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Manipulando vidas humanas

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Ainda que a fecundação in vitro tenha se tornado popular, algumas das práticas implicadas em sua utilização causam preocupação. As autoridades sanitárias na Grã-Bretanha iniciaram recentemente uma consulta pública sobre se colocar limites ou não ao número de embriões que se possam implantar.

Segundo a informação do site da Autoridade de Fertilização Humana e Embrionologia (HFEA), atualmente uma de quatro gestações alcançadas através da fecundação in vitro dá como resultado gêmeos. Esta proporção é dez vezes maior que a das gestações naturais.

A HFEA declarou que estava convencida dos argumentos recolhidos no informe «Uma criança de cada vez», feito por um grupo independente de especialistas, sobre o fato de que nascer em um parto múltiplo como resultado da fecundação in vitro é o maior risco conhecido para a saúde e o bem-estar do nascido.

O informe, publicado em outubro passado, recomendava que só se transferisse um embrião àqueles pacientes de fecundação in vitro que tivessem uma alta probabilidade de conceber e, por isso mesmo, de conceber gêmeos.

A HFEA acaba de publicar um documento de consulta intitulado «A Melhor Forma Possível de Começar a Viver», como lançamento da consulta pública que farão as autoridades sanitárias britânicas. O texto observa que não são só as crianças que sofrem pelo número excessivo de gestações múltiplas. As mães também podem sofrer perigosas complicações durante sua gravidez.

Em relação às crianças, afirmava o documento, ainda que muitos dos nascimentos aconteçam sem problema, contudo uma alta proporção de gêmeos são muito vulneráveis ao começar suas vidas porque nascem muito cedo ou muito pequenos.

Um estudo recente citado pela HFEA descobriu que se poderia ter evitado a morte de 126 bebês só em 2003, se todos os que eram bebês procedentes de fecundação in vitro no Reino Unido tivessem sido filhos únicos.

O grande número de nascimentos múltiplos também põe em tensão o sistema sanitário. Entre 40 e 60 em cada 100 gêmeos de fecundação in vitro são transferidos quando nascem a unidades de cuidados intensivos neo-natais. Os nascimentos únicos de fecundação in vitro são, em contrapartida, só 20%.

A consulta da HFEA está aberta atualmente a contribuições do público. Após um processo de estudo, em 2008 se introduzirão novas diretrizes para as clínicas.

Em 26 de março, o Boston Globe informava sobre a preocupação nos Estados Unidos pelo tema dos nascimentos múltiplos dos tratamentos de fecundação in vitro. Muitos pacientes pedem a implantação de vários embriões, em um desejo de assegurar a gravidez.

Segundo a doutura Elizabeth Ginsburg, diretora medica do centro de fecundação in vitro do Brighm and Womens Hospital, só 10% dos 1.800 ciclos de fecundação in vitro feitos na clínica no ano passado foram transferências de um único embrião.

Esta proporção é maior que a das outras clínicas. O artigo citava dados de 2005, da Sociedade de Tecnologia Repprodutiva, que mostram que só 2% dos ciclos de fecundação in vitro feito por suas clínicas membro por toda nação eram transferências de um único embrião.

Óvulos a venda
Também se questiona a prática de pagar a mulheres para que doem seus óvulos. No passado, as doações se limitavam a proporcionar óvulo para que se utilizassem nos tratamentos de fecundação in vitro. Com os avanços na pesquisa de células-tronco usando embriões humanos, a demanda de doações de óvulos aumentou drasticamente.

Os medicamentos utilizados pelas clínicas para estimular os ovários afetaram gravemente algumas mulheres, declarava Deirdre McQuade, porta-voz do Secretariado de Atividades Pró-Vida da Conferência Episcopal dos Estados Unidos.

«A agenda de células-tronco de embriões é uma ameaça não só para os humanos em estado embrionário mas também para as mulheres jovens», afirmava em uma declaração publicada em 8 de março. McQuade também chamava a atenção sobre os perigos que causa o pagar a mulheres para que doem seus óvulos. Isto poderia conduzir à exploração de mulheres que sofrem pobreza ou vêm de minorias étnicas, afirmava.

A tentação que as mulheres sofrem para doar seus óvulos não é pequena. Nos Estados Unidos uma mulher pode receber 5.000 dólares ou mais por doar óvulos, informava a Associated Press em 20 de janeiro. O artigo também observava que a legislação que regula os pagamentos varia amplamente e o tema está causando também confrontos entre pesquisadores e organizações de mulheres.

Enquanto isso, as jovens cada vez são mais objetivo de anúncios que oferecem pagamentos para doar seus óvulos, informava o Chicago Tribune em 4 de março.

Os anúncios aparecem nos ônibus urbanos, nos jornais universitários, e na rádio. Os preços oferecidos pelas doações também aumentaram de forma notável para aquelas mulheres com as qualidades acadêmicas e físicas desejadas. Um anúncio citado pelo artigo recordava o oferecimento de 100.000 dólares por óvulos de mulher com comprovada capacidade atlética e de nível universitário.

Riscos averiguados
Os riscos de doar óvulos, contudo, são muito reais. O jornal Telegraph de Londres informava em 18 de fevereiro que, segundo um estudo publicado pela revista Thrombosis and Thrombolysis, pesquisadores italianos da Universidade de Pádua descobriram que entre todas as mulheres que se submetiam a um tratamento de infertilidade, 1 em cada 10 sofriam diversas formas de reações adversas. Outro 1% corria o risco de desordens sangüíneas com risco para a vida.

Outro jornal do Reino Unido, o Independent, em um artigo de 2 de março, citava pesquisas sobre os perigos das mulheres que se submetem aos procedimentos altamente agressivos dos tratamentos de fecundação in vitro.

A pesquisa do Centro Médico da Universidade de Utrecht, Holanda, publicada no The Lancet, uma revista médica britânica, encontrou que as altas doses de medicamentos utilizados para estimular os ovários causam efeitos secundários não desejados. Além disso, uma combinação de tratamentos e a implantação de um só embrião reduz custos.

Outros perigos são relacionados às crianças concebidas utilizando a fecundação in vitro. Os bebês resultantes têm índices mais elevados de defeitos ao nascer, informava em 9 de fevereiro a Associated Press. A informação vem de um estudo com mais de 61.000 nascimentos no Canadá.

Os pesquisadores examinaram 61.208 nascimentos em Ontário durante o ano de 2005, incluindo 1.394 resultados de fecundação in vitro. Consideraram o índice de defeitos ao nascer e consideraram as estimativas de risco para refletir as diferenças nas idades das mães, se fumavam ou não, o gênero dos bebês, as complicações ao nascer e outros fatores.

Cerca de 3% dos bebês nascidos por tratamentos de fertilidade tinham um defeito ao nascer. Os bebês nascidos de forma natural têm uma porcentagem inferior a 2%. Em geral, têm 58% mais probabilidade de ter defeitos ao nascer.

As probabilidades de que surjam problemas aumentam segundo a complexidade do tratamento dado. O índice de defeitos foi maior com a fecundação in vitro, e menor quando se limitava só a dar medicamentos que ajudassem a que os ovários das mulheres produzissem mais óvulos.

Abandonar o fraco
A oposição da Igreja Católica à utilização da fecundação in vitro é por todos conhecida. Estas técnicas, observa o número 2376 do Catecismo da Igreja Católica, «lesam o direito da criança a nascer de um pai e uma mãe conhecidos por ele e ligados entre si pelo matrimônio».

Além disso, continua o seguinte número, «dissociam o ato sexual do ato procriador». O domínio da tecnologia sobre a origem e o destino da pessoa humana «é em si contrária à dignidade e igualdade que deve ser comum a pais e filhos».

Mais recentemente, Bento XVI tratou do tema da tecnologia e da pessoa humana, falando em 12 de fevereiro aos participantes em um congresso internacional sobre a lei natural. O pontífice afirmava: «Sinto o dever de afirmar uma vez mais que nem tudo o que é cientificamente factível é também eticamente licito».

«A técnica, quando reduz o ser humano a objeto de experimentação, acaba por abandonar o sujeito fraco ao arbítrio do mais forte».

Continuando seus comentários, o Papa advertia: «Fiar-se cegamente na técnica como única garantia de progresso, sem oferecer ao mesmo tempo um código ético que funda suas raízes na mesma realidade que se estuda e desenvolve, equivaleria a praticar a violência à natureza humana, com conseqüências devastadoras para todos».

Fonte: Zenit.


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