Formação

João Paulo II, um mistério de Deus!

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Pessoas que o vêem – incontáveis – não o esquecem. Quem o escuta, sente ressoar no coração sinais vivos de esperança e de paz. Seu aparecimento gera sentimentos incomparáveis. Um feito sem igual, neste século.
Poucos dos seus predecessores, nos últimos 2000 anos, falaram com tanta freqüência e com tanto vigor quanto ele. Quando ele fala – e se expressa fluentemente em 8 idiomas -, não só o seu rebanho, mas o mundo o escuta.
Quando o Papa aparece em público, multidões de todas as raça e credos o esperam, até mesmo dias, para vê-lo, ouvir suas deliberações ou participar de uma liturgia. Qual é o segredo do seu carisma?

O poeta polonês Juliusz Slowacki, em 1848, escreveu, na dor de uma Polônia marcada pelo sofrimento e no desvario da esperança: “um polaco como Pontífice Supremo!”
Em 1938, um polaco adolescente tinha traços involuntários, mas divinos, de compromissos com a profecia. Por aquele ano, Karol Jozef Wojtyla era um estudante – e promissor ator – em uma escola secundária na cidade industrial Wadowice. Como orador nomeado na escola, lhe pediram que desse boas-vindas ao Arcebispo de Cracóvia, Dom Adão Sapieha. Ficando claramente impressionado pela eloqüência do jovem, Dom Sapieha o indagou se desejaria ser padre. O jovem replicou de imediato negativamente. O Arcebisbo, porém, decidiu-se ficar de olho no carismático jovem, para a glória de Deus.
Wojtyla, cativado pelas escrituras místicas do Carmelita São João da Cruz, quis se tornar um frade contemplativo. Entretanto, o Arcebispo Dom Adam Sapieha negava seus pedidos com uma pergunta: “O que Deus quer e tem para um jovem fazer?”. Karol Wojtyla, entendendo o chamado de Deus, tornou-se, como padre diocesano, um pastor fiel às necessidades do povo polaco, principalmente os jovens, que eram formados na fé e na moral.
Dom Sapieha o ordenou em 1946. E assim, começou o apostolado do grande fenômeno da Igreja moderna: Karol Wojtyla – uma vez ator e atleta, depois padre, Arcebispo e Cardeal – sagrado Papa João Paulo II, o Pontífice Supremo, Bispo de Roma, carismático líder de uma igreja de quase 1 bilhão de almas. “É curioso, disse uma vez um Arcebispo italiano, tem-se a impressão de que ele sempre fora Papa.”

Quem ousar entender o homem João Paulo II e seu papado, não só tem de olhar para o Vaticano, de onde – como canal de graças – emite diretrizes espirituais, nem somente para a Polônia, quase mística em seu coração. Mas sobretudo, para a ação incessante, renovadora e transformadora do Espírito Santo.

Em um quarto de canto, no terceiro andar do Palácio Apostólico do Vaticano, com uma esplendorosa visão da Praça de São Pedro, vive o Sumo Pontífice, quase tão disposto quanto um monge. O quarto contém uma única cama, algumas cadeiras, uma escrivaninha. Há um tapete pequeno próximo da cama. As paredes são simples e nuas, com exceção de algumas recordações, principalmente ícones. Tudo seria muito natural e comum, se não exalasse uma aura vital de santidade.

O Papa é o sucessor direto do Apóstolo Pedro – “pedra” em quem Jesus Cristo fundou sua Igreja. João Paulo II assume, portanto, e em caráter magnifico, a missão de edificar a Igreja. Neste fim de século, além de zelar pela espiritualidade do mundo cristão, mantém uma importante função de equilíbrio político e econômico entre as nações.
João Paulo II, o Papa Peregrino, fez sua voz ecoar e imprimiu suas ações através de suas viagens por todo o mundo e de seus muitos escritos – mais de 150 volumes. “O Papa viaja incansavelmente por todo o mundo sem temor ao cansaço; se entrega sem reservas, para abrir as portas para Cristo e derrubar as barreiras que rodeiam o homem. João Paulo II se achega aos poderosos e aos deserdados, aos ricos e aos pobres, em lugares longes ou em grandes praças, sempre para levar Cristo no meio do mundo.” (Cardeal Ratzinger).
O Papa polonês, como ele mesmo se intitula, é sempre atento aos seus legados dolorosos: “Eu levo comigo a história e a experiência da Polônia. Tendo morado em um país que teve de lutar para sua existência em face às agressões de seus vizinhos, entendi o que é exploração. Assim, me coloquei imediatamente ao lado do pobre, dos deserdados, dos oprimidos, marginalizados e indefesos.”

O dia do Papa começa enquanto Roma ainda dorme, ao redor de 5:30 da manhã. Por volta das 6:15, ele já está rezando e meditando na sua capela privada, diante do altar, que tem em cima um grande crucifixo de bronze. Do lado, aprecia-se uma cópia do ícone polonês da Virgem de Czestochowa, de quem polacos, historicamente, buscam sua força na luta contra os opressores.
A oração, mais que comida ou líquido, é a força e o sustento na vida deste Papa. “Para tomar decisões, ele sempre prostra-se de joelho, em oração e discernimento. O abandono dele para oração é total, um tipo de êxtase”, diz o Monsenhor Diarmuid Martin, secretário da Comissão de Justiça e Paz.
“Às vezes, João Paulo II se prostra diante do altar, com os olhos fechados. Sua face, por vezes, se contorce intensamente, como quando se sente dor. Neste momento, a sua oração é de intercessão pelo sofrimento do povo. Ao seu lado, reserva-se uma pilha grande de intenções”, comenta-se no Vaticano.
O Monsenhor Vincent TranNgoc, secretário pessoal de João Paulo II de 1988 a 1996, diz: “A base da vida espiritual deste Papa, em minha opinião, é a Santa Missa. Em toda a sua vida, ele nunca deixou de participar de uma Missa diária, mesmo quando ele estava doente.”
O Santo Padre tem uma devoção toda particular a Nossa Senhora, a quem confia suas intercessões. “Uma vez, diz Mons.Vicent, perto de 11:30h da manhã, percebemos que o Papa não tinha deixado a capela para a audiência das 11:00h, como de costume. Nós o achamos no corredor, de mãos postas e cruzadas, contemplando atentamente uma imagem de Maria na parede. Naquele momento, ele parecia uma criança que contempla amorosamente sua mãe.”

João Paulo II é um homem penitente. Não só pelo que a Providência de Deus lhe reservou, na doença, na dor e na debilitação física, mas sobretudo, pelo extremo de sua dedicação em viver o Evangelho e a busca da santidade. Confessa-se todas as semanas e é muito rigoroso com seus deveres espirituais, faz uma vez por semana a “Via Sacra”, jejuns nos dias designados e reza diariamente o Rosário.

O sofrimento, mesmo que nunca o tenha desanimado, sempre esteve presente em sua vida: perdeu sua mãe quando tinha 9 anos, seu pai com 21. Seu único irmão, médico, morreu durante uma epidemia. Sensivelmente debilitado, desde o atentado em 1981 – por Ali Agca, por ele já perdoado – ensina: “Cada homem, em seu sofrimento, pode também tornar-se um participante no sofrimento remissório de Cristo.”
Com a saúde debilitada, suas mãos tremem, fala e anda com dificuldade. No entanto, não são empecilhos para fazer ressoar suas diretrizes e ensinamentos. Com urgência, o Papa João Paulo II, defensor da doutrina católica, posiciona-se como uma bússola moral para os crentes e não crentes. Num mundo marcado pela insegurança do futuro, fala de esperança – não a que o mundo quer ouvir, mas a gerada na consistência da fidelidade a Deus.

Alguns acreditam que ele seja imobilizado pela debilidade, vai resignar ao papado e se aposentar num monastério na Polônia. Outros, entretanto, são convencidos que o Papa João Paulo II está determinado na graça de Deus em romper o ano 2000 – o ano do Jubileu e manter-se firme nas suas diligências em prol da Igreja e do pastoreio de almas.
Certamente sua lucidez, disposição e abertura ao Espírito Santo – contrapondo-se com a fragilidade do seu corpo, manifesta com esplendor sua missão de unificar os povos, pelo perdão, em busca da paz; de restaurar a fé, pelo testemunho; de renovar a Igreja, por uma Nova Evangelização e pelo apelo à santidade.

João Paulo II, um homem de Deus, um homem do Espírito.

Currículo de vida de Sua Santidade
Nascido em Wadovice-Cracóvia (Polônia) 18 de maio de 1920
Ordenado sacerdote 1º de novembro de 1946
Eleito Bispo de Ombi 4 de julho de 1958
Consagrado Bispo 28 de setembro de 1958
Arcebispo de Cracóvia 13 de janeiro de 1964
Cardeal da Santa Igreja 26 de junho de 1967
Eleito Papa 16 de outubro de 1978
Entronizado solenemente 22 de outubro de 1978


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