Formação

De como o diabo ama a verdade

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 Temgente que diz que o Diabo é muito burro, tem gente que diz ser ele muitoesperto. Os do primeiro time, alegam que sua burrice consiste em nãosubmeter-se a Deus e querer ser igual a Ele. Os da segunda turma alegam que elequase sempre nos consegue enganar. Se me perguntassem, diria que não importasob qual perspectiva, ele é muito pouco inteligente, ou, no mínimo, muito poucosábio, porque com relação ao reconhecimento da soberania de Deus, foi derrotadoantes de nossa criação e, com relação a enganar-nos, certamente sairá perdendo…SE – e este é o desafio! – SE, pela graça de Deus, nós dermos a vitória aoSenhor de nossas vidas.

 Paraisso, algumas virtudes, dons e frutos do Espírito Santo são essenciais:fortaleza, temor de Deus, prudência, sabedoria e o hoje em dia tão esquecido discernimento dos espíritos. Partilhobrevemente com vocês a “semente de bananeira” que tenho colhido ao longo dasmilhares de lutas destes 28 anos de caminhada com relação ao discernimento dosespíritos e a ação do maligno, conhecido aqui no Nordeste como “cão”. É a mesmapartilha que fiz com os formadores pessoais e comunitários de Fortaleza, em umatentativa de auxiliar o desmascaramento de sua ação em nossas vidas e no meiode nós.

 Vejabem: o diabo ama a verdade. Parece heresia, não é? O próprio Jesus, em Jo 8,42,diz que ele é o pai da mentira. Como, então, amaria a verdade? Deixa de serheresia quando você se lembra de que, para ele, amar significa “amar-se”, issoé, buscar sempre o próprio proveito, o próprio gosto, o próprio prazer. Assim,ele ama a verdade ao seu jeito: para aproveitar-se dela com a finalidade deenganar o homem e levá-lo a dirigir a si próprio o seu amor, isto é, o desejode servir a si mesmo.

 Paraentender melhor, observe: o demônio sempre parte de uma verdade. De preferênciauma verdade constatável, mensurável. Por exemplo: “Seu marido chegou tarde,hoje”, ou: “As estruturas da comunidade e da obra são inadequadas”, ou ainda:“Você está se acabando! O tempo está passando!”. O ponto de partida é quasesempre uma verdade constatável, aparente. Basta olhar no relógio e ver que omarido chegou tarde. É suficiente fazer um exame objetivo para verificar que asestruturas de autoridade de comunidade e de organização da obra sãoinadequadas. Um exame breve vai-lhe fazer constatar que, de fato, você está seacabando e o tempo está passando: o espelho denuncia, seu corpo e mentecansados atestam.

 Atéaí, nada de pernicioso ou ambíguo. O que vem a partir daí é que são elas…

 Partindode uma verdade – o marido que chegou tarde, por exemplo – posso ter duasposturas divergentes. Ou eu faço um escarcéu e o ponho para fora de casa aameaçá-lo um rolo de abrir massa, ou espero que ele acorde às duas da tarde dodia seguinte para conversarmos sobre o ocorrido e tratarmos de nos reconciliar.O primeiro é o caminho do orgulho. O segundo, o do amor. O primeiro é o maisfácil, é tudo o que eu quero em minha fraqueza, é a vingança que me “justifica”e satisfaz. O segundo é o mais difícil. É tudo o que não quero em minha carne, emmeu orgulho, em minha fraqueza: perdoar ao invés de me vingar, amar ao invés deodiar. O segundo caminho, o do amor, traz morte para si mesmo e sofrimentomomentâneo que logo passa e dá lugar à paz. A primeira via, a do orgulho, trazmorte e sofrimento nesta vida e na outra. Nunca passa e tira a paz para sempre.Foi o caminho que o demônio escolheu a partir da verdade – a santidade de Deus,sua beleza e onipotência – mas reagindo a ela a partir do orgulho e da cegueiraque ele causa. É o orgulho que gera a cegueira e a reação de ódio. O orgulho éa terrível raiz!

 Apostura do amor, não somente resolve o problema no momento de prova, no momentoem que constatamos a verdade e, aos poucos, no futuro, mas também deixa opensamento e os sentimentos livres e pacificados para ocuparem-se em amar mais.A atitude do ódio, além de agravar o problema naquele momento e no futuro,escraviza o pensamento e envolve os sentimentos em um turbilhão sem fim decríticas, julgamentos, maledicências, insônia, rancor, ressentimento… umtrailler do inferno!

 Posturado amor: “É verdade. Ele chegou tarde. Sua atitude me humilha, me fere, vaicontra os meus príncípios. Porém, por amor a Deus, decido responder com amor.Decido responder evangelicamente. Decido, com a graça de Deus, dar a outraface. Sei que isso não significa fazer de conta que nada aconteceu. Sei tambémque não significa inventar desculpas para a atitude dele como se ele fosse umabobalhado sem vontade. Não! Ele errou e é responsável por seu erro. Quanto amim, sou responsável por amá-lo em seuerro, sem exigir que ele mude para ser amado. Em vez de fazer um escarcéu,um drama, vou esperar que ele acorde para conversarmos na caridade em vistas doperdão”.

 Posturado orgulho que gera desconfiança e ódio: “Ah, desgraçado! Isso é hora dechegar! Aposto que estava com outra mulher! A camisa está toda amassada! Elenão me engana! Por isso é que estava com um sorriso amarelo, ontem! Por isso éque, anteontem, não parava de falar no celular! Por isso é que não quis jantartrês dias atrás! Aliás, nem presente de aniversário ele me deu! Tem mesmo outrao sem-vergonha! Vou acordá-lo com uma boa bolacha na cara e exigir que ele seretrate ou suma de vez!”

 Veja:são duas posturas opostas a partir de uma mesma verdade. À primeira, conduziu oEspírito de Amor. À segunda, incitou o demônio. Na primeira, a fraqueza natural(concupiscência) foi vencida por amor a Deus e o caminho escolhido foi a portaestreita proposta a todo cristão, sem exceção, como caminho de amor. Resultado:frutos do Espírito, caridade, sofrimento momentâneo provocado pela luta contrao orgulho e egoísmo e paz duradoura.

Na segunda, afraqueza natural (concupiscência) deu entrada à tentação e foi vencida por ela,pelo amor a si mesmo. O caminho escolhido foi o caminho largo, a porta larga,pelo qual passam os covardes, os perdedores, os orgulhosos, os que não sevencem a si mesmos, mas deixam-se vencer por qualquer insinuação da tentação efraqueza. Resultado: frutos da carne, desamor, sofrimento estéril e prolongado.

A partir deuma verdade, de uma realidade constatável, cabe a você ou bem escolher ocaminho largo do desamor, que é, na verdade, orgulho que cega e leva ao egoísmo,amor a si mesmo, ou bem o caminho estreito do amor que prefere livrementemorrer para que o outro viva, que decide livremente amar o imperfeito, opecador, o não amável, como recomendam os Escritos em “Amor Esponsal”. Peloamor ao não amável você identifica-se com Jesus Esposo que escolheu amar eunir-se exatamente… ao imperfeito, ao pecador. (escrevo sobre isso de outravez, em homenagem ao Damião).

Este mesmoprincípio – tão simples! – aplica-se à vida comunitária, ao relacionamento comas autoridades e estruturas da vocação e da obra. Exigir deles a perfeição paraamá-los, seria infantil, uma exigência típica da adolescência, que bate o pé eexige “o pai perfeito”, “a mãe perfeita”, “o mundo perfeito” e, afetiva ou atéfisicamente, afasta-se deles, quer fugindo de casa, quer agredindo-os, querrefugiando-se em seu mundo adolescente de música alta, quarto escuro e fechado,televisão e Internet dia e noite e fantasias de onipotência, perfeição,grandeza. O adolescente não enxerga seus próprios limites e imperfeições, mascrê ter a solução para todos os problemas da humanidade e acredita piamente quefaria diferente no lugar dos seus pais. Se não fosse sua imaturidade natural,tornar-se-ia ridículo em seu orgulho.

Também comrelação à comunidade e à obra, o demônio toma por base uma realidade evidente,como, por exemplo: as cartas e pedidos demoram a ser discernidos; as coisas nãosão bem explicadas; a alimentação não é adequada. A partir desta verdadefacilmente constatável, estamos, novamente, diante de duas estradas. Umaestreita, que é a do amor ao imperfeito, a esperança que justifica e explica a“paciência histórica” e que é o fundamento da confiança nos irmãos e seu desejode acertar. Esta aperta, humilha, faz doer nosso orgulho que exige tudoperfeito. A outra, larga, que é a do amor a si mesmo, a do orgulho que seexpande à solta, em críticas, julgamentos, falatórios e propostas de soluçõesunilaterais para resolver o problema. O fruto da estrada larga: desconfiança econseqüente divisão, desesperança, desistência, pecado, infidelidade, desestímulo,ódio. O fruto da estrada estreita: confiança apesar de tudo (como a de Jesuspara com Pedro, que o negou); unidade renovada “para o que der e vier”;esperança de que, juntos, vivendo a radicalidade do evangelho, conseguiremosacertar; purificação dos nossos impulsos para o pecado; fidelidade à vocação;re-escolha da vocação; novo entusiasmo, amor.

 A cada dia,em sua vida, você vai encontrar-se diante de situações desagradáveis facilmenteconstatáveis. A cada vez, você terá que reagir. Em cada situação, poderáescolher uma das duas portas, uma das duas estradas. Diante de você há umarealidade a ser acolhida, verdadeiramente amada por Deus, que aponta sempre aestrada estreita de morrer para si para que o outro vida. Esta mesma realidadea ser acolhida é falsamente amada pelo demônio que a toma por plataforma paradestruir você e aquilo que você ama e oferece a estrada larga do mundo, dacarne, do orgulho disfarçado.

 Voltaa velha história do Deuteronômio: diante de você, o bem e o mal. As duas estradasde que fala Jesus. Uma, a estreita, conduz à vida. Outra, a larga, conduz àperdição. Sob os seus pés, no vértice da bifurcação, está a realidade, nemsempre agradável. Que caminho você escolhe?

 Pessoalmente,por vezes escolhi o largo, por vezes o estreito. A cada vez que, com a melhordas intenções, escolhi o largo, encontrei a morte da caridade, da vocação, dapaz. A cada vez que, ainda que chorando e gemendo, escolhi o estreito,encontrei a vida da caridade, da vocação e da paz. O fato de eu ter pecado eerrado tantas vezes, o fato de Deus me ter levantado e lavado meus olhos com alama da humildade, o fato de eu amar o carisma, a vocação e você me dão aautoridade de indicar-lhe o melhor caminho. Deus o abençoe.


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