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Creio em Deus Pai

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deus paiCreio em Deus…

Em primeiro lugar devemos crer que Deus existe. E o que significa este nome: Deus? Significa precisamente Aquele que governa e cuida de todas as coisas. Tudo o que há no mundo está subordinada à sua providência. Portanto, nada tem sua origem no acaso, mas em Deus que é o único que cria a partir do nada.

“Creio em Deus” nossa profissão de fé começa com Deus, pois Ele é o “Primeiro e o Último” (Is 44,6), o Começo e o Fim de tudo. A confissão da Unicidade de Deus, que tem a sua raiz na Revelação Divina na Antiga Aliança, é inseparável da confissão da existência de Deus, e igualmente fundamental. Deus é Único: só existe um Deus: “A fé cristã confessa que há Um só Deus, por natureza, por Substância e por essência”.

Crer em Deus, o Único, e amá-lo com todo o seu ser, tem consequências imensas para toda a nossa vida:

– Significa conhecer a grandeza e a majestade de Deus : “Deus é grande demais para que o possamos conhecer”. (Jó 36,26). É por isso que Deus deve ser o “primeiro a ser servido” (Sta. Joana d” Arc).

– Significa viver em ação de graças : Se Deus é o único, tudo o que somos e tudo o que possuímos vem Dele: ” Que é que possuis, que não tenhas recebido? ” (I Cor 4,7). ” Como retribuirei ao Senhor todo o bem que me faz ?” (Sl 116,12).

– Significa conhecer a unidade e a verdadeira dignidade de todos os homens: Todos eles são feitos a ” imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26).

– Significa usar corretamente das coisas criadas: A fé no Deus Único nos leva a usar de tudo o que não é ele na medida em que isto nos aproxima dele, e a desapegar-se das coisas na medida em que nos desviam dele. (Mt 5,29-30; 16,24; 19,23-24)

– Significa confiar em Deus em qualquer circunstância, mesmo na adversidade : A oração de S. Teresa de Jesus expressa esta confiança inabalável em Deus –

Nada te perturbe/ Nada te assuste
Tudo passa
Deus alcança
Quem a Deus tem, Nada lhe falta.
Só Deus basta.

 

Pai todo poderoso…

A invocação de Deus como “Pai” é conhecida em muitas religiões. A divindade é muitas vezes considerada como “pai dos deuses e dos homens” . Deus é pai , mas ainda, em razão da Aliança do dom da Lei a Israel, seu “filho primogênito” (Ex 4,22).

Ao designar Deus com o nome de “Pai “, a linguagem da fé indica principalmente dois aspectos:

– que Deus é origem primeira de tudo e autoridade transcendente, e

– que ao mesmo tempo é bondade e solicitude de amor para todos os seus filhos.

A linguagem da fé inspira-se assim na experiência humana dos pais (genitores), que são de certo modo os primeiros representantes de Deus para o homem. Mas esta experiência humana ensina também que os pais humanos são falíveis e que podem desfigurar o rosto da paternidade. Convém lembrar que Deus transcende à paternidade humana (Sl 27,10), embora seja a sua origem e medida (Ef 3,14; Is 49,15). Ninguém é pai como Deus o é. Muito particularmente ele é o ” Pai dos pobres”, do órfão e da viúva que estão sob sua proteção de amor . (Sl 68,6).

A encarnação do Filho de Deus revela que DEUS é o Pai eterno, e que o Filho é consubstancial a Ele, isto é, que o Filho é no Pai e com o Pai o mesmo Deus único.

Deus é o Pai todo-poderoso. Sua paternidade e seu poder iluminam-se mutuamente. As Sagradas Escrituras professam várias vezes o poder universal de Deus. Ele é chamado “o Poderoso de Jacó” (Gn 49,24; Is 1,24), o “Forte, o Valente” (Sl 24,8-10). Se Deus é todo-poderoso “no céu e na terra” (Sl 135,6), é porque os fez. Ele é o Senhor do universo, cuja ordem estabeleceu, ordem esta que lhe permanece inteiramente submissa e disponível ; Ele é o Senhor da história. Com efeito, mostra a sua onipotência paternal pela maneira que cuida das nossas necessidades (Mt 6,32). Por isso, nada é mais propício para sedimentar nossa fé e a nossa esperança do que a certeza profunda gravada no nosso coração que nada é impossível a Deus. (Lc 1,37)

“A fé católica é esta: que veneramos o único Deus na Trindade, e a Trindade na unidade, não confundindo as pessoas, nem separando a substância: pois uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas uma é a divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo; mas uma só é a divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, igual a glória, co-eterna a majestade. ( Cat.266)”

 

Criador do céu e da terra…

Deus é a causa universal de todas as coisas, e não só cria a forma, mas também a matéria. Por isso fez todas as coisas do nada. recitamos no Credo essa verdade: criador do céu e da terra.

Há diferença entre criar e fazer? criar, é tirar do nada. Fazer, por sua vez, é produzir a partir de uma matéria pré-existente. Se Deus criou as coisas do nada, também pode refazê-las. Pode dar vista a um cego, ressuscitar um morto e fazer outros milagres. Diz a Escritura: O poder está a Vós submetido, quando quereis (Sab 12,18). Só Deus criou o universo, livre e direta. Nenhuma criatura tem o poder necessário para “criar” no sentido próprio da palavra, isto é produzir e dar o ser àquilo que não o tinha de modo algum.

O Símbolo da fé retoma estas palavras confessando Deus Pai todo -poderoso como “o Criador do céu e da terra” , “de todas as coisas visíveis e invisíveis” .

Existe um mundo sobrenatural que não podemos ver. Apenas O conhecemos por revelação divina, e mesmo assim, imperfeitamente. Sabemos que existem anjos, espíritos puros, sem corpo, que servem a Deus noite e dia, e que têm como missão o cuidado de cada um nós; há também anjos decaídos, inimigos de Deus e nossos. Temos um céu a ganhar, um inferno a evitar. Mas depois de nos revelar tudo isso, Deus poderia nos dizer : ” Vocês terão muito tempo para contemplar todas estas coisas mais tarde.”

Deus fez o céu e a terra para nós. Quer se trate de coisas presentes, quer de coisas futuras, diz São Paulo, ” tudo é nosso”. Vivemos rodeados pelas criaturas de Deus.

A profissão de fé do IV Concílio de Latrão afirma que Deus ” criou conjuntamente, do nada, desde o início do tempo, ambas as criaturas, a espiritual e a corporal, isto é, os anjos e o mundo terrestre; em seguida, a criatura humana que tem algo de ambas por compor-se de espírito e de corpo” (DS 3002).

A hierarquia das criaturas é expressa pela ordem dos ” seis ” dias, que vai do menos ao mais perfeito. Deus ama todas as suas criaturas (Sl 145,9), cuida de cada uma, até mesmo os pássaros. Jesus diz: ” Vós valeis mais do que muitos pássaros” (Lc 12,6 -7), ou ainda: ” Um homem vale muito mais que uma ovelha” (Mt 12,12).

Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, homem e mulher Ele os criou (Gn 1,27), nesta afirmação vamos encontrar dois aspectos importante:

– Deus é o Criador do homem e o criou por amor, criando-o capaz de degustar o Bem eterno.

– Criado a imagem e semelhança de Deus por estar dotado de inteligência e vontade.

Deus criou tudo para o homem, este porém, foi criado para servir e amar a Deus e para oferecer-lhe toda a criação. O homem foi criado por Deus e para Deus. (Cat 358). Por exemplo, quando ” criamos ” alguma coisa , ela passa a pertencer-nos. Deus nos possui: é para Ele que existimos; fazer sua vontade é algo que deve interessar-nos muito mais do que fazer nossa própria vontade.

A criação é o fundamento de “todos os desígnios salvíficos de Deus”, “o começo da história da salvação” que culmina em Cristo. Desde o início, Deus tinha em vista a glória da nova criação em Cristo (Rm 8,18 – 23).

As criaturas existem para nos ajudarem a ter Deus perto de nós, para que, através delas, pensemos como o seu Autor deve ser grande, como deve ser poderoso e possuir uma beleza mais fascinante que o pôr-do-sol. As criaturas existem também, para nos tornarmos agradecidos por sua existência e beleza.

Tudo isto é verdade acerca das criaturas terrenas de Deus. Ele fez o céu e a terra. E não é só a terra que é nossa, também o céu é nosso, isto é, existe para que gozemos de suas maravilhas. Contamos já agora com a proteção dos anjos e com as preces de Nossa Senhora e dos Santos, porque somos filhos de Deus, para que possamos deixar para trás o purgatório e encontrarmos no céu o fim para o qual fomos realmente criados, a existência que verdadeiramente satisfaz todos os anseios da nossa natureza.

 Formação: Abril/2007

03.09O livro “O Amor de Deus” aborda o tema de uma das pregações do Seminário de Vida no Espírito Santo. A linguagem é simples, como simples é o amor de Deus. Ele é destinado a pregadores, pastores e ovelhas de grupos de oração, bem como a todas as pessoas que desejam renovar sua experiência com esse amor gratuito, atual, eterno e misericordioso do Pai.

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