Formação

Igreja é defensora da vida

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Perguntou-me, dias atrás, uma repórter sobre o grave problema do aborto, deixando transparecer o que geralmente se diz que é a Igreja Católica que não aceita a morte voluntária do nascituro, isto é, a nefanda provocação do aborto. Tentei mostrar-lhe que a gravíssima prática do aborto provocado não é primeiramente uma lei eclesiástica – e portanto mutável – mas uma lei natural de defesa da vida humana, positivada no decálogo, lá no Antigo Testamento: “Não matarás”.

É claro que a Igreja é defensora da vida, sobretudo do nascituro, que não tem como defender-se do agressor. Tanto assim é que o pecado do aborto, por sua gravidade, é punido com excomunhão (canon 1398) e o confessor só pode absolver, se tiver especial licença do bispo para absolver pecados reservados.

No nosso último período pré-eleitoral os jornais deram notícias de que se estava pensando na modificação da lei que proíbe a prática do aborto. Mas felizmente se voltou atrás nesta tentativa infeliz e não houve mudança na legislação brasileira neste assunto.

A Igreja católica sempre foi e sempre será a feliz pregoeira da vida e, por isto, da família. Há vários documentos eclesiásticos, sobretudo dos Papas que exaltam a beleza da vida familiar. É a família uma instituição de meditação entre o indivíduo e a sociedade e nada a pode substituir totalmente.

O Papa atual, falando às famílias no 5º Encontro Mundial das Famílias em Julho de 2006, tem um pensamento que convém lembrar: “A família é um bem necessário para os povos, um fundamento indispensável para a sociedade e um grande tesouro dos esposos durante toda a sua vida. É bem insubstituível para os filhos, que hão de ser fruto do amor, da doação total e generosa dos pais”. E termina lembrando que a “família é a Igreja doméstica e o santuário da vida”.

No final desta alocução, Bento XVI lembra o lar de Nazaré, exemplo sempre vivo e eloquente de convivência, de trabalho e oração e, em seguida, tem uma palavra de carinho aos avós, tão importantes nas famílias. “São eles muitas vezes a garantia do afeto e da ternura que todo ser humano necessita dar e receber”.

Certa vez, notando que meu pai – já viúvo – estava triste e abatido, abracei-o e lhe perguntei o que estava sentindo. Ele só me respondeu: “Sua mãe me está fazendo falta”…

O amor verdadeiro não termina nem com a morte. Esta é a visão cristã do lar.


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