Institucional

Das feridas de família para a Escola de Evangelização

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Jeferson Cavalcante, em missão na Escola de Evangelização Felipe Neri, em Fortaleza
Jefferson Cavalcante, em missão na Escola de Evangelização Felipe Neri, em Fortaleza

Primeiramente quero começar agradecendo a Deus por tudo, agradecer Sua imensa misericórdia, Seu infinito amor, por ter agido com muita paciência comigo ao longo desse tempo de caminhada. Muita mesmo!

Eu sempre fui um cara tranquilo, nunca fiz confusão, buscava, às vezes, obedecer meus pais, tinha tudo que queria e acho que até mais do que precisava, pois meus pais me davam o que eu queria. No meu relacionamento com meu irmão, por eu ser mais velho, não o deixava em paz. Com os amigos, sou brincalhão. A gente desenrolava, curtia muito ao lado deles, dentro da minha família, tios, primos, só alegria, amo demais minha família.

Até a fase da adolescência, nunca dei muita preocupação aos meus pais, mesmo porque não fazia outra coisa a não ser brincar na escola, na rua, no condomínio perto da casa onde morei, em Fortaleza. Cresci e aprendi bastante. No meio de vários acontecimentos felizes e tristes, existia o problema do alcoolismo de meu pai que gerou problemas constantes.

Quando nos mudamos para Itapipoca, esse tempo de adaptação para mim foi difícil, pois não conhecia ninguém. Todos os dias queria voltar para Fortaleza, para minha casa e chorava. Nunca fui de falar muito, nem de comentar da minha vida, das coisas que aconteciam para ninguém.

Comecei a ir para a escola, tinha que fazer amizade, gosto muito de bater um “raxinha”, sou meio bagunceiro. Foi então que surgiram grandes amigos da bagunça dentro da sala e da escola. Na rua de casa tinha uns “moleques” que jogavam bola e fui jogar também. Já me fazia esquecer um pouco do passado, mas ainda o álcool atrapalhava minha família. Participávamos da Missa normalmente em Fortaleza e também quando viemos morar em Itapipoca.

Amava meu pai e minha mãe, mas tinha eu no meio dessa confusão toda. Ficava nervoso quando meu pai não chegava no horário, já tinha acontecido coisas feias com ele e chegou um tempo que não aguentava mais ver aquilo. Em 2005, ocorreu então a separação deles, tinha 15 anos e fiquei em Itapipoca com meu irmão e minha mãe. Meu pai tinha voltado para Fortaleza.

Para mim foi difícil, mas a vida seguiu. Tenho certeza de que depois destas coisas, eu tinha o papel de ajudar mais a minha mãe, porque ela ficou só para sustentar meu irmão que é especial e eu. Porém, antes nunca tive essa consciência de trabalhar, esse pensamento de poder ajudá-la, de vê-la passar por essa tribulação. Foi um sofrimento para ela. Ela também é uma “Maria”, guerreira, e devo demais a essa mulher que buscou dar seu máximo para mim e meu irmão, não só na questão de comida, mas de vida mesmo. Nunca necessitou bater em nós (até que eu precisei e merecia) para a gente aprender os valores e ser pessoas de bem.

Em 2006, fui morar na casa de meus tios em Caucaia, passei um ano lá. Dificilmente participava da Missa ou algo relacionado a Igreja, muito pelo contrário, estava começando a frequentar festas do mundo. Em Itapipoca, já tinha começado a sair, só que longe da minha mãe tinha mais liberdade, claro, dentro dos limites e obedecendo a autoridade dos meus tios, sempre acompanhado dos meus primos. Minha mãe, então, teve experiência com o amor de Deus no Renascer, ao querer um carnaval diferente e por ser uma mulher temente a Deus. Levou também sua irmã mais nova para curtir um novo, conhecendo o Shalom.

A questão da bebida alcoólica me levou a cair e me perder, só que não era tanto. Quando retornei a Itapipoca em 2007, comecei a consumir cada vez mais, porque queria me divertir, para perder um pouco da timidez, seja nos aniversários, festas, dentro da escola, finais de semanas com os amigos e acompanhado de mulheres. Às vezes, quando saía do controle, não sabia mais o que estava fazendo, ficava chato.

No carnaval, meio que explodiu a minha vontade de querer curtir as festas, sair com amigos, ficar com várias mulheres em uma mesma noite. Porém, minha mãe não queria deixar por ser perigoso e fez o convite para ir ao Renascer com ela. Recebi o batismo no Espírito Santo e nesse dia chorei muito, foi uma coisa assim que não sabia o que tinha acontecido. Quando as pessoas oravam no Espírito me dava uma vontade de rir, porque era uma coisa nova, nunca tinha visto alguém orar daquela forma. Só que foi assim: durante o dia estava no Renascer e à noite, nas festas.

Depois comecei a ir para o grupo de oração aos sábados à noite, mas quando terminava, saía com os amigos para o mundo. Até que chegou um tempo que não me deu mais vontade de ir, não queria, porque para mim tinha feito nenhuma diferença estar dentro do Shalom nas orações ou fora, estava a mesma coisa. Porém, a D. Eliane, minha mãe, era quem mandava e muitas vezes me obrigou a ir assim mesmo, querendo ou não.

Nunca me interessei em fazer amizades com os irmãos do grupo, falava com eles mesmo por falar, não estava nem aí. Não gostava nenhum pouco dos acompanhamentos, porque tinha que falar da minha vida, das coisas que eu fazia para outro cara. Essas coisas nunca passaram pela minha cabeça, tentava falar o mínimo e sair logo. Cheguei a ir para o Congresso Nacional de Jovens e foi um momento de muita emoção ao ver o Santíssimo na adoração, na Santa Missa. Foi diferente, bem alegre, conheci uma galera boa, jovem.

No ano de 2008, lá estava eu mais uma vez no Renascer, mas agora servindo na livraria, ajudava também na estrutura, só que foi a mesma coisa do ano anterior. Não sei como que aguentava, durante o dia servindo e à noite, festa. Entretanto, ocorreu uma briga com minha mãe, pois ela não queria deixar eu sair à noite, discutimos, saí de casa dizendo que ia para praça encontrar com a galera e acabei indo para festa. Mas no dia seguinte, me arrependi muito do que tinha feito, falado, desobedecido a autoridade dela e pedi perdão, chorei abraçando minha mãe. Continuei a mesma pessoa desobediente, bebendo, curtindo, às vezes fazia meu estudo bíblico, quando fazia não entendia nada, o que fazer e como fazer.

Novamente fui passar uns tempos na casa dos meus tios e lá nem cogitava o Shalom, porque para mim não tinha necessidade, só queria ir para os bailes, conhecer novos lugares, era só curtição. Recebia a Eucaristia raramente e nunca pensei em convidar esse pessoal para conhecer também o Shalom, nem meus amigos, nem meus familiares.

Em 2009, quando voltei para Itapipoca, já nem frequentava o Shalom. Passei esse ano completamente afastado, só fazia o que queria, tudo desordenado. Fui para o Halleluya, conheci uma menina muito legal, comecei a namorar, só que ela morava em Fortaleza e frequentava o Shalom da Parquelândia. Eu não estudava mais e comecei a trabalhar numa lan house, meu meio de comunicação era pela internet. Uma vez no mês eu ia a casa dela e também visitava meu pai. Nosso relacionamento era tranqüilo, quem não prestava era eu, por que queria fazer a minha vontade, vontade da carne e do prazer. Mas ela sabia o que queria, era menina muito inteligente, mas por tudo que eu fazia, ela terminou comigo.

Mas a vida continua. Deus, na sua infinita paciência, perseverou em mim, livrando-me de muita coisa do mundo em que estava. Em 2010, fiquei meio afastado da Obra Shalom, porque não me interessava mais, estava meio cego com as coisas que me davam prazer, como bebidas e mulheres. Esse ano se resumiu a isso.

Em 2011, voltei um pouco para Obra Shalom, fui algumas vezes para o grupo, porém, continuei me enganando fácil. Comecei a namorar de novo, ela não fazia parte do Shalom e conseguiu me tirar. No caso, não foi ela, mas eu mesmo que resolvi sair, e bebíamos bastante.

No ano de 2012, foi que desordenou mais ainda. Promovia “festinhas” na minha casa, saía sem dar satisfação para minha mãe, o que era difícil para ela ver essas coisas, porque ela já tinha passado por isso com meu pai. E eu passei essas coisas com ela vendo tudo, e estava fazendo as mesmas coisas.

Mas foi no ano passado, 2013, que mudo e muito, por causa do vocacional aberto, onde Jesus realmente venceu em mim e resolvi, por graça Dele, parar com essas coisa todas. Voltei para o meu grupo de oração, dei continuidade no vocacional, parei com as festas e as bebidas também. Só que não aconteceu assim tudo de uma vez, como disse, foi devagar. Mas, no retiro vocacional tive um acompanhamento e disse que estava pensando partir em missão. Na semana seguinte recebi a carta para responder. Depois do Congresso de Jovens, das pregações da Emmir e do Moysés, meu coração se inflamou e não esperava a hora de chegar em casa para responder a carta. Foi isso que aconteceu, e hoje estou na atividade como jovem missão na Escola de Evangelização São Felipe Néri, em Fortaleza. Sou vocacionado e minha mãe está no discipulado da Comunidade de Aliança Shalom. Deus nos abençoe!


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