
O termo exorcismo provém do grego exorkizo, que, na Sagrada Escritura, é usado em três concepções: fazer jurar , esconjurar, pedir com insistência e libertar do espírito do mal. Esse último é o significado comum do substantivo derivado exorcismo, que indica uma ordem dada ao demônio em nome de Deus para que não exerça seu poder maléfico em lugares, coisas ou pessoas.
Há várias formas de exorcismo. Uma delas é o solene, oficial. Pode fazê-lo só o bispo ou o sacerdote delegado por ele. O exorcismo é, então, verdadeira intimação a satanás, em nome de Cristo e com a autoridade da Igreja, para que reconheça a onipotência de Deus e deixe sua presa. Trata- de verdadeira ordem, acompanhada de ritos e orações
A Igreja se mostra muito prudente em relação ao exorcismo solene, porque facilmente se pode cair em erros e abusos. Ela recomenda aos bispos que escolham sacerdotes estimados por “sua piedade, ciência, prudência e integridade”. Problema complexo é o de reconhecer a presença de satanás numa pessoa que apresenta aparências de possessão. Muitas vezes é difícil discernir o que vem do diabo do que pode ter causa natural, como doença psíquica.
Alguns fenômenos podem ser reconhecidos como: Falar língua desconhecida ou entender quem a fala; ver coisas ou fatos muito distantes ou ocultos; demonstrar a pessoa forças superiores à sua idade ou à sua condição e outros fenômenos semelhantes, os quais, se mais numerosos, são indícios maiores. Para que o exorcismo seja eficaz é necessária a fé do exorcista e a da pessoa endemoninhada. Trata-se de acreditar na existência e no poder maléfico de satanás, mas, mais ainda, de crer na presença e na onipotência de Deus, que pode libertar o homem do maligno e de suas tentações. Tanto do exorcista como do endemoninhado, o exorcismo requer a oração, a penitência e o jejum. “Quanto a essa espécie (de demônios) não é possível expulsá-la senão pela oração e pelo jejum”, ensina o evangelho. “ O advento do Reino de Deus é a derrota do reino de satanás”, afirma o catecismo da Igreja Católica: “Se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus já chegou a vós”.
Os exorcismos de Jesus libertaram algumas pessoas do tormento dos demônios e anteciparam a grande vitória de Cristo Senhor sobre o “príncipe deste mundo”. Uma vida cristã transparente não é talvez o mais eficaz “e”, ao alcance de todos os crentes em Cristo? As trevas, onde reina e age o maligno, fogem quando irrompem os raios de luz do poder do ressuscitado, como testemunha muitas vezes a vida dos santos, também alheia a experiências ligadas, de maneira evidente, a fenômenos místicos mais ou menos constantes.
Existem também orações que são chamadas de libertação que têm grandíssima importância. Antes de mais nada, são suficientes para libertarem dos malefícios menores, em que não é necessário recorrer ao exorcismo, essas orações de libertação são conhecidas e podem também ser chamadas de pequeno exorcismo privado,nome que deve ser evitado para não causar conflitos e deturpações, feito por sacerdote ou por leigo, a título pessoal. Neste não são feitas intimações solenes a satanás, mas apenas orações e súplicas a Deus para que liberte a pessoa atormentada por satanás, portanto a oração de libertação é uma oração privada; pode ser feita por todos, indivíduos ou grupos, e sobre todos; não requer nenhuma autorização, lembrando-se que na Igreja, tudo devemos fazer na mais devida obediência e observância das normas que as autoridades constituídas nos dão.
Bibliografia: G. Arendt, De sacramentalibus, Roma 1900; C. Balducci, La possessione diabólica, Roma 1988; id.,Il diavolo, casale Monferrato 1989, 281-308; J. Burch, exorcismos de La igkesia, in reseña eclesiástica,22 (1930), 203-208; J. Forget, s.v., in DTC V, 1762-1780; J. Nichola. Diabolical possesion and Exorcism, Rochford (Illinois) 1974. Livro: exorcistas e psiquiatras, editora: palavra e prece, autor: Gabriele Amorth.
Padre Geovane Ferreira Silva
formação – dezembro/2010