
Fala-se de homossexualidade quando existe inclinação amorosa entre duas pessoas do mesmo sexo. Não vamos estudar aqui o porquê e como isto pode acontecer, mas apenas salientar alguns pontos:
– Estamos num mundo que apaga a diferença, porque tem medo. Alguns acham que a união de duas pessoas do mesmo sexo é boa e que a homossexualidade pode ser alternativa à heterossexualidade. A verdade é que Deus criou o homem e a mulher diferentes para que eles possam se dar um ao outro nessa diferença (incluindo a diferença no seu sexo) e que dessa união possa surgir a vida.
Qualquer que seja o ponto em que nos encontramos, é preciso reconhecer a verdade, e a ela nos agarrarmos ou desejá-la com retidão de coração.
– Fora dos grupos de pressão homossexual que procuram por todos os meios fazer reconhecer uma cultura e um modo de vida homossexual, a homossexualidade é em geral uma situação que não se escolheu, mas que se suporta e se vive dolorosamente.
– É importante não confundir as situações: uma homossexualidade ativa de forma habitual, não tem nada a ver com uma tendência passageira na adolescência (o que não é raro), ligada a uma imaturidade afetiva, à falta de modelos adultos e a um isolamento próprio deste período da vida. Em geral ela se resolve com simplicidade, mesmo que deixe a memória ferida.
“Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo” (Ap 3,20)
– Em algumas pessoas pode existir uma tendência homossexual permanente (quer dizer, uma atração predominante ou exclusiva por alguém do mesmo sexo) que parece existir há muito tempo, e que parece enraizada no mais profundo da pessoa. Isto pode ficar no estado de tendência, mesmo forte, mas sem consequências. É a passagem a uma homossexualidade ativa que constitui uma mudança muito importante, porque se entra, desde a primeira vez, numa engrenagem onde se misturam, ao mesmo tempo, a culpabilidade e a condescendência devido ao prazer.
– Não se é responsável pelos sentimentos e impulsos, mas pelos atos. Ninguém tem culpa das suas tendências más: só um ato mau leva à verdadeira culpa. Quando o ato é mau em si, o melhor é encará-lo de frente; mas isso não quer dizer que a pessoa seja má. Quem se fará o acusador dos irmãos?
Há uma esperança porque há uma liberdade. É certo que se carrega uma dificuldade séria, mas não nos podemos identificar com ela. O meu ser profundo não se pode reduzir a uma tendência, nem mesmo à prática de um ato. “Eu não sou” a tendência que habita em mim.
– Em todo homem, a capacidade de amar, de se dar, é muito mais profunda que todas as orientações e bloqueios, mesmo quando eu me desespero na minha marginalidade ou quando tento banalizar ou normalizar a situação, Deus continua a me chamar para avançar. Ele convida-me a levantar-me para ter êxito.
– Mas muitas vezes é difícil de Lhe responder, devido aos fantasmas do imaginário, que chegam a tomar proporções sérias por causa do desprezo que tenho por mim mesmo, do medo da mudança e da pressão de certas pessoas. Então eu não acredito nas capacidades de resistência da minha vontade, e sinto-me vencido logo de início. Mas Deus não se deixa vencer por nada, nem mesmo pelas minhas resistências.
*Sobre este assunto pode consultar-se a obra do padre Daniel-Ange “O teu corpo feito para o Amor”.
Fonte: adaptado da Revista Shalom Maná
(editada em parceria com a revista francesa ‘Il est vivant’).