanso em Deus.

É verdade que Deus nunca saciará a fome que o homem sente dele, mas àquele que o deseja Ele o alimentará. A forma e a quantidade é Ele que sabe, mas só em Deus o homem se alimentará. Esteja perto ou longe de Deus, o homem tem fome dele, porém a fome que sente ao estar longe é uma fome devastadora. Todos os dias o homem se perde de Deus e Ele tudo faz para o encontrar. É o Senhor que busca o homem. É Ele que faz a parte mais pesada que é a procura. O homem precisa, todos os dias, que Deus o encontre. A Eucaristia é o lugar do homem encontrar seu Deus, de ser alimentado por Ele. Essa necessidade que o homem sente de Deus dura a sua vida inteira até o encontro definitivo com Ele. É esta fome que impulsiona o homem para Deus. Uma fome do Deus vivo que o leva a felicidade, se estiver na casa do pai ou uma fome de dor se estiver distante dele.

“Como está o meu coração?” Você que está lendo este texto agora, pode se perguntar. “O meu coração está calmo ou inquieto?”. Se estiver calmo, com certeza está doente, e pode chegar até mesmo a morrer. Se estiver inquieto, buscando a Deus, com certeza está vivo.

“Ele bem gostaria de matar a fome com as bolotas dos porcos e então caindo em si…”

Na vida dos santos foi necessário um dia “cair em si”. Será que você caiu em si mesmo? Será que você não é senhor de sua vida? Será que a sua vida está nas mãos de Deus? Escute Deus lhe dizendo: “Dá o passo. Vai na fé. Vá agora. Não espere. Não pense. Não receie. Não adote medidas ou cautelas por não estar convicto do chamado ou por voltar-se para trás. Tenha confiança. Ponha-se a caminho. Abandone tudo que lhe impede de buscar verdadeiramente o Senhor. Tudo é nada quando Cristo chama.

E o Senhor chama você. Já! Decida-se. Ele o espera. Não olhe para trás, se o fizer, não é apto para o reino ( cf. Lc 9,62). Ponha suas mãos nas mãos de Deus e se arremesse. Ao vácuo, sem medo. Vá. Decidido, sem pensar duas vezes. Se se puser a repensá-lo, voltará atrás. Por isso, siga o impulso do seu coração. Não atenda à cabeça. Aja imediatamente” Reflita como está a sua vida. Você é senhor ou servo? Você deixa Deus conduzir a sua vida? Em todos os aspectos?

É preciso cair em si mesmo e descobrir que é necessário mudar. Todos os acontecimentos, as nossas autoridades nos mostram que devemos mudar. Para mudarmos, para nos decidirmos voltar à casa do pai, é necessário cairmos em nós mesmos. E este é só uma parte, um passo que precisamos dar. O próximo passo é a conversão do coração. Ao cairmos em nós mesmos, não podemos parar aí, não podemos ficar no chão, mas devemos nos levantar em busca de Deus. “Vou retornar, porque eu sei que o pai me espera”.

A queda é importante, mas o retorno é imprescindível, a conversão do coração, da vontade é imprescindível. Precisamos fazer a opção decisiva por Deus. No momento que nos decidimos pela conversão do nosso coração, é necessário que supliquemos a graça de Deus, a graça para voltarmos à casa do pai, porque não temos forças para darmos o próximo passo, porque não é fácil voltar tão pobre se partimos tão ricos. Precisamos passar da fome devastadora que nos leva cada vez mais para longe de Deus para a fome que nos leva mais e mais para Deus, e para isto necessitamos pedir a Ele a graça.

Só pode experimentar a misericórdia de Deus quem caiu em si mesmo, converteu o coração e concretamente deu passos em busca de Deus. É importante que você saiba aonde está e assim sinta a necessidade de cair em você mesmo e suplicar ao pai a graça de cair do seu orgulho… que o seu coração seja inflamado de amor e dê passos concretos em busca de Deus. Dessa forma receberá a túnica, o anel, as sandálias, o novilho cevado.

ORIENTAÇÕES:

Divida as pessoas em grupo de três. Em seguida comece a leitura do texto em voz alta, mas em clima de oração. Pare nas palavras que Deus fala ao coração, abrindo-se inteiramente à ação do Espírito Santo. Com certeza, Ele lhe conduzirá a momentos de louvor, de intercessão, de oração de cura e libertação… enfim abra-se a novidade que Ele deseja realizar na vida dos pastores. Que Santa Teresa interceda por este momento, para que ele produza os frutos de vida nova que o Senhor tem preparado. Shalom!!!

BIBLIOGRAFIA: Primazia do coração de Frederico F. Buján e O Pai,
Fonte de Amor e Misericórdia de Raniero Cantalamessa).


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