Durante o Renascer de 2024, que aconteceu em Fortaleza (CE), foi lançado o segundo volume da série Aventureiros do Reino. A autora da série, Ana Paula Gomes, é celibatária na Comunidade de Vida Shalom e possui diversas obras publicadas pelas Edições Shalom.
Com obras preparadas para públicos diferenciados, Ana Paula consegue tornar a leitura dinâmica e cativante. Desta vez, a série Aventureiros do Reino dá início a uma nova etapa cheia de mistérios e emoção.
Aventureiros do Reino 2 – por dentro da obra
Agora os heróis Petrus e Liz têm uma nova aventura! Eles devem seguir as pistas deixadas pela rainha Ailòngam e enfrentar muitos perigos durante o caminho, como baleias raivosas, piratas e tempestades, tudo isso a bordo do navio Grígora.
No entanto, uma reviravolta inesperada os leva a um misterioso Reino Invisível, onde suas habilidades e coragem serão testadas como nunca antes. É mais uma aventura cheia de emoção, mistérios e amizades inesperadas.
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Entrevistamos Ana Paula e encontramos as motivações, os desejos e o ardor evangelizador para o público infantojuvenil que existe no coração da missionário. Confira e aumente ainda mais seu desejo por conhecer sua obra.
ComShalom: Aventureiros do Reino é uma série de livros voltada para o público infanto juvenil que tem o propósito de evangelização. Como surgiram os primeiros sinais de inspiração para algo desse tipo?
Ana Paula Gomes: A ideia partiu de uma solicitação da Assistência Apostólica da Comunidade. Percebemos que o Caminho da Paz Kids não dispunha de nenhuma opção de leitura para os grupos de crianças entre 10 e 12 anos.
Então, aproveitamos a oportunidade para desenvolver uma ficção que, em suas entrelinhas, trouxesse a dimensão da vivência das virtudes. Depois, desenvolvendo a trama, surgiu a possibilidade de escrever a trilogia. Antes, pensávamos somente em um livro, mas a inspiração divina nos conduziu para uma trilogia.
ComShalom: A convivência com as famílias dentro da Comunidade de Vida te impulsiona a dialogar com esse público?
Ana Paula Gomes: Sim. Como celibatária, há algum tempo tenho feito uma experiência muito positiva com a questão da complementaridade entre os estados de vida na Comunidade.
A proximidade com as famílias possibilita tanto a escuta dos pais em relação às necessidades dos filhos quanto a convivência com as crianças, que sempre é inspiradora. Inclusive, alguns dos filhos da Comunidade de Vida foram meus Beta readers, que são aquelas pessoas que escolhemos para ler, em primeira mão, os textos que produzimos.
As crianças levaram a sério. Enviaram até mensagens como os feedbacks sobre a história e também sugestões.
ComShalom: Quais as novas aventuras que esperam por Liz e Petrus nesta 2ª etapa?
Ana Paula Gomes: O pano de fundo do segundo livro é a virtude da caridade. Assim, Petrus e Liz vão descobrir o sentido profundo dessa virtude ao optarem por ajudar um amigo que encontrarão em um reino invisível, colocando em risco o prazo para encontrar o rei Augustus. Além disso, eles navegaram por alguns reinos e condados do mundo de Eretz para continuar em busca do rei.
ComShalom: Os valores cristãos e as virtudes norteiam a história da série desde o primeiro volume. Qual a importância dessa redescoberta na vida das crianças e jovens do nosso tempo?
Ana Paula Gomes: A importância de redescobrir o caminho das virtudes é fundamental, haja vista a realidade que enfrentamos hoje no mundo, ao menos no Ocidente.
Vivemos em um tempo de supervalorização do “eu” em detrimento dos outros. Para o mundo, o que mais importa é satisfazer todos os desejos do próprio “eu”. O pensamento mais comum é priorizar “o meu conforto”, “a minha necessidade”, “a minha opinião”, mesmo que para isso seja necessário prejudicar o outro. Não há pensamento mais oposto ao Evangelho.
O caminho das virtudes, por sua vez, ensina que a verdadeira realização está em fazer da própria vida um dom para Deus e para os outros, em estar em último lugar, em sempre privilegiar a necessidade do outro, enfim, não é buscando a própria felicidade que nos tornamos felizes, mas, como ensina-nos Jesus, é perdendo que se ganha. As virtudes nos ensinam a jogar esse “jogo do contrário” que o Evangelho nos propõe.
ComShalom: Você já escreveu livros doutrinários, relacionados ao Carisma Shalom diretamente, ou formativos, e chega com uma perspectiva bem diferente com os Aventureiros do Reino. Que face da Ana Paula as pessoas conseguem enxergar na leitura desses volumes?
Ana Paula Gomes: Também já escrevi duas ficções para jovens. É uma duologia: Tempo de Paz e Tempo de Guerra. Uma característica que fui desenvolvendo na minha escrita é essa diversidade de temas e públicos-alvo.
Acredito que seja uma graça particular, por causa da diversidade de públicos que temos na Obra Shalom, que atende desde crianças e jovens a idosos. Assim, precisamos escrever de um modo que alcance a todos, de acordo com cada faixa etária.
Acredito que, na narrativa dos Aventureiros, os leitores podem enxergar um pouco mais a dimensão cômica e criativa da minha personalidade e ter também um pouco de acesso ao meu “guarda-roupa” literário, pois, na trilogia, há várias referências diretas e indiretas aos autores que li na minha própria infância e adolescência, como Jules Verne, J.R. Tolkien, C.S. Lewis, Mark Twain, Jonathan Swift, Pedro Bandeira, Eleanor H. Porter etc.
Enfim, a trilogia dos Aventureiros do Reino talvez tenha sido a obra que mais gostei de produzir, em primeiro lugar, por ser para crianças, mas também por ser uma escrita mais livre em relação à minha criatividade e memórias audiovisuais do meu passado.
