Há 35 anos, em 4 de outubro de 1991, Ronaldo Pereira fazia suas primeiras promessas no Carisma Shalom. Naquele dia, o jovem confirmava, de modo ainda mais profundo, seu desejo de pertencer a Deus e servir à Igreja por meio desta magnífica vocação.
A história de Ronaldo com o Shalom havia começado alguns anos antes. Em 1987, passou a frequentar a Obra Shalom e, durante uma noite de louvor, recebeu de Moysés Azevedo, fundador da Comunidade, uma palavra que marcaria sua caminhada: “Há um jovem aqui que nunca mais será o mesmo!”. A partir daquela experiência, aproximou-se do Projeto Juventude para Jesus e assumiu progressivamente responsabilidades na evangelização dos jovens.
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Uma memória guardada por quem estava presente
A celebração de 4 de outubro de 1991 também permanece viva na memória do Pe. João Chagas. Naquele mesmo dia, ainda estudante do 3º ano do ensino médio, ele fez sua primeira consagração na Comunidade de Aliança, enquanto Ronaldo fazia sua primeira consagração na Comunidade de Vida.

Naquele período, a Comunidade ainda não possuía o processo formativo organizado no formato atual, com postulantado, discipulado e promessas. Segundo Pe. João, os missionários ingressavam na Comunidade e, depois de pouco tempo, realizavam sua primeira consagração.
“Ronaldo estava na Comunidade de Vida. Eu fiquei um ano na Comunidade de Aliança. Naquela mesma ocasião, fiz a minha primeira consagração”, recorda o sacerdote.
Pe. João também guarda na memória outros jovens que estavam naquele caminho vocacional e que, como ele e Ronaldo, faziam parte daquele momento de crescimento da Comunidade. Dentre eles, Paula Maria da Silva, Cassandra Marinho, Maria Cecília e João Bala.
A celebração foi presidida pelo Pe. Dário, que, segundo a lembrança de Pe. João, havia sido capelão militar. A homilia ficou por conta do Pe. Fidel, sacerdote colombiano e eudista. “Foi uma missa muito bonita, muito emocionante”, recorda.
O rito daquela época também era diferente do celebrado atualmente. Em vez de um texto padronizado, cada jovem escrevia uma carta pessoal, expressando aquilo que trazia no coração diante de Deus. Foi justamente nesse contexto que Pe. João percebeu a profundidade da entrega de Ronaldo.
“Lembro que, no final da carta, o Ronaldo fazia realmente uma oferta de vida muito sincera, muito completa, muito totalizante de toda a sua vida nas mãos de Deus.”
Ao fim da carta, Ronaldo dizia que sua entrega era “total, sem condição, constante e irrevogável”.
A recordação do sacerdote ajuda a compreender que, antes mesmo de sua morte precoce, a vida de Ronaldo já era marcada por uma disposição radical de entrega. Aquele jovem que havia encontrado o Shalom poucos anos antes colocava por escrito, diante de Deus e da Comunidade, o desejo de oferecer toda a sua vida.
Mais sobre Ronaldo Pereira
O caminho vocacional do missionário foi marcado pela radicalidade. Ronaldo deixou projetos pessoais, estudos e trabalho para dedicar-se inteiramente à missão. Esse desejo aparece de forma especialmente forte em uma frase atribuída a Ronaldo: “Quero dar a minha vida, derramar o meu suor e o meu sangue por amor à Igreja e aos jovens.” Poucos anos depois, em 17 de fevereiro de 1995, aos 24 anos, Ronaldo fez sua Páscoa após um acidente quando retornava de uma missão em Natal (RN).
A memória de Ronaldo permanece viva também em iniciativas de formação. A Escola Ronaldo Pereira, por exemplo, nasceu como fruto da história do Projeto Juventude para Jesus e continua proporcionando aos jovens uma experiência de formação e missão na Casa Mãe da Comunidade.
Celebrar os 35 anos das primeiras promessas de Ronaldo é poder recordar um sim que continua dando frutos. É olhar para a vida de um jovem que, diante do chamado de Deus, escolheu não guardar para si aquilo que havia recebido. Sua história permanece como convite para que novas gerações também descubram a alegria.