Formação

Dia da alegria

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Aparticipação regular na Missa dominical é sinal de nossa pertença à Igreja. ACarta Apostólica “Dies Domini”, “Dia do Senhor”, do Papa João Paulo II “aoEpiscopado, ao clero e aos fiéis da Igreja Católica sobre a santificação dodomingo”, representa um grande esforço em favor da observância de tão gravedever.

Diz a CartaApostólica: “(…) a celebração do Domingo cristão pelos significados que evocae as dimensões que implica, relativamente aos fundamentos mesmos da Fé,permanece um elemento qualificante da identidade cristã”.

Aosdiscípulos de Cristo não é suficiente que rezem individualmente. “É importanteque se reúnam para exprimir em plenitude a própria identidade da Igreja,assembleia convocada pelo Senhor Ressuscitado” (nº 31). Ela “é lugarprivilegiado de unidade”. No início do século III, a “Didascália dosApóstolos”, escrita provavelmente na Síria por um Bispo, refere-se ao preceitodominical: “No dia do Senhor, deixai tudo e, zelosamente, correi à vossaassembleia, que é o vosso louvor a Deus”. No século IV, percebe-se ozelo heroico dos discípulos do Senhor Jesus no fato seguinte. Em plenaperseguição de Deocleciano, os mártires de Abitinas, na África Proconsular,assim responderam a seus acusadores: “Foi sem qualquer temor que celebramos aceia do Senhor, porque não se pode deixá-la: é a nossa lei; não podemos viversem a ceia do Senhor”. E uma das mártires confessou: “Sim, fui à assembleia ecelebrei a ceia do Senhor com os meus irmãos, porque sou cristã”. Esofreram o martírio. Comparemos a atitude desses fiéis com a de tantos outrosem nossos dias.

Vem a ser uma obrigação de consciência participar da missacada domingo. A Igreja nunca cessou de afirmá-la, “embora, em um primeirotempo, não tenha julgado necessário prescrevê-la. Só mais tarde, face à tibiezaou à negligência de alguns, teve de explicitar o dever de participar na missadominical”. Hoje, como nos heroicos tempos primitivos, em muitasregiões do mundo a situação se apresenta difícil para quem deseja vivercoerentemente sua Fé. Diz o Santo Padre que pertence, de modo particular, aosBispos, empenhar-se “para fazer com que o Domingo seja reconhecido, santificadoe celebrado por todos os fiéis, como verdadeiro “Dia do Senhor”.

O zelo pastoral orienta a comunidade local a acolherfraternalmente os irmãos que chegam, como turistas peregrinos. Uma celebraçãojubilosa, animada pelos cantos dignos da tradição eclesial na letra e namelodia, conforme as disposições litúrgicas, é de grande valor. Infelizmentehoje há um hinário que, em vez de cantar o amor ao Pai e aos irmãos, exalta oconflito, substitui o louvor a Deus pelas criaturas e dá preferência aosbenefícios temporais sobre os valores eternos. Além da Missa, diversasiniciativas, como visita aos santuários e encontros familiares enriquecem essedia. Embora não satisfaçam ao cumprimento do preceito dominical, astransmissões televisas ou radiofônicas são de grande importância. Levam aosouvintes a mensagem do Evangelho e incitam à piedade.

Um outro aspecto abordado por essa Carta Apostólica é o Domingocomo dia de alegria, repouso e solidariedade. “Que todos estejam alegres noprimeiro dia da semana”, lemos no “Didascália dos Apóstolos”, escrita no séculoIII. Recorda-nos o Santo Padre: “Não existe qualquer oposição entre a alegriacristã e as verdadeiras alegrias humanas”. O descanso dominical sópôde ser observado a partir do século IV, quando a lei civil, sob Constantino,quebrou o ritmo semanal, determinando a suspensão do trabalho no “Dia do Sol”.A relação entre o Dia do Senhor e o dia de descanso na sociedade civil tem umvalor e um significado que ultrapassam o horizonte propriamente cristão.

Os fiéis se esforcem para que a “legislação civil tenha emconta o dever de santificar o Domingo” . A abertura do comércio é umóbice que se coloca à prática religiosa.

O domingo, para o discípulo de Cristo, é também o dia dasolidariedade mediante obras de caridade, misericórdia e apostolado. Desde ostempos apostólicos é um momento de partilha fraterna: (1 Cor 16,2).

Verdadeiramente grande é a riqueza espiritual e pastoral doDomingo. Constitui uma síntese da vida cristã e uma condição necessária parapreservá-la. Compreende-se a razão de a Igreja envidar esforços para sua fielobservância, permanecendo no âmbito da disciplina eclesial. No entanto, mais doque um preceito, “deve ser vista como uma exigência inscrita profundamente naexistência cristã (…) A graça que dimana fonte, renova os homens, a vida, ahistória”.

O cristãotem consciência da originalidade do Domingo, dia da alegria e do descanso, pelofato de ser a celebração do Senhor Ressuscitado. O Santo Padre nos exorta areconhecer seu valor e vivê-lo melhor. E acrescenta: “Os homens e as mulheresdo Terceiro Milênio, ao encontrarem a Igreja que, cada Domingo, celebraalegremente o mistério donde lhe vem toda a sua vida, possam encontrar opróprio Cristo Ressuscitado”.

Cardeal Eugenio de Araujo Sales


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