Formação

Esportes: Dom de Deus

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Renata Mattos Dourado Bezerra

A correria do dia-a-dia, o imenso número de compromissos e afazeres, a vida familiar, as atividades de formação intelectual nas quais estamos engajados (colégio, faculdade, cursos e afins), nosso ritmo de vida, a busca constante de viver as virtudes, o convívio com os outros e mesmo nossa vida espiritual… tudo isso exige muito de nós! Precisamos de algo que nos faça recobrar o fôlego para que possamos viver profundamente – sem descuidar de nenhum aspecto – aquilo que Deus nos chama como jovens cristãos. Necessitamos de algo que nos ajude a recuperar as forças físicas e psíquicas, que concorra para a preservação da nossa boa saúde, tanto física quanto mental, e que favoreça uma convivência sadia com as pessoas ao nosso redor. Podemos encontrar uma excelente resposta a essas necessidades nos esportes!

Falando de maneira geral a respeito da educação, o Concílio Vaticano II diz que “os exercícios e apresentações esportivas auxiliam a manter o equilíbrio do espírito e a estabelecer relações fraternais entre os homens…” (GS, 61). Temos necessidade de estar em movimento, de estar envolvidos em atividades que exijam certo esforço físico, de descarregar energia, de “desopilar para não enlouquecer”, e as práticas esportivas podem nos ser proporcionar isso.

Além do mais, tais atividades oferecem oportunidades fabulosas de conhecimento próprio, de formação e exercício de diversas faculdades e virtudes, tais como: o esforço, a concentração, a vontade, a generosidade, o zelo, a abertura ao outro. E tudo isso tem papel importantíssimo no nosso amadurecimento. Afinal, não se pode ser um jovem maduro sem ter o mínimo de autoconhecimento ou sem uma vontade bem formada, por exemplo.

Um jovem que não pratica esportes ou qualquer atividade física pode desenvolver uma maior tendência ao fechamento em si mesmo, à acomodação, a possuir uma vontade fraca, mal formada, a desconhecer seus limites, a não ter cuidado com sua saúde, a não saber perder, ao egoísmo… enfim, vai desperdiçar uma grande chance de amadurecimento, de tornar-se cada vez mais aquilo que Deus pensa dele. Isso porque o exercício corporal, de preferência o praticado nos esportes, é um meio excelente de formação.

Atividades físicas são importantes em qualquer fase da vida, porém na juventude isso parece emergir com força maior, como uma necessidade, algo imprescindível para um são desenvolvimento físico e equilíbrio psicológico. É natural que um idoso não tenha mais tanta disposição para jogar bola, por exemplo. Porém, seria de estranhar que um jovem se recusasse a praticar qualquer exercício físico, esporte ou atividade que exija suor e cansaço; esta atitude poderia indicar, talvez, uma personalidade acomodada, preguiçosa, alguma doença que o indispusesse momentaneamente ou mesmo certa tendência ao fechamento em si mesmo.

É preciso, portanto, reservar momentos, espaços e promover atividades para desenvolver esse aspecto da nossa formação. Tendo o cuidado de não fazer disso a nossa existência, caindo na desordem do culto ao corpo. Como vimos, os esportes são fundamentais para a nossa saúde, para a nossa formação; mas não podemos fazer deles um alimento para a nossa vaidade, no sentido de “comprar” o que a mídia tenta nos vender como “felicidade”.

Isso fica claro em alguns slogans que vemos por aí: “Se você for “sarado” vai ser amado!”, ou: “Felicidade é caber num vestido P”… E isso, por vezes, nos distrai do nosso objetivo inicial ao praticar esportes, que é colaborar com Deus na nossa formação; além de nos infligir a carga pesadíssima da não aceitação de nós mesmos, do nosso corpo, do modo como Deus nos fez para tentar ser aquilo que não somos, aquilo que a mídia, que a falsa mentalidade do mundo deseja que sejamos; tudo isso acaba por arrancar de nós apenas frustração e infelicidade, já que não foi para isso que Deus nos criou.

Não se pode perder de vista que práticas esportivas contribuem para a formação do caráter, para o fortalecimento da vontade, para o exercício de ações árduas, para o descobrimento de novas habilidades, em conhecer mais de perto as condições, trabalhos e fadigas de outras pessoas, para assim compreendê-las melhor. Isso sem falar que ajudam também a vencer a inclinação para as comodidades e a viver mais profunda e autenticamente o espírito de pobreza a que somos chamados.

Temos de considerar ainda que tanto o esporte como o trabalho físico são fatores de integração, que contribuem para o autoconhecimento e o conhecimento do outro, que nos abrem à vivência da generosidade, nos arrancam de nós mesmos, do nosso fechamento, nos ensinam a trabalhar em equipe, nos ensinam a melhor lidar com as frustrações e derrotas; são, portanto, poderosos instrumentos geradores de fraternidade e conseqüentemente de amadurecimento, que são de grande auxílio para a vivência de uma autêntica vida cristã.


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