Formação

Gocce

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Cena 1: “Ai, meus Deus, que esses meninos atrapalham demais! Cadê a mãe? Tá vendo? Nem liga!!! … Missa não é lugar para menino!”
“Já disse, meu filho! Vai lá para fora e vê se não atrapalha!”

Cena 2: “Mas como vou para a célula se não tenho com quem deixar as crianças?!? Se as levo, não param quietas e todo mundo reclama. Se não as levo, tenho que ficar em casa tomando conta.”
“Pois quer saber? Eu vou mais é levar os meninos e deixar lá tudo solto. Pode ser que assim entendam que precisamos de uma estrutura separada para as crianças.”
“Olha, vocês têm que dar um jeito. A gente não tem espaço, nem estrutura, nem gente para cuidar das crianças. Depois, é perigoso deixá-las sozinhas aqui fora…”

Cena 3: “Manhêêê! Eu também quero um pouco de Cristo! O padre não quer me dar um pouco de Cristo!”
“Cala a boca, menino, e come a tua pipoca!’

Cena 4:“Deixa com a gente, Mestre, que a gente tira a pirralhada de cima de você…”
“Não, nada disso! Deixem que venham a mim as criancinhas! E Jesus, colocando os pequenos no colo, os beijava.”

Afinal, crianças atrapalham ou não atrapalham na missa, na célula, na palestra, no encontro? No fim das contas, as crianças, tão celebradas na gravidez, tão desejadas e festejadas nas cerimônias de casamento, são ou não são bem-vindas no nosso dia a dia?

Vamos conferir, quinze anos depois?
Cena 1: “Pronto, mãe. Você desce e eu vou dar uma volta no shopping. Quando acabar a missa, é só ligar que estou aqui em cinco minutos…”
“Mas, filho, você não vai entrar?“

Cena 2: “Antes de encerrar o meu discurso, quero repetir o quanto me sinto honrado por ter sido reeleito Presidente da Associação de Prevenção aos Acidentes Domésticos. Na verdade, desde que perdemos nosso filho de três anos em um acidente em nossa própria casa, naquela terrível noite em que o deixamos sozinho, … “

Cena 3: “Ai, meu Deus! A gente vai hospedar padre aqui em casa? Ah, essa não! Que droga! Vocês sabem que eu deteeesssto padre! Droga!”

Cena 4: “Pai, mãe, queria falar um assunto muito sério com vocês. É que este ano já vou completar dezoito anos e … bem… queria pedir a vocês, que têm mais experiência, que têm mais tempo de oração… queria pedir que vocês me ajudassem a discernir meu estado de vida… Sabe como é, tem aí uma menina, mas preciso saber qual a vontade de Deus. Dá para me dar uma ajuda antes de começar o Berakah?”

A palavra “religião”, como sabemos, significa “ligação”, “re-ligação”, “relacionamento”.
Como nem sempre lembramos, “relacionamento” implica amor, acolhida, apreciação, elogio, correção, unidade, uma só vida, um só coração, uma só família.
Indo ainda mais adiante, este “relacionamento amoroso” a que chamamos “religião”, esta “ligação de amorosa unidade”, dá-se entre cada um de nós e Deus, e entre nós todos, unidos, e Deus.

Mergulhando mais fundo, recordemos sempre: o “relacionamento amoroso”, a “ligação de amorosa unidade” com Deus é feita pelo Espírito Santo, através do amor que passa por nossas mãos, pela ternura expressa por nossos braços, pela alegria que brilha em nossos olhos, pelas palavras de apreciação que saem de nossas bocas.

Recriando o que nós podemos mudar:
Cena 1: “Nossa! Mas como você está linda! É vestido novo? Colocou só para a Missa? Só para ver o Papai do Céu? Olha, Ele vai te achar a coisa mais linda do mundo! Fico feliz que tua mãe te tenha trazido. Senta hoje aqui com a titia, mas é prá rezar, viu? Quer segurar o meu missal de novo?”

Cena 2: “Viu, filho, como é bom a gente chegar cedo? Mas acho que a gente exagerou, nem o padre chegou ainda para acolher o pessoal! Bom: você senta aqui quietinho perto do papai, que vou te explicar aquela outra parte da missa… Ah! Lá vem o padre! Quer falar aquilo com ele? … Boa noite, padre, sua benção! … “
“Ei, padre, tirei dez em português!”
“Foi mesmo?!? Merece um prêmio…”
“Então posso ver você se vestir outra vez?
“Claro! Tem mais dois ali querendo ir também…”
E, de ponta de pé, enquanto o padre se abaixa para ele falar-lhe ao ouvido: “Mas o senhor ainda tem aquela lata de chocolate dentro do armário das calusas?”
“Ca-su-las, Sr. Machado de Assis! Casulas! Mas tem lá nosso segredo, claro!”

Cena 3: “Mãe, mãe! Bem que o tio padre disse! Entrei na fila com os braços cruzados assim, ó, ó, e ele me deu “a benção de Cristo”! E tu nem ganhou, iúúúú! Nem ganho-ou! Nem ganho-ou!”
“Glória a Deus! Agora você está satisfeito…”
“Tô! Mas… ainda falta muito para a minha primeira comunhão?”

Quando José e Maria perceberam que haviam deixado Jesus no templo, correram até lá e, ao vê-lo e ouvi-lo, logo compreenderam que ele sentia-se muito bem na casa de Seu Pai. E, aliviados, alegraram-se por vê-lo ali no Templo.
Que nossas crianças, também no Templo, sejam, para nós, grande alegria!

Maria Emmir


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