Formação

Dois gritos

comshalom

 


Expulsão do Jardim do Éden – Masaccio
CapelaBrancacci – Igreja de Santa Maria
do Carmo – Florença (1426-27) técnica
em afresco(208 x 88 cm)– Pormenor.

Trazemosneste artigo imagens e textos que retratam a desobediência do homem a Deus e asua consequente expulsão do Paraíso, e a misericórdia do Criador que envia oseu Filho único para salvar o homem, objeto da sua predileção, da escravidão aqual estava destinado.

Após o esplendor da primeira criação, quandoDeus viu que tudo era belo, bom, verdadeiro e justo. O homem viveu aexperiência de usar o livre arbítrio para optar por ele, pela criatura ao invésdo criador, por querer ter o acesso por si mesmo à arvore do conhecimento dobem e do mal e saber tudo para não errar nada e não precisar de ninguém, parase contemplar sem defeito, cheio de luz e assim, ter acesso à fonte do poder, àvida, à liberdade, à imortalidade….

No processo de curiosidade, de atração,sedução, fascínio e dominação, os valores se invertiam: o que era bom se tornouinsípido e o mal, atraente. Na escolha final, a perda da inocência, daelegância (EL=Deus+GAN=veste+CIA=movimento), do entusiasmo (IN+THEOS+MO), do “movimentar-sedentro de Deus”, com sua veste da graça para peregrinar (PER+GRINAR), “dar avolta num eixo” diverso, em torno de si.

O fruto do uso da liberdade para si, queparecia tão atraente, revelou-se amargo, aterrador… Numa dor tão lancinanteque suas entranhas gritaram, num eco de dois gritos que ensurdeceram ahumanidade.

O primeiro, grito de dor pela perda da pedrapreciosa da intimidade com Deus; grito do fruto do pecado das origens, soberbaamarga e desobediência, que nos trouxe tanta feiúra e desorientação. Buscamoscomo cegos, às apalpadelas o Senhor; provamos frutos de dor, injustiça e demorte.

 

 

 

O Grito– Edvard Munch – Galeria nacional – Oslo (1893) – técnica em óleo sobre tela,têmpera e pastel sobre cartão (91×73,5 cm).

O segundo, grito da angústia do vazioexistencial, da desordem, do caos interior: fruto do segundo pecado original: aperda do sentido do sagrado, da verdadeira vida. Não há mais o Absoluto,referencial, valores, ideais, família, estabilidade, Verdade.

O homem caótico experimenta uma solidãoterrível em meio aos outros. Perdeu o entusiasmo (IN+THEOS+MO), o movimentar-se(aprofundar)-se dentro de Deus.

Quem me livrara deste corpo e deste gritoauto-suicida da cultura de morte que sai de dentro de mim?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Descidade Jesus ao inferno – Anastasis – Afresco na Igreja de San Salvatore em Chora -Istambul

Nada temas, pobre vermezinho, sou Eu quemvenho te salvar.

“Desperta, tu quedormes; levanta-te de entre os mortos e Cristo te iluminará. A ti que estás naprisão: ‘Saí’; e aos que jazem nas trevas: ‘Vinde para a luz’; e aos quedormem: ‘Despertai’.

Eu te ordeno: Desperta, tu que dormes, porqueEu não te criei para que permaneças cativo no reino dos mortos. Levanta-te deentre os mortos; Eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos;levanta-te, minha imagem e semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em Mim eEu em ti, somos um só.

Levanta-te, vamos daqui. O inimigoexpulsou-te da terra do paraíso; Eu, porém, já não te coloco no paraíso, mas notrono celeste. Foste afastado da árvore, símbolo da vida; mas Eu, que sou avida, estou agora junto de ti. Ordenei aos querubins que te guardassem comoservo; agora ordeno aos querubins que te adorem como a Deus, embora não sejasDeus. Está preparado o trono dos querubins, prontos os mensageiros, construídoo tálamo, preparado o banquete, adornadas as moradas e os tabernáculos eternos,abertos os tesouros, preparado para ti desde toda a eternidade o reino dos Céus”.(De uma antiga homilia do sábado santo – século IV)”.


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