Formação

Entrar no castelo interior

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Quantas almas experimentaramtambém a verdade da palavra do salmista que diz: Quando te recordo no meuleito, passo vigílias meditando em ti; pois foste um socorro para mim, e, àsombra de tuas asas, eu grito de alegria (Sl 63,7-8).

A oração contínua, ou dedesejo, não deve fazer-nos negligenciar a necessidade vital que temos de umtempo específico e exclusivo para rezar, possivelmente em lugar solitário, comofazia Jesus. Ele nos disse: Quando orares,entra em teu quarto, e, fechando a porta, ora a teu Pai no segredo (Mt6,6). Há casos em que é preciso tomar ao pé da letra este conselho de Jesus,porque o próprio quarto – depois de fechada a porta e desligado o telefone –tornou-se para muitos, não só leigos, mas também religiosos, o último refúgiode oração neste mundo, em que podemos orar sem ser perturbados. Sem este tempoexclusivo de oração, é uma ilusão aspirar à oração “incessante”, ou do coração.

Quando chega este momentoestabelecido para colocar-nos em oração, é preciso interromper decididamente asocupações e os pensamentos de antes; fazer como Jacó que durante a noite lutoucom Deus, atravessou descalço a torrente, deixando na outra margem todas aspessoas que lhe eram caras e todas as coisas (cf. Gn 32,23ss). É preciso entrarno próprio castelo interior, levantando as pontes levadiças. Para usar aspalavras de um escritor espiritual da Idade Média, “é preciso que coloques umanuvem de esquecimento entre ti e todas as criaturas”, para estar em condiçõesde entrar “na nuvem do não-conhecimento” que está sobre ti, entre ti e o teuDeus, isto é, para entrar na contemplação (cf. Anônimo. Nuvem do não conhecimento. 5, Milano: Áncora, 1981, 138s).

É difícil, mas devemosesforçar-nos por fazê-lo, do contrário toda a oração ficará enfraquecida edificilmente conseguirá elevar-se. É aconselhável dedicar os primeiros momentosdeste tempo de oração a purificar o próprio Espírito, confessando as própriasculpas e implorando o perdão de Deus, visto que “nada de contaminado” podeunir-se a Deus (cf. Sb 7,25).

 

Extraído de: CANTALAMESSA,Raniero. O Espírito Santo na vida deJesus. 6ª ed. São Paulo: Loyola, 1998, pp. 50-55.


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