Formação

Digo-te, não até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes”.

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Com estas palavras, Jesus responde a Pedro que, depois deter ouvido coisas maravilhosas pronunciadas pela boca do Mestre, lhe fez estapergunta: "Senhor, quantas vezes devo perdoar o meu irmão, se pecar contramim? Até sete vezes?" E Jesus responde: "Digo-te, não até sete vezes,mas até setenta vezes sete vezes". Pedro, sob a influência da pregação doMestre, provavelmente tinha pensado – bom e generoso como era – em se lançar nasua nova linha fazendo algo excepcional: chegar a perdoar até sete vezes. Mas,ao responder "até setenta vezes sete vezes", Jesus afirma que, paraele, o perdão deve ser ilimitado: é preciso perdoar sempre.

 "Digo-te, não até sete vezes, mas até setenta vezessete vezes". Esta frase relembra o cântico bíblico de Lamec, um descendentede Adão: "Se Caim for vingado sete vezes, La-mec o será setenta e setevezes" (Gn 4,24). Começa assim a difusão do ódio no relacionamento entreos homens do mundo inteiro, avolumando-se como um rio na cheia. Jesus contrapõea essa difusão do mal o perdão sem limites, incondicional, capaz de romper aespiral da violência. O perdão é a única solução capaz de conter a desordem eabrir, para a humanidade, um futuro que não seja a autodestruição.

 "Digo-te, não até sete vezes, mas até setenta vezessete vezes". Perdoar. Perdoar sempre. O perdão não é esquecimento, que,muitas vezes, significa não querer encarar a realidade. O perdão não éfraqueza, que significa não considerar uma ofensa por medo do mais forte que aco-meteu. O perdão não consiste em achar sem importância o que é grave ou comoum bem o que é mal. O perdão não é indiferença. O perdão é um ato de vontade ede lucidez, e, portanto, de liberdade, que consiste em acolher o irmão e a irmãdo jeito que eles são, apesar do mal que nos possam ter causado, da mesma formacomo Deus acolhe a nós, pecadores, apesar dos nossos defeitos.

 O perdão consiste em não responder à ofensa com outraofensa, mas em fazer aquilo que diz Paulo: "Não te deixes vencer pelo mal,mas vence o mal pelo bem" (Rm 12,21). O perdão consiste em você abrir,para quem o prejudica, a possibilidade de estabelecer um novo relaciona-mentocom você e, portanto, para ele e para você, a possibilidade de recomeçar avida, de ter um futuro no qual o mal não tenha a última palavra. "Digo-te,não até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes".

 Como faremos, então, para viver esta palavra? Pedro tinhaperguntado a Jesus: "Quantas vezes terei de perdoar o meu irmão?"Jesus, ao responder, pensava, portanto, principalmente no relacionamento entrecristãos, entre membros da mesma comunidade. Por isso, é antes de tudo com osoutros irmãos e irmãs na fé que se deve agir dessa forma: na família, notrabalho, na escola ou na comunidade à qual pertencemos. Sabemos o quanto,muitas vezes, queremos devolver a ofensa sofrida com um ato ou uma palavra àaltura.

 Sabemos também que, pelas diferenças de temperamento, pornervosismo ou por outras causas, as faltas de amor são frequentes entre aspessoas que vivem juntas. Pois bem, é preciso lembrar-se de que só uma atitudesempre renovada de perdão pode manter a paz e a unidade entre os irmãos. Haverásempre a tendência de pensar nos defeitos das irmãs e dos irmãos, de recordar oseu passado, de pretender que sejam diferentes. É preciso adquirir o hábito devê-los com olhos novos, de vê-los novos, aceitando-os sempre, logo etotalmente, mesmo quando não se arrependem. Podemos pensar:

 "Mas isso é difícil!" Não há dúvida. Masjustamente aqui está a beleza do cristianismo. Não é por acaso que somosseguidores de Cristo que, na cruz, pediu perdão ao Pai por aqueles que omatavam, e ressuscitou. Coragem! Comecemos uma vida desse tipo, que nos garanteuma paz jamais experimentada e muita alegria a ser descoberta. Esta Palavra deVida foi publicada originalmente em setembro de 1999.


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