Formação

Jesus envia missionários

comshalom

Emaús Todos os cristãos são enviados pelo Senhor a dar-lhe testemunho diante daqueles com os quais convivem. É dever nosso, cumpri-lo com palavras e mais ainda com o exemplo.

O envio de Jesus se prolonga no tempo e envolve também a nós. O cristão é testemunha enviada pelo Senhor a seus irmãos.

Jesus enviou os apóstolos já ao início da sua vida pública. Depois de ter deixado Nazaré, desceu à Judeia, recebeu o Batismo de João no rio Jordão. Voltando à Galileia, anunciou o reino com discursos, curas. Não todos o seguiam. Nazaré, sua cidade, o tinha rejeitado. Mas os verdadeiros discípulos não lhe faltaram, e entre eles Jesus tinha escolhido os Doze. Agora os manda a ensinar às gentes, conforme o seu exemplo. Os que um dia deverão realizar concretamente a Igreja, fizeram as primeiras experiências sob a guia de seu Mestre.

O envio tinha características particulares. Primeiramente, deveriam dirigir-se, de modo vago, às vilas e cidades vizinhas, na Galileia do norte. O equipamento que devia acompanhá-los: somente sandálias, uma só túnica, um bastão. Não levar pão, não bolsas, não provisões, não dinheiro. A pé. Nem mesmo uma túnica de muda.

Os enviados do Senhor, se forem bem acolhidos: entrem em uma casa e aí permaneçam. Irão como amigos. Se acolhidos como amigos, condividirão fraternidade.

Mais tarde, teremos o exemplo do apóstolo Paulo, missionário itinerante. Percorrerá largamente as regiões do Mediterrâneo. Possuía uma habilidade, era fabricante de esteiras, tendas. Onde chegava, trabalhava, ganhava o sustento com suas mãos. Um dia lhe disseram: “Tu deves pregar; a nós cabe provê-lo”; ele se dedicava inteiramente à sua missão. Mas por princípio não queria ser peso a ninguém.

Os enviados, se não forem bem acolhidos: retirem-se, sacudindo a poeirados calçados. Para compreender a força dessa expressão, devemos saber que os bons israelitas amavam a sua terra: era a terra da promessa, era sagrada, não queriam misturá-la e contaminá-la com outras terras. Quando voltavam de uma viagem ao estrangeiro, chegando junto à porta dapátria, antes de entrar sacudiam de suas sandálias a poeira que consideravam profana. As palavras de Jesus equivaliam a dizer: se não vos acolherem, considerai a terra na qual vivem como terra estrangeira. Por isso “sacudi a poeira em testemunho contra eles”.

Deviam ensinar os mandamentos de Jesus. Eram seus discípulos, não tinham mensagem própria, pessoal. Repetiam as palavras de Jesus: Convertei-vos, o reino dos céus está próximo, vencei o egoísmo, vivei na caridade.

Esta missão era só um início, uma prova geral, que revela a missionariedade da Igreja. Todo cristão é um enviado. Mais tarde Jesus enviará em missão 72 discípulos, dois a dois. Depois da ressurreição confiará aos apóstolos o mandato oficial: “Ide em todo omundo, pregai o Evangelho…” E assim partiram. Vinte séculos de história do cristianismo, de missão. É a característica da Igreja.

PauloVI dizia: “Quando a Igreja toma consciência de si, torna-semissionária”. João Paulo II ensinou-nos a distinguir entre missão geral, que diz respeito a todos os cristãos, e as missões em meio aospovos que ainda desconhecem Cristo. Estes povos, têm o direito ao Evangelho, e em conseqüência nós temos o dever de anunciá-lo.

O Senhor confiou-nos uma missão também entre os vizinhos. A fé deve ser sempre reproposta a cada nova geração. E sempre de novo. Alguém definiu a nossa época como pós-cristã. Ocorre uma nova Evangelização.

O Papa Emérito Bento XVI afirmou: “Depois de ter presidido à Conferência de Aparecida e recebendo o seu documento final, estou convencido que também para esta querida porção do povo de Deus é importante “recomeçar a partir de Cristo, reconhecendo que não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou por uma grande ideia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá novo horizonte à vida e, com isso, um orientação decisiva”.

Por: Cardeal Geraldo Majella Agnelo


Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio os comentários que não cumprirem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *