Formação

Cair do cavalo

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Peçodesculpas a São Pedro se este ano vou falar mais de… São Paulo.Acontece que desde o final de junho até a mesma data do próximo anocelebraremos, no mundo, todo o Ano Paulino. Uma forma que a IgrejaCatólica encontrou de lembrar e festejar, de maneira extraordinária,aquele grande apóstolo, missionário e evangelizador dos pagãos que foi,justamente, São Paulo.

Todosdevemos lembrar a presença do então Saulo, no apedrejamento doprotomártir Estevão, narrada nos Atos dos Apóstolos. Como também semprechama atenção a famosa queda dele do cavalo no caminho rumo a Damasco.Saulo mudou radicalmente de vida e até de nome. De perseguidor,tornou-se testemunha de Cristo, a tal ponto de ser martirizado, emRoma, por volta dos anos 70.

Pensandobem, o nosso encontro com Jesus deveria ser para mudar mesmo a nossavida. A outros santos famosos, por exemplo: Santo Agostinho, SãoFrancisco, Santo Inácio de Loyola, aconteceu o mesmo. Eles mudaram devida, de uma vez por todas, deixando para trás tudo o que começaram areconhecer como “lixo”, segundo as palavras do próprio São Paulo. Com afé encontraram o tesouro mais valioso de todos.

Nemsempre as conversões aconteceram e acontecem com tanta rapidez edeterminação. No entanto, de uma forma ou de outra, algo de visível econcreto deve aparecer. Quando a nossa fé e as suas manifestações viramrotina, bem encaixadas no planejamento da nossa vida, junto – porexemplo- ao trabalho, ao passeio, às compras, às férias, é para por emdúvida se encontramos o Jesus verdadeiro ou uma caricatura dele,adocicada e folclórica. Mais enfeite de parede, de pescoço ou deorelha, do que razão de vida.

Seas nossas crenças não incomodam, nem um pouco, o nosso cotidiano, ésinal de que ainda não caímos do nosso cavalo. Ali estamos beminstalados, com todas as nossas seguranças. Chegamos a pensar que Deusesteja conosco, simplesmente porque nós o colocamos, devota erespeitosamente, em um cantinho da nossa vida. Mas atenção: pode sersomente um amuleto contra os malefícios e o mau olhado.

Oseguimento de Jesus é sincero, quando deixamos que ele revolucione anossa vida: nas idéias, nos projetos, na busca e no uso dos bens, noencontro com as pessoas, na consciência. Exceto isso é difícilacreditar que algo de novo tenha acontecido, realmente, em nossa vida. Jesus continua bem fechado no seu sepulcro, ainda não ressuscitou para nós.

Nessesentido, São Paulo sempre será um exemplo de mudança de vida séria eprofunda, mas também de amor apaixonado por Jesus. O ódio e aperseguição dos cristãos transformaram-se em total dedicação eseguimento destemido. O apóstolo ficou tão feliz por ter sido agarradopor Jesus, que não queria mais deixá-lo. O único medo dele era tercorrido em vão e perder, no último instante, o prêmio incomparável queaguarda todos os que travam o bom combate da fé.

Sealguém achar que esse homem foi um fanático, um carente com complexo deinferioridade, que se autopromovia defendendo o próprio trabalhoapostólico com discursos brilhantes de oratória, é porque nunca leu assuas cartas. O objeto da pregação de São Paulo foi aCruz do Senhor Jesus, e a única razão da sua vida, o amor incondicionala Ele. Nem o maior namorado diria à namorada que, por amor, estádisposto a “desculpar tudo, crer tudo, esperar tudo, suportar tudo”(cfr. 1 Cor 13,7). Seria arriscado demais. No entanto São Paulo falavaassim do amor de Deus, do amor que deveria tomar conta da nossa vida,do amor verdadeiro que jamais acabará. Que coragem!

 


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