Comunidade Shalom do Reino Unido participa da Assembleia Geral do CHARIS

Em setembro deste ano, a Comunidade Católica Shalom do Reino Unido participou da primeira Assembleia Geral do CHARIS Inglaterra e País de Gales, em um retiro de dois dias com a Comunhão como tema principal. Repleto de momentos de louvor e adoração, partilha e conversas sobre o tema central, o encontro pode ser descrito como um novo derramamento do Espírito Santo sobre a Comunidade Carismática da Inglaterra e do País de Gales. Durante os momentos de partilha, os membros de diferentes Comunidades e Expressões puderam falar sobre as alegrias e os desafios de espalhar o Evangelho nesta terra. Outro tema que esteve constantemente presente nas discussões foi o Novo Tempo do Espírito no Reino Unido, com muitas pessoas, especialmente entre os jovens, buscando se conectar com Deus. Como comunidades e missionários, devemos estar preparados para acolhê-los e mostrar-lhes o caminho para Cristo! Também tivemos a oportunidade de apresentar o Carisma da Comunidade Shalom e nosso trabalho no Reino Unido e ao redor do mundo, e garantir a ela que estamos sempre disponíveis para apoiar a Igreja no Reino Unido de qualquer forma que ela precisar de nós. O que é CHARIS? O CHARIS (Serviço Internacional da Renovação Carismática Católica) é o organismo oficial criado pelo Vaticano em 2018 para servir e incentivar toda a Renovação Carismática Católica em todo o mundo. Sua missão não é governar, mas promover a unidade, a comunhão e o serviço entre grupos, comunidades e realidades carismáticas, fomentando a evangelização, a vida no Espírito e o compromisso ecumênico.

Padre Rufus: Como um santo deve ser

Nesta segunda-feira (02) faz quatro anos que o padre Rufus Pereira partiu para o céu. Ele era exorcista, escrito e palestrante. Padre Rufus percorreu várias cidades do mundo exercendo o seu ministério e reconduzindo os filhos de Deus ao amor desse Pai misericordioso. Confira testemunho da missionária da Comunidade Shalom, Emanuela Cardoso “Deus amou tanto o mundo que enviou seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna” (Jo 3, 16). Este era um trecho bíblico que não podia faltar as pregações do sacerdote. Não havia uma pregação do padre Rufus em que ele não citasse esta passagem que lhe era tão cara. Segundo ele, se todas as Bíblias se perdessem e só restasse este versículo, tudo estava salvo e a Boa Nova estava preservada. Conheci o padre  Rufus no I Misericórdia Brasil em Fortaleza, em 2009. A convite das irmãs do Instituto Hesed, organizadoras do evento e minhas amigas espirituais, fui chamada a prestar assistência nas traduções junto ao padre durante sua primeira visita a Fortaleza. Confesso que não tinha muito conhecimento sobre quem ele era e só depois percebi que se tratava de uma sumidade internacional em matéria de libertação, cura e exorcismo. Descobri isso não por causa das multidões que ele atraia, ou por causa do elevado posto que exercia na Associação Internacional de Exorcistas e na Associação Internacional do Ministério de Libertação, mas através do grande poder que vinha de sua pregação e do ódio que o demônio tinha dele. Sendo também doutor em Teologia Bíblica, padre Rufus trazia em seus lábios e no cotidiano de sua vida a Palavra de Deus sempre viva e eficaz. Foi isso o que mais me inquietou e edificou em nosso primeiro contato. Ele tinha um ar tímido, sua pregação era simples, sem muita complexidade teológica, por vezes repetitiva e sem novidade aparente. Mas tinha poder! Não cansava. Parecia ser a primeira vez que se estava ouvindo o que ele tinha a dizer. Todos os que já o ouviram podem dar este testemunho. Foi o poder do Espírito Santo contido nas palavras do padre Rufus que geraram uma nova conversão em meu coração. Quando ele dizia “Deus amou tanto o mundo que enviou seu Filho único…” era como se ouvíssemos o próprio Jesus a falar. É verdade que os amigos, depois de tanto conviverem, começam a se parecer um com o outro. É inegável as semelhanças entre o padre Rufus e seu amigo Jesus. Era assim que ele mesmo dizia “eu só tenho um amigo: Jesus”. Às vezes fico pensando como os santos dos dias de hoje se comportariam diante das situações mais absurdas que lemos todos os dias nos jornais e que vemos nas ruas. Diante do escândalo do aborto, das apelações sexuais na TV e meios de comunicação, da busca desenfreada pelo ocultismo e seitas, diante do sofrimento das pessoas… Vendo a vida do padre Rufus, hoje tenho uma boa imagem de como um santo deve ser: alegre, servidor, anunciador da verdade, denunciador da mentira, zeloso pelas coisas de Deus, piedoso, uma pessoa que pauta sua vida inteiramente no Evangelho, amigo de Jesus. Vejo que a via da santidade não é uma via inalcançável, mas é possível, está logo ali. Recordo quando certa vez, com muita liberdade, perguntei ao padre por que ele acabava sempre falando as mesmas coisas em suas pregações. Ao que ele, já com um sorriso no rosto, retrucou “e sobre o que é que eu falo?”. Respondi “sobre o amor de Deus”. Ele abriu ainda mais o sorriso, levantou os ombros, abriu as mãos e disse “e tem outra coisa para falar além disso?”. Essa era a sua simplicidade. Seus exemplos, seus testemunhos, sua pregação sempre o remetia à Palavra de Deus. “Está tudo lá!”, dizia o padre se referindo às Escrituras e ao fato de que a resposta para todas as situações da nossa vida estão lá. Conheci também a face do pastor zeloso, de Jesus quando expulsa os vendilhões do Templo. Descobri que os santos também não se alegram com a injustiça (I Cor 12,6), mas ao contrário, se irritam com o descaso com as ovelhas. Só havia um momento em que víamos o padre irritado: quando ele via o sofrimento das pessoas e as via “como ovelhas sem pastor”. Ele perguntava “onde estão os ministérios de libertação e cura? Onde está o pároco desta pessoa? Onde estão os padres desta cidade? Há quanto tempo esta pessoa está sofrendo assim e sem ninguém para ajudá-la?”. Ele dizia que quando se tornou padre e, especialmente depois que o Senhor confiou a ele este ministério, comprometeu-se de servir 24 horas, 365 dias por ano sem parar. Ele atendia confissões 24 horas por dia. Recebia pessoas de outros países em sua paróquia a qualquer hora e dizia que havia colocado cadeiras para as pessoas se sentarem próximo à porta de seu quarto. Orientava seus irmãos no sacerdócio a se colocarem sempre disponíveis aos fiéis, pois dizia que as pessoas estão sofrendo e que só eles poderiam lhes dar o consolo da reconciliação. Essa é a face de um bom pastor. Após os inúmeros casos de exorcismo e libertação ministrados por ele, o grande sinal de que a pessoa estava liberta, segundo ele, era o sorriso e o abraço que davam no padre. De fato, a ovelha conhece a voz do pastor. Eu poderia citar inúmeros outros casos e situações que tive a graça de presenciar ao lado do padre Rufus. Resta apenas dizer que meu relacionamento com a Palavra de Deus, com os Sacramentos, com a Oração Pessoal e com o próprio Jesus não é mais o mesmo desde que o conheci. Nosso querido padre teve sua páscoa no dia 2 de maio de 2012. Agora treme o inferno pelo poder e a força de intercessão de mais um santo no Céu. Agora sim, recorramos mais ainda a ele, agora face a face com Jesus, e peçamos por milagres de libertação! Se algum dia nos depararmos com uma

Poesia e Beleza

Dia 21 de Março é o Dia Mundial da Poesia A palavra “poesia” tem orgiem Grega e significa “Eu crio” ou “Eu faço”. Assim, é algo que alguém faz ou cria. É uma forma de arte onde o poeta usa a linguagem humana “para criar”, para se expressar or expressar algo. “A poesia é quando uma emoção encontra seu pensamento e o pensamento encontra palavras”, escreveu Robert Frost, poeta Americano. A poesia pode ser cheia de emoções tais como: medo, amor, ódio, desejo, admiração, gratidão, alegria, tristeza, esperança, desespero, confiança, curiosidade, pesar ou alívio. Espelhando tantas facetas do interior humano, é fácil entender porque, em algum nível, qualquer pessoa pode se sentir arrastada pela poesia. Ela pode falar de aspectos negativos da vida com toda a sua feiúra, como também pode ecoar todo seu lado positivo como a beleza. Na verdade, Edgar Allan Poe, outro poeta Americano, já havia dito que “a poesia é a ritmica criação da beleza em palavras”. A beleza está então na essência da poesia. Esta forma de arte também pode expressar aquilo que dá sentido às pessoas, o que é realmente importante e memorável. É por isso que a poesia esteve tão presente na vida de tantos santos. O que pode ser mais memorável do que uma vida que foi alcançada por um amor incondicional como o do Senhor? Jesus é o Mais Belo de todos os homens. Ele é A Beleza (com “a” maiúsculo), ou seja, Ele não apenas traz a beleza como um atributo Seu como é Belo em si mesmo. E, onde quer que haja beleza, há poesia para ser escrita. Muitos santos escreveram poesia numa tentative de expresser realidades espirituais, experiências pessoais, sentimentos ou reflexões. Alguns deles não escreveram poesia intencionalmente, apenas colocaram em palavras suas orações pessoais e que mais tarde ficaram amplamente conhecidas pelos fiéis e pelo mundo à fora. Ao ler alguns destes poemas escritos pelos santos, é difícil não ser pego em reverência e pensar nas maravilhas celestes. É difícil não ser preso nas armadilhas da beleza. No entanto, não há o que temer. Como fora dito po John Keats, poeta Inglês, “Beleza é verdade, verdade é beleza”. Deste modo, pode-se concluir que a beleza leva à verdade e, como Cristãos, é bem sabido que Deus é “A” Verdade (com “a” maiúsculo). Eis alguns trechos das poesias-orações de St Teresinha de Lisieux e Sto Agostinho.   Tarde Te amei Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Te amei! Eis que habitavas dentro de mim, e eu, lá fora, a Te procurar! Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes. Estavas comigo e eu não estava Contigo! Retinha-me longe de Ti aquilo que não existiria, se em Ti não existisse. Porém, Tu me chamaste, com uma voz tão forte, que Teu grito rompeu a minha surdez! Fulguraste e brilhaste, e Tua luz afungentou a minha cegueira! Exalaste Teu perfume e respirando-o, a plenos pulmões, suspirei por Ti. Tu me tocaste e agora estou ardendo no desejo de  Tua paz. – Sto Agostinho Viver de Amor (…) Viver de Amor, estranha loucura, Vem o mundo e me diz, “pára com esta glosa, Não percas o perfume e a vida que é tão boa, Aprende a usá-los de maneira prazerosa!” Amar-Te é, então, Jesus, desperdício fecundo! Todos os meus perfumes dou-te para sempre, E desejo cantar, ao sair deste mundo: “Morro de Amor!”   Morrer de Amor é bem doce martírio: Bem quisera eu sofrer para morrer assim Querubins, todos vós, afinai vossa lira, Sinto que meu exílio está chegando ao fim! Chama de Amor, vem consumir-me inteira. Como pesa teu fardo, ó vida passageira! Divino Jesus, realiza meu sonho: Morrer de Amor!   Morrer de Amor, eis minha esperança! Quando verei romperem-se todos os meus vínculos, Só meu Deus há de ser a grande recompensa E não quero possuir outros bens, Abrasando-me toda em seu Amor, A Ele quero unir-me e vê-Lo: Eis meu destino, eis meu céu: Viver de Amor! – Sta Teresinha de Lisieux Emanuela Cardoso Comunidade Católica Shalom

Lei permite conceber bebê proveta com DNA de três pais

Após a aprovação da câmara baixa do Parlamento britânico, chegou na terça-feira, dia 24 de fevereiro, também a da Câmara dos Lordes. Na Grã-Bretanha, em breve, será possível conceber um bebê em um tubo de ensaio com o DNA de três pais. O debate acalorado inflamou a Sala, que, no final, com 232 votos a favor decidiu autorizar a doação mitocondrial, técnica que impediria a transmissão de doenças genéticas da mãe para o feto. Porém, diversas opiniões de especialistas se levantaram para destacar a ausência de resultados seguros, como também os riscos de tal prática. Trevor Stammers, professor de bioética na St. Mary’s University de Londres, adverte ao jornal Avvenire que a “técnica não foi testada o suficiente e que as implicações que traz consigo são enormes”. O professor explica que crianças nascidas com essa técnica estão com “mais risco de tumores”, de “envelhecimento precoce” e “devem ser monitoradas por toda a vida”. Em 2013, a revista Science também ressaltou que entre os possíveis efeitos das substituições de mitocôndrias, há a infertilidade e as alterações do metabolismo respiratório. Contra a aprovação desta lei também está a Igreja Católica, a Igreja Anglicana e uma grande parte da opinião pública. Explica Andrea Williams, de Christian Concern, que a técnica “cruza fronteiras éticos e morais e entra em território muito perigoso dos quais será impossível voltar atrás”. De acordo com Williams, “mais uma vez ganhou a agressividade científica”. O procedimento foi desenvolvido pela Universidade de Newcastle (a mesma envolvida em estudos sobre a clonagem humana nos últimos anos) e prevê a fecundação in vitro utilizando o património genético de pai, mãe e doador de um DNA mitocondrial, que substitui o materno, onde este registre doenças genéticas. O bebê recém-nascido terá 99,8% do DNA do pai e da mãe, e o 0,2% do doador. Para além do que se poderia pensar, Marcy Danovsky, diretor do Centro de Genética e Sociedade, diz que mesmo um percentual tão pequeno condiciona todo o corpo das crianças, porque “toda célula” terá o DNA de três pessoas. A questão – continua a especialista – “tem um impacto sobre uma vasta gama de características da criança introduzindo mudanças genéticas que serão transmitidas depois às gerações futuras”. O parecer da Danovsky sobre a lei é, portanto, negativo. Considera que “a técnica é cruel” e tê-la aprovado equivale a “um erro histórico” que transforma crianças em “experiências biológicas” e “vende uma esperança exagerada para as mulheres” que já se encontram em situações difíceis. Os primeiros testes foram anunciados para 2016. Danovsky espera que “as autoridades britânicas encarem estudos sobre a segurança e sobre a eficácia da técnica antes de qualquer utilização no homem”. Somente uma vez recebido um bem-estar de caráter científico, Danovsky também espera que “a todas as mulheres interessadas a usar esta técnica seja dada informações completas e objetivas sobre as alternativas possível de forma uma família saudável” e, especialmente, “sobre os riscos aos quais seus filhos estarão submetidos”. Esta lei implementa uma derrogação à lei britânica contra as modificações genéticas hereditárias, que também são proibidas pela Convenção sobre os Direitos Humanos e Biomedicina, redigida em Oviedo em 1997, e à qual a Grã-Bretanha nunca aderiu. Agora (talvez) entende-se o problema. Fonte: Zenit

Strategic Planning: a time to stop, pray, listen and plan

Members of Shalom Community team leaders in London gathered 22nd to 23rd of November for the annual strategic planning retreat. The retreat is an occasion to stop, pray, to listen to God, to evaluate the Community’s activities throughout the year and plan for the next year. On November 22nd  a moment of prayer was followed by a video talk from Moyses Azevedo, the founder of Shalom Community, to all Shalom’s missions throughout the world. He shared important guidelines, practical and spiritual, on what the Lord has been speaking to the Community in prayer and through the voice of the Church. Saturday and Sunday were marked by moments of Eucharistic adoration, discussions on specific topics and the opportunity to have an overview on what the Community have been doing on the last few years in the city of London. Some of the main subjects discussed during the retreat were: the constant need of evangelization, the “culture of encounter” frequently underlined by Pope Francis, the spirit of intercession, a new Marian season and the importance of a solid formation in the lives of people so that they can bear witness of God’s love in the world. One topic that was explored deeply during the retreat was God’s mercy and how it is manifested in their personal lives. The participants reflected on the experience of God’s mercy which allowed them to realize who they trully are and who the Lord is. Only then it was possible to understand that He is in charge of whatever they do. A reflection was made by Fr Alexander Sherbrooke, parish priest of St Patrick’s Church, on the spiritual connection between adoration and street evangelization. He also spoke about how to establish Christ’s Kingdom with harmony and joy in opposition to the noisy and chaotic kingdom of this world. The priest highlighted the particular contribution that Shalom Community, founded in Brazil, can add to the evangelization of a secular and pagan city such as London. Joy, openness and a vivid spirit are part of Latin American’s culture which can be a very positive aspect in evangelization. The retreat ended with the knowledge that in 2015 the Community must “go forward” in evangelization, in boldness, in prayer, in holiness and in a deeper experience with Divine mercy in order to reach each man and woman who weep and suffer.  

O arquiteto do Big Ben

Entre os numerosos visitantes que acorrem à cidade de Londres, não há um que não tenha por principal objetivo da viagem conhecer o edifício do Parlamento e contemplar de perto a imponente Elizabeth Tower, ou Torre do Big Ben, como é mais comumente conhecida. Que no alto dela se encontra o mais famoso relógio do mundo, símbolo da pontualidade britânica, é algo que ninguém ignora. Contudo, poucos conhecem ser seu esguio desenho fruto da genialidade de um arquiteto católico que fez da propagação da arte cristã um instrumento de evangelização: Augustus Welby Northmore Pugin. Filho de um aristocrata francês emigrado para a Inglaterra durante a Revolução Francesa, nasceu ele no dia 1º de março de 1812 em Bloomsbury, região central de Londres. Educado dentro dos cânones mais estritos do protestantismo, conforme ele mesmo testemunhou, sua formação religiosa foi desde cedo pautada por uma série de preconceitos contra a Igreja, levando-o a desprezar a religião que anos depois abraçaria com sincero entusiasmo. “Meus olhos viram a vossa salvação” Desde a adolescência dedicou-se ardorosamente ao estudo da arte, logo se destacando por seu singular talento. Sendo ainda muito jovem, elaborou seus primeiros projetos em conjunto com o pai, que era um renomado ilustrador e teórico da arquitetura medieval. Com apenas 19 anos assumiu importantes trabalhos, como o desenho de móveis e peças decorativas para o Castelo de Windsor, uma das residências oficiais da realeza britânica. Empenhava-se também no estudo da arquitetura antiga, e foi justamente folheando livros sobre as origens da arte cristã que se deparou com um tema que abriu um novo campo em suas cogitações e exerceu decisiva influência em sua conversão: a liturgia católica. “Com que prazer comecei a esquadrinhar cada parte daquelas gloriosas construções erigidas para as celebrações litúrgicas! Descobri então que as cerimônias litúrgicas às quais eu costumava assistir e admirar eram apenas um remanescente frio e sem coração daquelas glórias passadas. E as orações que na minha ignorância eu tinha atribuído à piedade da Reforma não passavam de fragmentos extraídos dos solenes e perfeitos ritos da Igreja Antiga. […] Em oposição a tudo isso, considerei a Igreja Católica, existindo com a sucessão apostólica ininterrupta, transmitindo a mesma fé, Sacramentos e as cerimônias imutáveis, inalteradas em todos os climas, línguas e nações”.1 No período de 1832 a 1834 – anos determinantes para a sua conversão – viajou por diversos países, com o intuito de conhecer as principais edificações góticas da Europa. Uma destas lhe chamou de modo especial a atenção: a igreja de São Lourenço, em Nuremberg. Ao entrar nela, Pugin surpreendeu-se com a magnificência deste edifício sacro, considerado um dos mais belos exemplares da arquitetura gótica alemã. Começou por demorar-se em apreciar as esguias colunas da nave central, os vitrais e os altares laterais. Em seguida, seus olhos se fixaram numa imensa guirlanda de flores douradas, suspensa sobre o presbitério. E contemplou, absorto, a bela imagem da Virgem Maria colocada no centro desse grande círculo floral, recebendo do Anjo Gabriel o anúncio de que seria a Mãe de Deus. Movido pelo forte sentimento de enlevo que sentiu diante daquela representação, confidenciou pouco depois a um amigo: “Eu bem poderia fazer minhas as palavras do profeta Simeão: ‘Agora, Senhor, deixai ir em paz o vosso servo, pois meus olhos viram a vossa salvação’ (Lc 2, 29-30)”.2 “Tornei-me um humilde, mas verdadeiro, membro fiel” Seu encanto pelo esplendor da liturgia católica aumentava a cada dia, e ele não resistiu durante muito tempo à “força irresistível da verdade”, conforme suas próprias palavras.O arquiteto do Big Ben 2.jpg “Por mais de três anos”, explica, “prossegui com toda sinceridade no estudo deste tão importante assunto, e a força irresistível da verdade foi penetrando em meu coração. Submeti de bom grado meu falível julgamento às decisões infalíveis da Igreja e, abraçando de alma e coração a sua fé e disciplina, tornei-me um humilde, mas verdadeiro membro fiel”.3 Em outra ocasião, Pugin manifestou mais claramente a influência da arte cristã em sua conversão: “Aprendi as verdades da Igreja Católica nas criptas das velhas igrejas e catedrais europeias. Procurei a verdade na moderna igreja da Inglaterra e descobri que ela, desde que se separou do centro da unidade católica, tinha pouca verdade e nenhuma vida. Dessa maneira e sem ter conhecido um só sacerdote, ajudado apenas pela graça e misericórdia de Deus, resolvi entrar na sua Igreja”.4 Daí em diante, Pugin consagrou o melhor de seu talento a serviço da Igreja, pois em sua alma já não existia distinção “entre a sua fé e a sua arte”.5 Sua capacidade criativa manifestou-se prodigiosamente nas catedrais católicas de Birmingham (Inglaterra) e Enniscorthy (Irlanda), em igrejas como a de Saint Gilles, em Cheadle (Inglaterra), mas também no desenho de utensílios sagrados, púlpitos ou altares. Revestir de pulcritude a Casa de Deus O desejo de revestir de beleza a casa de Deus foi apontado por um dos seus biógrafos como uma de suas mais constantes aspirações. E tão forte era esse anelo que o autor aplicou ao arquiteto as palavras do Rei Profeta: “O zelo por tua casa me consome” (Sl 68, 10).6 Em seu entusiasmo pelas celebrações litúrgicas, insistia em que elas deviam ser sempre realizadas com pompa e esplendor. Isto o levou a doar ricos paramentos de ouro e púrpura para serem utilizados na solene cerimônia de inauguração da Igreja de Santa Maria, em Derby. Seu raio de ação estendeu-se também ao âmbito acadêmico. Escreveu diversos livros sobre liturgia e arquitetura, graças aos quais é considerado um dos mais influentes teóricos da arquitetura britânica do século XIX. Com apenas 25 anos, foi nomeado professor de História Eclesiástica em Scott e publicou em seguida um glossário sobre os costumes e os ornamentos eclesiásticos. Em sua principal obra, intitulada Contrastes, traça um paralelo entre as construções medievais e os edifícios erigidos em seu tempo, apontando a superioridade das primeiras. O projeto da Torre do Big Ben No dia 16 de outubro de 1834 um incêndio de grandes proporções destruiu quase todo o antigo Palácio de Westminster, cujas

Famosa jornalista da BBC deixa carreira para virar freira

Depois de 25 anos de carreira no jornalismo e sendo uma das personalidades mais famosas da televisão do norte da Irlanda, Martina Purdy é destaque nas manchetes. Sua partida da BBC para entrar em uma congregação religiosa foi anunciada em 10 de outubro, em um tuíte que ela escreveu aos seus milhares de seguidores: “Olá. Estou saindo da BBC. Esta é a minha declaração. Que Deus os abençoe. Martina”. Com esse tuíte, incluiu uma foto do anúncio da BBC que cita sua declaração e diz: “Sei que muita gente não entenderá esta decisão. Não foi uma decisão tomada superficialmente, e sim com grande amor e alegria. Peço que rezem por mim, pois embarco neste caminho com humildade, fé e confiança.” Jornalista ganhadora de prêmios e natural de Belfast, Martina Purdy cresceu em Toronto. Formou-se em Relações Internacionais pela Universidade de Toronto e mais tarde obteve outro diploma na Ryerson University School of Journalism, também em Toronto. Começou sua carreira como jornalista de mídia escrita no Toronto Star, Globe and Mail e L.A. Times. Ao voltar à Irlanda, escreveu para The Irish News e Belfast Telegraph (1993-1999), como editora de negócios e, mais tarde, correspondente política. O diretor de notícias da BBC da Irlanda do Norte a descreveu como “uma das correspondentes mais talentosas e trabalhadoras da BBC da Irlanda do Norte”. Martina Purdy assumiu numerosas tarefas políticas, trabalhando em novos programas, diários e semanais, de rádio e televisão, documentários, especiais sobre eleições e notícias online, segundo a declaração da BBC. Em seus últimos anos no Belfast Telegraph, antes de unir-se à BBC, Martina Purdy fez a cobertura das conversas preliminares do histórico Acordo de Sexta-Feira Santa de 1998, que acabou com décadas de conflito (e matanças) no norte da Irlanda, entre grupos paramilitares de católicos e protestantes. Ela analisou os obstáculos e conquistas do acordo para compartilhar o poder do Poder Executivo da Irlanda do Norte, de 1998 a 2002, em um livro intitulado Room 21, Stormont Behind Closed Doors. Não é todo dia que se vê homens e mulheres que (depois de terem alcançado cumes impressionantes em sua área e desfrutado de admiração e até adulação dos seguidores) deixam para trás o sucesso e fama deste mundo. Apesar de Martina Purdy ter preferido não falar detalhadamente sobre seus motivos para abandonar sua carreira e sua liberdade para unir-se a uma congregação religiosa, ela descreve sua decisão como feita com “amor e grande alegria”. Este comentário recorda uma entrevista que Mary Ann Marks, estudante condecorada com as melhores notas de 2010 em Harvard, que imediatamente depois de formar-se entrou para a congregação das Dominicanas Irmãs de Maria, Mãe da Eucaristia, disse a Kathryn Lopez, editora da National Review Online: “Quando o amor lhe pede para ser sua esposa, não se protesta sobre o quando nem como. Por outro lado, tudo o que vale a pena na vida requer uma entrega constante e livremente voluntária da liberdade pessoal.” Ela também destacou a importância de que homens e mulheres deem este passo de entrar na vida religiosa, mesmo contra a cultura, e aplica isso inclusive mais à figura que esteve na esfera pública por 15 anos: “Os religiosos são chamados a dar testemunho, com sua vida e ações, das realidades sobrenaturais: a existência de Deus, seu amor sem medida por cada pessoa e do fato de que nosso dever e felicidade residem em devolver esse amor. Esse testemunho se torna cada vez mais importante na medida em que cresce o materialismo cultural e seu correspondente desagrado com relação ao sobrenatural.” É seguro assumir que o total decaimento das vocações ao sacerdócio e à vida religiosa nos Estados Unidos e no Ocidente não se deve a que Deus tenha deixado de chamar as pessoas à vida consagrada para servi-lo. A verdadeira causa é o egoísmo e o materialismo, e às constantes distrações que invadem nossa época e se tornam obstáculos para a oração silenciosa. Como podemos saber se Deus está nos chamando, se não reconhecemos sua voz no silêncio e na oração? Que as pessoas bem educadas e habilidosas como Mary Ann e Martina inspirem outros a desenvolver o hábito da oração silenciosa, para que muitas outras almas se tornem testemunhas do amor e da alegria de viver completamente para Deus. (Susan E. Willis é editora espiritual da edição inglesa da Aleteia)  

Bono Vox, vocalista do U2: “Cristo é o meu modo de entender Deus”

“A pessoa de Cristo é o meu modo de entender a Deus”, declarou o cantor Bono Vox, líder da banda irlandesa U2, em entrevista ao canal de televisão nacional da Irlanda, RTE. Na entrevista, Bono falou sobre a sua relação com a religião. O cantor explicou que recorre à bíblia “para ver a verdade poética e os fatos históricos” que ela envolve e ensina, principalmente Cristo. “Eu rezo para conhecer a vontade de Deus”, acrescentou. “Oramos com os nossos filhos, lemos as escrituras… Não é uma coisa regular. Às vezes, vamos à igreja aos domingos. Normalmente, oramos pelas pessoas que conhecemos e que estão lutando contra alguma dificuldade, contra doenças…”. Para Bono, “a pergunta fundamental para o cristão” é “Quem é Cristo?”. “Eu acho que não podemos responder dizendo apenas que ele é ‘um grande pensador’ ou ‘um grande filósofo’. Ele dizia que era o Messias e foi crucificado. Ele foi crucificado porque dizia que era o Filho de Deus. Do meu ponto de vista, ou ele era mesmo o Filho de Deus ou era louco”. “Acho difícil aceitar que milhões e milhões de vidas, metade do mundo, durante dois mil anos tenham se sentido tocadas, tenham sentido a própria vida tocada e inspirada por um louco. Eu não acredito nisso”, acrescentou. Bono acredita que Jesus era realmente Deus, que ressuscitou dos mortos e que as suas promessas serão cumpridas.   Fonte: Aleteia

Autor de As Crônicas de Nárnia descobriu que Deus é Deus

Há meio século, em 22 de novembro de 1963, morreu Clive Staples Lewis, aos 64 anos, em The Kilns, sua casa no bairro residencial de Headington Quarry, na cidade de Risinghurst, próxima de Oxford. Ele era admirado como especialista em literatura medieval e renascentista, além de amado, ou pelo menos respeitado por todos, como apologista cristão de primeira categoria. Porém, a mídia lhe reservou pouco espaço no dia de sua morte, dada sua coincidência com o assassinato do presidente dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy (1917-1963), em Dallas (Texas). Lewis dedicou muito tempo, durante sua adolescência, juventude e início da vida adulta, a dar as costas para Deus. Seus notáveis talentos intelectuais foram empregados na elaboração de uma filosofia situada entre o agnosticismo cínico e o ateísmo consciente, em nome de um racionalismo árido que o fazia considerar as realidades da fé com arrogância e que procedia do que, mais tarde,Lewis definiria como “a mãe luciferina de todos os pecados”: o orgulho. O estudo das literaturas e das mitologias com as quais, à espera inconsciente da epifania do verdadeiro Deus, o homem arcaico e os povos antigos se esforçavam por representar um vínculo fundamental com o transcendente, o fascinava fortemente no âmbito estético, mas ao mesmo tempo reforçava nele a certeza de que a religião não era senão uma mera invenção do homem. A complexidade de Deus era simples demais dessa forma – com a simplicidade que é própria dos humildes e dos pequenos – para um intelecto tão elevado como o seu. Mas chegou um dia diferente. Ou melhor, uma noite. Lewis estava há anos lecionando na prestigiosa Universidade de Oxford. Em 1925, chegou a ser professor titular. Lá, ele tinha sido devidamente alertado contra os dois maiores perigos que poderia encontrar: os “papistas”, ou seja, os católicos, e os filólogos, isto é, aquelas pessoas acostumadas a desentranhar, aprofundar, buscar raízes de tudo, chamando as coisas pelo seu nome. Nesse mesmo ano, chegou a Oxford um novo colega, que era ambas as coisas. Seu nome era J. R. R. Tolkien (1892-1973). Tolkien era católico desde a infância, graças à sua mãe, Mabel Suffield (1870-1904), que se converteu ao catolicismo em uma situação difícil. Já filólogo, ele era por profissão e paixão. Duas realidades obviamente diferentes, mas que, em Tolkien, estavam intimamente unidas, uma comunicando a outra, e sua confiança na palavra do homem sublimando-se na adoração do Verbo encarnado. Lewis aprendeu a vencer seus temores e tornou-se um grande amigo de Tolkien, mas ainda sem baixar a guarda. Porém, numa noite de 1929, a ideia de que Deus existia acabou vencendo. Foi um primeiro grande golpe, mas sua ideia de Deus era teórica demais. Em 9 de setembro de 1931, Lewis convidou dois grandes amigos para jantar: o católico Tolkien e o anglicano Hugo Dyson (1876-1975), professor de literatura. Como de costume, ficaram até tarde discutindo, especulando e bebendo. Depois saíram para dar um passeio à luz da lua, ao longo dessa avenida arborizada que oferece um dos passeios mais belos, chamado Addison’s Walk. A discussão foi se acalorando, exaltando os ânimos, até que a paixão inflamou os três amigos. Tolkien apresentava seus argumentos, repletos de imagens ricas, sugestivas e cativantes, apoiado habilmente por Dyson, com Lewis na defensiva. Para Lewis, Deus existia, mas ainda era como um belo conto e só. Tolkien, que era o mestre dos contos, decidiu contar-lhe uma história, a maior, a melhor, a mais poderosa e também a mais perfeita, desde o momento em que, além de ser verdadeira no âmbito mítico, era mais ainda no âmbito real da história e da concreção: Tolkien lhe falou do Evangelho, do mythos que com o logos torna-se carne nele, em um ponto preciso do tempo e do espaço, de uma vez por todas e para sempre. Os três amigos haviam chegado perto de uma árvore, uma árvore que ainda existe no Addison’s Walk. Uma brisa repentina os envolveu, e então Lewis, Tolkien e Dyson se sentiram abraçados por algo superior, em uma beleza jamais experimentada. Não sabemos com exatidão as palavras ditas naquela noite memorável. Dos argumentos de Tolkien, há algo exposto no suntuoso ensaio “Sobre os contos de fadas”, de 1937. Já na autobiografia de Lewis, “Surpreendido pela alegria”, de 1955, a página mais comovente é aquela em que ele recorda essa noite de 1929, na qual se rendeu, e então, o convertido mais rebelde de toda a Inglaterra, caiu de joelhos e rezou, reconhecendo que Deus é Deus. A este capítulo, ele deu o nome de “O início”. Podemos imaginar que o que ocorreu após esse passeio noturno com Tolkien e Dyson talvez seja um conto de fadas real. (Artigo de Marco Respinti, publicado originalmente em La Nuova Bussola Quotidiana) Fonte: Aleteia TAGS

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