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É proibido ser cristão

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Dom Redovino Rizzardo

Nodia 7 de setembro, os católicos italianos foram convidados a rezar e ajejuar em solidariedade com os irmãos perseguidos e massacrados naÍndia. Durante a celebração de uma missa, o cardeal Carlos Caffarra,arcebispo de Bolonha, questionou a mentalidade assumida pela sociedademoderna: «A humanidade está mais preocupada com a sorte dos ursospolares do que com homens e mulheres cuja única culpa é a de teremabraçado a fé cristã!».

Édesde o seu nascimento que o cristianismo sofre perseguição,provavelmente por ser uma religião contra-corrente. Em seus trêsprimeiros séculos de existência, a norma era clara e taxativa: “É proibido ser cristão”.São milhões os cristãos que, ao longo da história, pagaram – econtinuam pagando – com a vida a opção pelos valores trazidos peloEvangelho.

Apesarde a Declaração Universal dos Direitos Humanos garantir a liberdadereligiosa para todos, dos 217 países hoje existentes no globoterrestre, nada menos de 50 violam esse direito. Dentre os queapresentam maiores dificuldades à presença e atuação da IgrejaCatólica, destacam-se a China, a Coréia do Norte, o Vietnã, o Laos, aArábia Saudita, o Iêmen, o Irã, o Afeganistão, o Iraque, o Paquistão e,sobretudo ultimamente, a Índia. De acordo com essas informações, 200milhões de cristãos sofrem perseguição e 250 milhões são submetidos aalguma forma de discriminação.

Porsua vez, no assim dito “mundo ocidental”, que se considera herdeiro dosprincípios oferecidos ao mundo pela Revolução Francesa, condensados noslogan: “liberdade, igualdade e fraternidade”, os valores e preceitoscristãos são cada vez mais menosprezados e combatidos. Para a grandemaioria da classe dirigente no mundo da cultura, da política e daeconomia, a religião é um assunto privado, que nada tem a ver com aorganização da sociedade, já que o estado é laico…

Àprimeira vista, na Índia, a revolta contra os cristãos seria motivadapelo grande número de conversões de párias, a casta mais baixa dasociedade bramânica, constituída por indivíduos privados de todos osdireitos religiosos e sociais. Até o mês de novembro, morreramassassinadas aproximadamente 50 pessoas, incluídos vários sacerdotescatólicos e pastores evangélicos. Mais de 4000 casas foram queimadas e50.000 fiéis obrigados a fugir. 14.000 deles se encontram em campos derefugiados implantados pelo governo, e os demais, dispersos nasflorestas e montanhas. Para os radicais e extremistas, todo indiano temque ser necessariamente hindu…

Aperseguição começou poucos dias antes do Natal de 2007, no Estado deOrissa. Centenas de fanáticos hindus, afirmando agir em nome de sua fé,começaram a invadir e destruir residências, escolas, templos, creches easilos da Igreja Católica. Nem a casa dos Missionários da Caridade, oramo masculino da Ordem de Madre Teresa de Calcutá, escapou da fúriados fundamentalistas.

Paraeles, as obras sociais dos cristãos não têm outra finalidade senão aconversão dos pobres. A realidade, porém, é complexa e diferente. Comooutras religiões mais ou menos antigas, correntes influentes dohinduismo temem a onda secularista que, vindo do Ocidente, ameaça todasas culturas, destruindo tradições que vigoram há séculos. Por isso,apesar de contarem, em sua história, com um dos maiores líderes datolerância e da fraternidade –  Mahatma Ghandi –, ao diálogo e à tolerância preferem o confronto e a destruição do inimigo.

O arcebispo indiano Dom Rafael Cheenath tem outra explicação para a perseguição: «Overdadeiro problema não são as conversões, mas o trabalho de promoçãoque, nos últimos 140 anos, os cristãos fizeram em favor dos excluídos,os párias. Antigamente, eles eram vistos simplesmente como escravos.Agora – pelo menos uma parte deles – estuda em nossas escolas, trabalhae reivindica os próprios direitos. E, apesar do boom econômico indiano,há quem queira manter intacta a velha divisão em castas, temendo ofortalecimento dos párias».

Naturalmente,como sempre acontece quando o amor tem a primazia, é nos momentos decrise que as pessoas amadurecem. Não por nada Tertuliano afirmava que «o sangue dos mártires é semente de novos cristãos».Assim, as perseguições em terras indianas suscitam não apenassentimentos de admiração, mas também exemplos de heroísmo. É o queaconteceu com o Padre Thomas Chellan. No dia 26 de agosto, foiseqüestrado por integralistas hindus. Após inúmeras e humilhantesagressões, condenaram-no à morte. A caminho do local do suplício, foilibertado por uma patrulha policial. Levado a um hospital, as primeiraspalavras que conseguiu pronunciar, foram de perdão: «Quero voltar aOrissa. Juntamente com minhas feridas, Cristo está curando também osmeus sentimentos. Não guardo ódio nem amarguro. Estou pronto a servir atodos, inclusive a quem me fez o mal».


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