Formação

Fioretti

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 Fiorettié uma palavra italiana cujo sentido figurado é “pequenas histórias”. Tornou-seconhecida ao nomear pequenos eventos da vida de São Francisco e, em sentidoestrito, significa pequenas flores. Dicionárioa parte, trago dois fioretti para este mês de tantos santos. O objetivo é levarvocê a desejar ser mais íntimo destes dois amigos de todos nós.

 Teresinha. É sobre ela nossaprimeira história-testemunho.

 Estava passando por um períododificílimo em minha vida espiritual. Tentei de todas as formas falar com FreiPatrício, um dos meus poucos auxílios na época. Em vão. Sem poder falar comninguém sobre isso e sabendo que teria de passar alguns dias pregando retiro emuma cidade próxima, disse a Teresinha: “Me arranje um jeito de falar com o Frei” e me dediquei aoretiro de corpo e alma.

 No último dia, ligou-me uma irmã nointervalo do almoço: “Frei Patrício está em Fortaleza até as 19 horas e disseque quer falar com você”. Nem acreditei. Era impossível ir a Fortaleza. Aindaprecisava pregar a tarde inteira. Pedi-lhe que explicasse ao Frei – que estavaincomunicável, gravando em estúdio – a minha situação.

 Às 19:30, cheguei em Fortaleza, jáatrasada para uma noite de louvor com Pe.Antônio. Rezei com o povo até as21:30, sempre diante do Santíssimo e quase caí para trás quando o padreanunciou: “Hoje temos a honra de ter um grande amigo para a bênção doSantíssimo” e me apareceu Frei Patrício, que havia confessado durante toda anoite.

 Após a bênção, saiu para tirar osparamentos enquanto as pessoas me abordavam uma em seguida da outra para umapequena palavra. Não conseguia me mover para ir até a sacristia e já perdia aesperança de alcançá-lo, pois não sabia se havia me visto. Quando menos esperei,o Frei me tomou pelo braço e me tirou do meio do povo dizendo simplesmente:“Venha comigo”.

 A princípio, pensei que me convidavapara jantar, pois estava acompanhado de sua anfitriã. Só entendi o que sepassava quando me fez entrar em uma sala para grupos de oração que,estranhamente, estava vazia e tinha apenas duas cadeiras logo abaixo docondicionador de ar. Sem pensar muito, partilhei com ele o que se passavacomigo e ouvi sua sempre sábia orientação.

 Somente no final da conversa, caí emmim: “Mas, Frei, o senhor não deveria ter viajado às 7 horas?”

 “Sim, mas soube que queria falarcomigo”, respondeu com naturalidade.

 Emocionada com tanto amor,retruquei: “E o senhor perdeu o vôo só para isso?”

 Sua resposta foi um dar de ombros deum jeito característico seu e dizer, como bom “mineiro”: “Uai…”

 “Como o senhor sabia que eu querialhe falar?”, perguntei, espantadíssima, antes de ouvir a resposta totalmenteinesperada:“Ué!!! Nós não temos uma amiga em comum?”

E foi logo andando, como se fosse a coisa maisnatural do mundo Teresinha dizer-lhe para ficar, atrasar sua viagem e ir ànoite de louvor só para falar comigo. Afinal, eu lhe tinha pedido que desse umjeito, não é verdade? É! Os santos se importam conosco…

 

Anjos da Guarda. É sobre eles minha segunda pequenahistória. São tantas as histórias sobre eles que é difícil escolher. Vou tomaruma das últimas, uma das mais simples, pois o importante, aqui, não é tanto ahistória, mas o que percebi depois.

Um dos nossos irmãos de comunidade faleceu pelamanhã, após vários meses de enfermidade. Ao receber o telefonema de sua filha,eu e mais três irmãs saímos correndo para o hospital, cujo estacionamentoestava repleto e quase inteiramente no sol.

“Ih! Vai ser difícil parar aqui dentro”, disse umadas irmãs enquanto, depois de rodar, entrávamos no último setor.

“Nem se preocupe”, disse eu. “Tenho um contrato commeus anjos da guarda. Algumas coisas nem preciso mais pedir. Uma delas éencontrar uma vaga larga, à sombra e, de preferência, perto do acesso. Nasemana passada, meu filho conduzia o carro e entrou na primeira vaga em umestacionamento lotado de um supermercado, em pleno sol do meio dia. Aorelembrar-lhe do meu contrato, apenas sorriu e, enquanto manobrava sob o solpara entrar vaga apertada, desci do carro para poupar tempo. A cinco metros daporta, encontrei a “minha” vaga: à sombra, espaçosa e perto do acesso. De lá,acenei para ele vir ocupá-la, o que fez incontinenti, aliviado por não ter demanobrar ao sol inclemente.”

Minhas irmãs riram de forma contida, talvez pela dorda perda do irmão, talvez pela dúvida de que daquela vez iria funcionar. Nembem fechamos a boca, lá estava ela: a última vaga do estacionamento, a única àsombra de uma árvore bem nordestina.

Diante do corpo do irmão falecido, cuja vida foi luzpara todos nós, refleti no quanto o céu e a terra são próximos, o quantointeragem. Ainda uma vez, contemplei, extasiada, o fato de cada um de nós terum anjo da guarda, criado só para nós antes de tudo ser feito: luz, céu, terra,água, animais, o homem. Só Deus sabe quantos milhões de anos meu anjo “aguardouna eternidade” que eu fosse criada, a louvar a Deus, a contemplar o decorrer dahistória da salvação, a interceder e louvar por mim milhares de milhares deanos antes que eu fosse gerada!

Muito mais que encontrar vagas à sombra – o que fazemcom a maior alegria, só para mostrar o quanto somos amados por Deus – nossosanjos foram criados para guardar-nos para o céu e para lá nos conduzirem, alivrar-nos dos perigos materiais e espirituais.

No dia 1º de outubro, torne-se amigo de Teresinha. Nodia 2, recorra ao seu anjo da guarda. Você terá, com certeza, muitos pequenosgrandes fioretti para contar sobreestes dois bons, simples, fiéis e santos amigos do céu, que, como diriaTeresinha, passam sua eternidade a fazer o bem sobre a terra.

 



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