Hoje a Igreja ajuda seus fiéis, por meio da liturgia e dos relatos bíblicos, a fazer memória de um magnífico acontecimento: trata-se da Transfiguração de Jesus. Essa festa passou a ser formalmente celebrada na Igreja do Ocidente em 1457. No Oriente, porém, já recebia um significativo respaldo litúrgico desde o século V. Ela vinha antes do anúncio da Paixão e morte de Jesus, justamente porque foi nesse momento que o Mestre começou preparar de modo mais explícito seus Apóstolos para tudo o que aconteceria.
O Mestre preparava-os para as torturas e as manifestações de ódio que sofreria, frutos do pecado e do mal no mundo. Essas ações de ódio, como sabemos, culminaram na Sua morte de Cruz, mas também abriram espaço para que o Senhor se manifestasse de modo ainda mais glorioso na Sua Ressurreição. Desse modo, a Igreja, como grande instrumento dessa pedagogia messiânica de Jesus, prepara seus fiéis para que celebrem com profundidade, por meio da liturgia, o mistério da Transfiguração do Divino Mestre. Tal preparação se realiza com um detalhe curioso, que nos auxilia a compreender ainda mais que os mistérios da vida de Jesus estão todos conectados: se dá justamente 40 dias antes da Exaltação da Santa Cruz, que será celebrada no dia 14 de Setembro.
Um Deus que se fez homem, sem deixar de ser Deus
A Transfiguração deve ser entendida, então, como a manifestação da natureza e da essência Divina que está em Jesus. Trata-se de uma antecipação esplendorosa do que seus discípulos veriam na Vigília Pascal e na Sua Ascensão ao Céu. Na Páscoa, Ele mesmo, Jesus Ressuscitado, vai mostrar, de forma gloriosa e poderosa, que a morte, a dor e a maldade do mundo não têm a última palavra. O Mestre conhecia seus apóstolos, as fraquezas e vacilos a que cada um estava suscetível. A Transfiguração do Senhor, assim, foi uma iniciativa da graça, uma “vacina espiritual”, preparando os corações de seus servos para quando viessem as provações. O Salvador fez Sua parte, para que Seus servos não vacilassem e não fugissem diante das provas que viveriam no futuro.
Termine sua leitura meditando de modo oracional o Salmo a seguir. Deixe-se mergulhar e envolver pelo mistério da Transfiguração de Jesus, para que você também, assim como os apóstolos, esteja preparado para receber Seus grandes e salvíficos feitos e amor.
“Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, escutai a minha voz! Vossos ouvidos estejam bem atentos ao clamor da minha prece! Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir? Mas em vós se encontra o perdão, eu vos temo e em vós espero. No Senhor ponho a minha esperança, espero em sua palavra. A minh’alma espera no Senhor mais que o vigia pela aurora. Espere Israel pelo Senhor, mais que o vigia pela aurora! Pois no Senhor se encontra toda graça e copiosa redenção. Ele vem libertar a Israel de toda a sua culpa”
(Salmo 32)