Formação

Contemplai-o e ficareis radiantes

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Cristiano Pinheiro

Missionário da Comunidade Católica Shalom em Fortaleza

 

“Quando Moisés desceu do monte Sinai, levava as duas tábuasda aliança na mão. Não sabia que seu rosto estava radiante por ter falado com oSenhor. Mas Aarão e todos os israelitas viram Moisés com o rosto radiante(…)” (Ex 34, 29-30).

No alto do Sinai, o semblante de Moisés havia contemplado algocuja luz e brilho o haviam envolvido. A face daquele homem, amigo de Deus,havia tornado-se luminosa e, nela, Aarão e o povo reconheciam um reflexo daglória do Senhor. Não só o fulgor que emanava de seu rosto, mas também aspalavras de Moisés traziam uma forte marca da presença divina. O “algo”contemplado por ele era, na verdade, um “Alguém”. Moisés havia se encontradopessoalmente com “Aquele que é” e viu passar diante de si toda a riqueza deDeus. Ele teve uma experiência face a face com o Absoluto.

Conta-nos o livro do Êxodo que, mergulhado na presença daGlória que passava diante dele, Moisés inclinou-se e atirou-se por terra(Ex,34,8), prostrando e depositando seu ser inteiro em Deus. Ele, portanto, porter falado com o Senhor e se exposto à Sua luminosidade, trazia um rostoradiante, herdou uma existência transfigurada de seu diálogo com Iahweh.Banhado de glória, Moisés deixava entrever, em sua própria face, suaexperiência pessoal com o divino. “Os israelitas viam o rosto radiante” (Ex34,35), todos testemunhavam, todos eram atingidos e impactados pelo fruto dacontemplação de Moisés… ele já não era o mesmo.

Aquele homem, escolhido por Deus para ser o grandelibertador do povo de Israel, tinha recebido um privilégio: o acesso à face deDeus. Esta experiência, no entanto, não ficou perdida no Sinai ou no monteHoreb, não ficou esquecida como um antiquado patrimônio de um só homem ou um sópovo. No “Sinai da vida”, na história viva da Igreja, abrem-se as portas davida contemplativa. O tal privilégio de Moisés é hoje estendido a todo equalquer homem e mulher que, em Jesus Cristo, quiser encontrar o semblante do Eterno. Nosdias de hoje, “quem contemplar Deus, no templo ou na oração, sairá radiante,não estará sombrio pelo fracasso .” Jesus nos mostra o rosto de Deus e entra emrelação conosco pela oração.

A vida contemplativa e mística é um tesouro de imensurávelvalor que perpassa toda a história da cristandade. À luz dos encontros deMoisés com o Senhor, podemos encontrar milhares de pessoas que, pela oração,também puderam abrir uma pequena fresta da porta do Céu e tiveram um íntimocontato com a Verdade e o Bem, com a glória de Deus. O salmista abre-nos osegredo e indica-nos um lema para a vida contemplativa: “Contemplai-o eficareis radiantes, vosso rosto não se envergonhará” (Sl 34,6). Encontrar-sepessoalmente com o Senhor fazia Moisés voltar radiante. O orar, já em Moisés,trazia efeitos concretos de uma vida transformada, experiência esta que ératificada pelos tantos e tantos místicos da Igreja.

Estamos hoje diante de um mundo marcado por um ceticismocrescente. Os “rostos radiantes” vão, aos poucos, dando lugar a facesacabrunhadas, cobertas da vergonha de Adão, cobertas da vergonha do pecado.Homens que não rezam! Rostos sombrios, sem luz. Surge, como diz Emmir Nogueira,uma “imperiosa necessidade de uma vida de oração profunda”, pois o homem carecede sua luz, carece de seu Deus. Frutos visíveis do pecado são estes semblantesde hoje, cobertos de vergonha e confusão, totalmente diversos dos rostosluminosos daqueles que se aproximam do Senhor. O homem se escondeu, pois padeceda vergonha de uma vida sem norte, sem sentido, sem Absoluto. O Adão de hoje,na vergonha do seu pecado, escondeu-se em si mesmo, ficou triste. Moisés, naserena alegria da contemplação, escondeu-se em Deus, ficou radiante.

Com a autoridade de uma verdadeira mestra de intimidade,brada Teresa de Ávila: “Nele ponhamos os olhos! Assim fazendo, não haja medo deque este Sol de Justiça tenha ocaso! Não nos deixará caminhar nas trevas paranos perdermos, se antes não o houvermos abandonado .” Ponhamos os olhos naqueleque pode nos fazer radiantes! Voltemo-nos àquele Sol que nos livra das trevas,que nos salva de uma vida perdida! Não abandonemos a fonte da Felicidade! “Provaie apreciai o quanto é bom o Senhor: feliz o homem que nele se abriga .” Feliz eresplandecente é a face dos que se achegam ao bom Senhor.

Diante do mundo imediatista e exteriorizado de hoje, faz-semister o cultivo de uma vida interior. É tempo de subirmos ao monte Sinai daEucaristia, do constante encontro com a Palavra de Deus, da oração pessoal. Étempo de nascerem novos contemplativos, que não se contentem com uma únicaexperiência com a Pessoa de Deus, mas que busquem aprofundar sua amizade e intimidadecom Aquele que, diariamente, traz brilho aos olhos e torna o rosto radiante.

Nunca se buscou tanto uma resposta para os problemashodiernos. Em contrapartida, nunca se encontrou tão pouco o que responder.Depois das dores da Segunda Guerra Mundial, uma grande onda de abatimento eperda de sentido envolveu o coração humano. Por que acreditar neste ou naqueleideal? Por que uma religião? Por que ter algo a construir diante de males esofrimentos tão radicais? Onde encontrar algo que realmente valha a pena?

Moisés, íntimo do Deus sábio e bom, deu ao povo de seu tempoa resposta de Deus: “Eu vou fazer uma aliança (…) farei maravilhas como nãose fizeram em nenhum país (…) todo o povo verá a obra impressionante que oSenhor vai realizar contigo.” Porque Moisés pôde falar com Deus e escutá-lo,também pôde transmitir a Aliança.

O Senhor, contudo, continua querendo fazer uma aliança com ohomem. Mas quem a transmitirá? “Quem subirá ao monte do Senhor? ” Onde estão osmísticos de nosso tempo? Onde estão aqueles que elevam a Deus o olhar e ocoração? Sim, eles estão em mosteiros e clausuras. Também estão em comunidades. Estãona cotidianidade do lar, nas famílias. Estão onde quer que chegue esta revistaShalom Maná. Estão onde quer que chegue o testemunho dos santos e a voz daIgreja. Os místicos de hoje estão trabalhando em empresas e consultórios, emfábricas ou na rua. Nossos “Moisés” contemporâneos são vendedores, no meio daavenida ou numa loja; são estudantes em colégios e universidades. O homemorante está no segredo de qualquer quarto fechado , dedicando ao seu Deusminutos, horas de intimidade. Homens e mulheres que contemplam a face de Deus ese alegram, cujos rostos não se cobrem mais de vergonha.

Ao termos, como Moisés, uma vida interior cheia da presençade Deus, nos tornaremos “pontes” pelas quais o próprio Senhor transmitirá aohomem de hoje a sua nova Aliança de amor. Contemplemos a Deus! A dor vergonhosado pecado perderá toda a sua força. A humanidade reencontrará o sentido davida. Nossa face, sim, será radiante. 


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