Ingresso no discipulado na missão de Haifa

Neste domingo,dia 28 de abril,dia em que se celebra o Domingo da Misericórdia instituído por São João Paulo II,celebrou-se na missão de Haifa  com grande alegria o ingresso no discipulado de Omima Dakwar,árabe,membro da Comunidade de Aliança.Gratidão pelo  sim generoso dessa irmã que dá esse passo e a Deus que manifesta o sinal de que o carisma Shalom na Terra Santa é fecundo e aos poucos,pela misericórdia de Deus tem crescido. 

Ficção no comshalom.org: Melquitas rezam o Akathistos durante a Quaresma

Ficção no comshalom.org Acompanhe no comshalom.org o dia-a-dia da família formada por Poliana, uma baiana casada com um árabe cristão, seu esposo Amir e seu filhinho Rafael. Através desses personagens, você vai conhecer o Oriente Médio, seus costumes e sua tradição.     Ainda sobre a conversa ‘Finalmente, os melquitas’, Dr. Uisam continuou sua explicação: – Então… Na tradição oriental e também para os melquitas, jejua-se, durante a quaresma, de segunda a sexta, de meia-noite ao meio-dia. Nesse jejum, não se come nem se bebe nada. – Nem água? – perguntou Alberto. – Nem água!! – frisou Uisam – Ao meio-dia celebra-se a missa para que o Corpo de Cristo seja a primeira refeição do dia. E depois pode-se comer de “tudo”, desde que não seja nem carne, nem leite, nem seus derivados!!! Também celebram-se três orações especiais: a oração dos “Pré-Santificados” ou em grego “Progesmena”; a oração das “Grandes Completas”, ou também chamada de “Oração do Senhor dos Exércitos”; e a oração do “Louvor a Nossa Senhora”, ou em grego “Akathistos“. – Eeee… Minha cabeça começou a rodar com tanta informação – sussurrou Clarissa no ouvido de Alberto. Os dois riam ligeiramente, sem que o seu interlecutor percebesse, pois estava muito concentrado em sua explanação. Tão concentrado quanto Paulo, que balançava a cabeça em aprovação, como alguém que já tinha conhecimento prévio do assunto. Já Poliana franzia a testa em sinal de esforço para entender tudo que seu cunhado falava, e Amir, naturalmente, ficava espantado e orgulhoso ao mesmo tempo por ver a desenvoltura com que seu irmão falava o português… Creio, estimado leitor, que você também ficou confuso com tantas informações, por isso vamos explicar cada uma das orações em outros textos. No entanto, hoje, queremos falar um pouco sobre o Akathistos. A palavra “Akathistos” vem do grego, língua em que foi escrita originalmente essa oração e quer dizer “Em pé”, pois deve ser rezada em pé! É composta por duas partes. Em ambas as partes, repete-se a saudação do anjo: “Ave ó…” e acrescenta-se um título ou uma virtude da Virgem Maria. A segunda parte ficou famosa entre os Missionários da Comunidade Shalom, pois é cantada durante o Advento na Comunidade de Vida. Por que os melquitas rezam o Akathistos durante a Quaresma? Simples: porque sempre a Solenidade da Anunciação cai durante a Quaresma e esse é o modo oriental de celebrar com muito amor a Encarnação do Verbo e o sim de Maria. Essa oração é rezada sempre às sextas-feiras, à tardinha. Por quê? Porque o sábado é dedicado a Nossa Senhora e, no oriente, o sábado começa no pôr-do-sol do dia anterior. Por que estou falando sobre isso hoje? Porque sexta-feira passada foi o último dia em que se rezou o Akathistos esse ano (e foi o único dia em que o rezamos por completo, ou seja, durante 3h seguidas cantamos o louvor a Maria), pois sexta-feira que vem já começam os preparativos para a Semana Santa. Mas isso é um outro assunto… E você? Já parou para pensar que Maria é a Mestra que nos ensina a sermos mais humanos? Entremos no ventre de Maria nessa Quaresma e ressuscitemos com Cristo para uma vida nova, para um novo nascimento!!! Por isso, honremos a Maria e rezemos juntos: Eu sou do teu rebanho, ó Mãe de Deus, e te confiro os lauréis da vitória, a ti, ó Senhora Gloriosa, o penhor de minha gratidão, como a um general que combateu por nós e nos salvou de terríveis calamidades. E, como tens um poder invencível, livra-nos dos perigos de toda espécie para que te aclamemos: Ave, ó Virgem e Esposa! (Canto Bizantino da Solenidade da Anunciação). Leia também: Finalmente, os melquitas   Um grande abraço e até a próxima Thiago Freire

Síria: O Jubileu visto de Aleppo. “Somente a misericórdia pode nos salvar do ódio”, diz Dom Abou Khazen

A convocação de um Jubileu extraordinário da misericórdia, anunciado pelo Papa Francisco durante a liturgia penitencial por ele presidida na Praça São Pedro, suscita reflexões especiais nos cristãos da Síria, vista a condição de ansiedade e sofrimento vivida por eles no momento em que o conflito sírio entra no quinto ano. “Invocamos e rogamos a misericórdia de Deus por nós mesmos, pela Igreja daqui, por todos os nossos amigos e companheiros das ruas, e também por todos os que cometem atos atrozes chamando em causa o nome de Deus: que o próprio Deus tenha misericórdia de nós e deles, e toque o coração de todos”. Com estas palavras, o Bispo Georges Abou Khazen OFM, Vigário apostólico de Aleppo para os católicos de rito latino, descreve à Agência Fides os sentimentos e expectativas nele despertados com a notícia da proclamação de um ano jubilar dedicado à misericórdia. “Para todos nós”, explica o Bispo franciscano da martirizada metrópole síria, “experimentar a misericórdia de Deus é uma questão vital a ser rogada como algo que nos é necessário para viver: somente quem experimenta a misericórdia de Deus pode ser misericordioso com os outros e ir ao seu encontro para ajudá-los”. “A dor e o sofrimento dos inocentes – acrescenta o Bispo Abou Khazen “nos parecem absurdos e por si só podem endurecer e apagar os corações mais generosos, até o ponto de torná-los maus. Somente o milagre da misericórdia pode curar as feridas mortais de nossa alma e produzir frutos de conversão e reconciliação. O Papa Francisco – conclui o Bispo – repete que a misericórdia não é uma atitude pastoral, mas é a substância do Evangelho. E isso, na condição de Aleppo, é percebido todos os dias, nas nuances mais íntimas de nossas vidas”. Fonte: Fides

Ficção no comshalom: Finalmente, os melquitas

Ficção no comshalom.org Acompanhe no comshalom.org o dia-a-dia da família formada por Poliana, uma baiana casada com um árabe cristão, seu esposo Amir e seu filhinho Rafael. Através desses personagens, você vai conhecer o Oriente Médio, seus costumes e sua tradição. Após a missa, Poliana levou Rafael para a casa de sua sogra e logo depois seguiu para a casa comunitária. Chegando lá encontrou: Érica (Responsável Local da missão de Haifa), Amanda (Formadora Comunitária da Comunidade de Vida), Célia (Coordenadora Apostólica), Clarissa que coordenava a alimentação, Paulo (Ecônomo da missão) e Alberto que coordenava a liturgia. Também já estavam presentes: Amir, esposo de Poliana, e o irmão dele, dr. Uisam Khouri, que daria a formação sobre os melquitas para todos os missionários. Amir e sua esposa, embora não fossem da comunidade, também foram convidados a participar. – Polin!! – exclamou Érica ao lhe abrir a porta – Estávamos só te esperando. Érica era uma mulher muito espirituosa e, como sabia que os árabes não conseguiam chamar Poliana pelo nome, por ser um nome muito difícil e longo: PO-LI-A-NA, mas a chamavam simplesmente por Polin, também adotou ela essa forma de tratamento. – Gente, perdão pelo atraso – desculpou-se com seu agradável sotaque baiano – mas é porque a essa hora o trânsito fica terrível!!! Demorei o maior tempão da casa de minha sogra até aqui. Todos lhe acenaram com a cabeça em sinal de aceitação de suas excusas. Érica tomou de suas mãos as sacolas com as “sementinhas”, passando-as logo para Clarissa que se apressou em servi-las sobre pequenas mesinhas de madeira, as quais recebem o nome em árabe de “scamla“. Amir, levantou-se do sofá, beijou sua esposa na testa e foi guiando-a com seu braço envolto em suas costas para, ternamente, acomodá-la ao seu lado no sofá. Estando todos devidamente acomodados, “sementinhas” servidas com suco em três “scamlas”, após breve oração, dr. Uisam começou: – Boa noite a todos! – saudou com seu ligeiro sotaque de quem aprendeu uma língua já adulto – Como Érica já disse, hoje vamos falar sobre como os melquitas jejuam. Como temos missionários novos como Clarissa e Alberto, primeiro vou explicar um pouco sobre a igreja melquita. A Igreja Greco-Melquita é (uma) igreja sui iuris (em latim: de direito misto). Ela tem unidade com a Igreja de Roma, mas possui um direito canônico próprio e tradições litúrgicas semelhantes às igrejas ortodoxas. É uma das 22 igrejas orientais que têm comunhão com Roma. Seu chefe é o Patriarca Melquita de Antioquia, Jerusalém e Alexandria e, como nós sabemos, Gregório III é o patriarca hoje… E assim ele continuou durante longa explicação. No final de tudo, levantou-se Érica,  agradeceu ao dr. Uisam e, para finalizar a noite, pediu que todos rezassem uma Ave- Maria, colocando também como intenção a situação dos cristãos na Síria e no Iraque, devido à atuação do Estado Islâmico. Então, santo leitor, gostou de aprender um pouco sobre os melquitas? No próximo texto continuaremos de onde paramos. Você gostou da atitude de Érica ao pedir oração pelos cristãos? Creio que sim. E você tem rezado por nossos irmãos que sofrem perseguição? Vamos vencer a barreira da “globalização da indiferença” (Papa Francisco), rezando juntos agora: Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco… Oremos juntos e nos unamos aos mártires desse tempo. Um grande abraço e até a próxima,  Thiago Freire Leia Também: Ficção no comshalom: Quero um amor fiel Ficção no comshalom: Um coração amante Ficção no comshalom: E você vai jejuar?

Ficção no comshalom: Quero um amor fiel

Ficção no comshalom.org Acompanhe no comshalom.org o dia-a-dia da família formada por Poliana, uma baiana casada com um árabe cristão, seu esposo Amir e seu filhinho Rafael. Através desses personagens, você vai conhecer o Oriente Médio, seus costumes e sua tradição.   Poliana passou o cinto de segurança em Rafael e fechou a porta do carro. Já eram 14h e os comércios começavam a fechar por conta do shabbat ( שבת), ou seja, por causa do sábado. Em Israel, o final de semana começa às sextas-feiras e vai até o dia seguinte, permanecendo em funcionamento apenas os serviços essenciais. Em Jerusalém e em outras cidades judias, até mesmo os ônibus param completamente, a malha ferroviária que liga o país de norte a sul também é destivada, em Haifa, os ônibus diminuem quase a zero, porém ainda remanece alguma frota circulando. Domingo é dia normal, o primeiro dia da semana! Muitos trabalham (não todos, pois os árabes cristãos, a depender de onde trabalhem, tem esse dia livre), nas escolas judias têm aula, mas não nas escolas cristãs. Como você pode ver, santo leitor, é um mundo dividido! Poliana, então, dirigiu-se à sua casa na rua Abbas, número 70, no Monte Carmelo, entre o convento masculino dos Carmelitas Descalços e o Bahai (em outra ocasião explicamos sobre ele, ok?). Tirou as coisas do carro, deu banho em Rafael, esquentou o almoço dele que já tinha deixado pronto anteriormente, arrumou as coisas em casa, ela própria tomou banho, no entanto, não almoçou (não estranhe o leitor, que tenha Rafael almoçado por volta das 15h da tarde, esse é o horário normal de almoço entre as famílias israelenses). Embora na dúvida de fazer ou não o jejum melquita durante a quaresma, Poliana já havia aderido ao jejum às sextas-feiras, orientado na Igreja de Rito Romano.  Já estava habituada a isto com algum tempo no grupo de oração. Às 17h45min, pegou Rafael e desceu para a missa na Paróquia Carmelita de São José, na rua Hameginim. Na mesma rua está situada a casa comunitária da Comunidade Shalom. Rafael, embora esteja nos seus cinco anos de idade, não tem tanta dificuldade de se concentrar como os meninos de sua geração, mas sempre que encontra seus amigos na igreja fica doído para sair e jogar futebol no pátio. Poliana, no início, resistiu, mas agora já está acostumada, depois de haver conhecido a mãe de uma das crianças, a qual tomava conta delas. Toda concentrada na missa, sentiu-se cansada dos afazeres do dia. Realmente havia sido um longo dia e queria mesmo uma cama bem quentinha, pois naquela semana fazia bastante frio, no inverno mais rigoroso que enfrentara até então. No entanto, por mais cansada que estivesse, não podia deixar de ir à missa. Era ali o lugar em que descansava, ali o lugar em que encontrava refúgio e revigorava as forças. Não sabia bem explicar. Às vezes, se distraía, como naquele dia, em que passou rapidamente da concentração para distração, pensando em tantas coisas. Às vezes, não sentia nada diferente: nenhum grande arroubo, ou apaixonamento. Sentia apenas paz e uma renovação de vida cuja explicação só poderia ser a presença real de Cristo na Eucaristia. Era o seu momento de encontrar-se com Jesus e isso parecia bastar-lhe.  A oração é esse encontro em que a fidelidade diária treina a inconstância da alma, gera frutos de estabilidade e a alma fica em paz. Quantos sacrifícios fazemos para estar com Deus, não é verdade? Mas vale a pena! Só n’Ele encontramos o repouso, como nos diz Santo Agostinho. Então, podemos cansar-nos por Ele, visto que Ele “deseja obras”, mas nos cansemos nas obras d’Ele e não nas nossas e n’Ele encontraremos descanso. Pois é caro leitor, por aqui encerramos hoje. Que Deus nos dê uma profunda fidelidade na nossa oração; a fidelidade prova e faz crescer o amor e “orar não é pensar muito, mas muito amar”. (Santa Tereza de Ávila). E você anda distraído na oração? Então transformemos a distração em oração.  P.S.: Poliana nesses dias, para fazer gozação comigo, perguntou-me se eu sabia mesmo o que era ser melquita, pois fazia três textos que falava do assunto e não explicava! Disse a ela que Deus criou o mundo em sete dias e que Jesus deixou o vinho melhor para o final e que eu não era mais “sabido” do que eles e por isso iria trilhar o mesmo caminho. Sorrindo largamente e sem argumentos, virou-se de costas para mim e voltou a prestar atenção na palestra do cunhado.  Leia também: Um coração amante Um grande abraço e até a próxima Thiago Freire

Ficção no comshalom: Um coração amante

Ficção no comshalom.org Acompanhe no comshalom.org o dia-a-dia da família formada por Poliana, uma baiana casada com um árabe cristão, seu esposo Amir e seu filhinho Rafael. Através desses personagens, você vai conhecer o Oriente Médio, seus costumes e sua tradição.   Naquela mesma sexta-feira, dia 13 de fevereiro, ainda meditando sobre a pergunta de Rafael (E você vai jejuar?) Poliana tomou consigo três sacolas plásticas de um lado, enquanto segurava o filho pela outra mão. Ele continuava com seus dois carrinhos de brinquedo, imaginando como fazer para brincar com eles usando uma mão só. Poliana então saiu do supermercado russo, onde costumava comprar, cruzou a “Yosef Meyerhoff Square”, na vizinhança chamada “Kiryat Eliezer”, passou por todas as suas lojas e foi caminhando em direção ao estacionamento. De repente, sentiu o telefone tocar e teve que fazer a maior ginástica para poder soltar a mão de Rafael, segurar as sacolas, abrir a bolsa que estava sobre o ombro oposto àquelas para por fim atendê-lo. Havia parado bem próximo ao beco que lhe dava acesso ao estacionamento e, assim distraída, se desatentou ao filho. Foi quando Rafael viu um homem sentado, ao lado do banco (estabelecimento financeiro), pedindo esmolas. Tomou um susto! Nunca tinha visto aquela cena antes, pois, de fato, é raro encontrar pedintes nas ruas de Haifa. Poliana desligou o telefone. Era Clarissa, consagrada da Comunidade Shalom de Haifa, perguntando se ela poderia levar “sementinhas” (sementes de melancia e girassol, castanhas, amêndoas, pistache, muito apreciadas como aperitivos quando se tem visita em casa) para o encontro da noite do qual participaria com seu esposo. Nesse encontro seria explicado para os missionários da referida comunidade como os “Melquitas” vivem a quaresma.               Chegando ao estacionamento, pôs as sacolas no banco traseiro do carro e quando foi sentar Rafael em sua cadeirinha especial para crianças e passar-lhe o cinto, deu por falta dos carrinhos de brinquedo. – Rafael, onde estão os seus carrinhos? – Dei pro homem na rua, mama – respondeu Rafael com simplicidade. – Por que você fez isso, filho!? – indagou surpresa. – Ele estava pedindo e era única coisa que eu tinha nas mãos. Pensei que poderia gostar de carrinhos como eu. Poliana tomou outro choque e se enterneceu imediatamente. Sem saber bem o motivo, lembrou-se de uma frase que alguém da Comunidade Shalom havia lhe dito no grupo de oração: “um coração amante e despojado, isto o Senhor deseja nos dar”. E novamente, mal recuperada da pergunta de Rafael, se questionou sobre a generosidade do filho e a sua própria generosidade… Pois é, santo leitor, vamos ficar por aqui hoje. Poliana me repreendeu esses dias, pois disse-lhe que não poderia explicar nesse texto sobre o que é ser “Melquita”, como prometi no texto passado, então ela me disse para não prometer o que não posso cumprir! Sobre isso e outras coisas, portanto, explicarei mais adiante, só não posso prometer quando! Tudo bem para você? Enquanto isso, quem sabe não podemos cultivar um coração simples, sem muitos cálculos, amante e despojado! “Quem ama não sabe calcular”, disse Santa Terezinha. Do que você vai se despojar nessa quaresma? Um abraço e até a próxima Thiago Freire

Ficção no comshalom: E você vai jejuar?

Ficção no comshalom.org Acompanhe no comshalom.org o dia-a-dia da família formada por Poliana, uma baiana casada com um árabe cristão, seu esposo Amir e seu filhinho Rafael. Através desses personagens, você vai conhecer o Oriente Médio, seus costumes e sua tradição.  – Mãe, o que a gente veio comprar? -perguntou um garoto rechonchudo de dentro do carrinho de compras. Ele estava em pé com os braços estendidos de frente para sua mãe que empurrava o carrinho. Seu rosto era de muita curiosidade e ansiedade. Olhava para sua mãe com seus grandes olhos quase que saltando das órbitas por estar em lugar tão grande e iluminado e cheio de comidas!!! Sua imaginação e desejo foram a mil quando soube que iam ao supermercado, embora não guardasse memória de lá ter estado antes.  Naquele momento, todas as luzes lhe encantavam. – Nós viemos comprar khobbeze, hummus, cuscuz, essas coisas assim para podermos preparar “umas comidinhas bem gostosas” para o seu pai comer na quaresma – respondeu Poliana, a mãe de Rafael, dirigindo-se para a seção de verduras. Talvez, o ilustre leitor a quem me dirijo não conheça o que Poliana foi comprar, mas é algo muito simples. Khobbeze é uma erva comestível muito apreciada no oriente dentro da culinária árabe. Hummus nada mais é do que o nosso grão de bico. Já o cuscuz citado por Poliana não tem relação nem com o cuscuz nordestino, nem com o cuscuz mineiro, nem muito menos com cuscuz paulista, trata-se na verdade de pequenas bolinhas feitas de trigo que em árabe é chamado de moghrabye e que compõe um prato de mesmo nome.             Se isso lhe parece estranho, também pareceu estranho a Rafael, todos aqueles nomes: “quaresma”, “khobbeze”… Continuava sem entender o motivo da visita ao “supermercado”.  Então, abriu a boca em um grande “ahhhhh!”, como quem diz: “Entendi”, mas sem entender muita coisa. Voltou-se de costas para mãe, sentou-se e ficou olhando extasiado para todas aquelas prateleiras, ao mesmo tempo em que brincava de colidir carrinhos de brinquedo no ar. Foi assim que, sem se distrair dos seus afazeres,  inesperadamente  disparou: – Mama, o que é quaresma? – Quaresma, meu filho, são quarenta dias de preparação para a páscoa – “Sim!!! A páscoa”, pensou  Rafael. Lembrava-se que no ano passado havia ganho uns ovinhos de galinha coloridos o que lhe havia encantado muito, porém, de um período de quarenta dias que lhe antecedesse não guardava nenhuma lembrança, pois afinal ele contava apenas com 5 anos de idade e o mundo para ele ainda estava em constante descoberta. Fez então a mesma “cara” de antes, soltando novamente aquele: “Ahhhhhhh!!”, mas dessa vez entendo alguma coisa. – E por que o papai come essas coisas na quaresma? – Porque seu pai e nós somos melquitas e os melquitas durante a quaresma não  comem nem carne, nem derivados. Nada de leite, nada de ovos, nada de queijo. Nada de chocolate! – disse alongando a palavra,  frisando-a assim como quem quer chocar o seu interlocutor – Além de ficar sem comer nada até o meio-dia, concluiu. Rafael arregalou os olhos mais uma vez surpreso. – Papai vai fazer isso?! -Sim, seu pai vai jejuar! – retrucou Poliana com muita naturalidade. – E você, mama? Você também vai jejuar? – indagou Rafael ainda incerto se “jejuar” significava não comer nada  como lhe parecia. A pergunta pegou Poliana de surpresa e dessa vez foi ela quem se chocou, não havia pensado nisso ainda e meio sem graça respondeu que não sabia… Bem, ilustre leitor, teremos que parar por aqui, para que essa narração não fique muito extensa, nem lhe canse. Por hora, o importante é você saber que essa história continua e se passa em Haifa, Israel. Venha conosco acompanhar a vida dessa família  formada por Poliana, uma baiana casada com um árabe cristão, seu esposo Amir e seu filhinho Rafael. Através deles conheceremos melhor o Oriente Médio, seus costumes e sua tradição. Sobre o que é ser melquita? Não se preocupe! Respondo no próximo texto. Enquanto isso, pense você também na pergunta de Rafael: Como você vai se preparar para a páscoa? Que penitência fará para tentar uma vida nova com Jesus?   Um grande abraço e até a próxima! Thiago Freire

سلام المسيح للجميع: Postulante da Comunidade Shalom em Israel comenta seu percurso vocacional

سلام المسيح للجميع انا اسمي رونيت حبيب 36 سنة من حيفا في اسرائيل اني postulantado في جماعة العهد  بعد عيد الفصح لقد عرفت انه يوجد عندي دعوة من خلال حياة وعمل الاخوة المكرسين . وايضا من خلال كلمات المؤؤسس الذي تكلم عن شيء عظيم الحب الزوجي الذي شعرت بانني كنت افتش عن هذا من قبل , فشعرت باني اريد ان اكون اكثر مع الجماعة فعندها قالوا لي ستكونين في سنة دعوة وترين اين انت وهل تريدين حقا هذا . واريد ان اشكر الله على حبه لي اكملت السنة وفي نهايتها تعرفت الى مكرسين من كل العالم ورائت المحبة من خلالهم و واحد منهم هنايدو الذي اشعر بانه يساعدني في الدعوة. وايضا تعرف على المرتلين من الجماعة ومنهم دافيدسون سلفا الذي اعطاني ان اشعر بان ما يقوله هو مهم لي ولحياتي الروحية مع انني لم افهم شيء لانني لا اعرف اللغه . وايضا في مدريد شعرت مع الاخوة كم انا احب وافضل واريد ان اكون في الجماعة واليوم والشكر لله رايت ان ال puzzle قد اكتمل فقد كتبت المكتوب وبدئت المرحلة الاولى من ان اكون مع وفي عائلتي جماعة سلام واقول للجميع ان الطريق ليست سهلة ولكن الرب يعطي القوة والشجاعة ومحبة هذه الدعوة المهمة في حياتنا كعرب وبرازيليين واي احد او دوله اخرى لان اللغه هي ليست الاساس ولكن معرفة محبة بعضنا لبعض A paz de Cristo a todos Meu nome é Ronit Habib, tenho 36 anos, sou da cidade de Haifa, em Israel. Entrei no postulantado da Comunidade de Aliança após a festa da Páscoa desse ano, após ter percebido que eu tinha a vocação, por meio da vida e obra de irmãos Consagrados, também através das palavras do fundador, que fala sobre algo grandioso, o amor esponsal, que eu já ansiava antes. Então, senti um desejo de estar mais com a Comunidade. Orientaram-me que eu fizesse o caminho vocacional pra ver se realmente era isso mesmo. Quero agradecer a Deus por seu amor por mim, que me fez viver esse ano e, no final dele, conhecer consagrados de todo o mundo e ver o amor por meio deles e neles. Um deles foi o Ronaldo, que sinto que me ajuda na minha Vocação. E também conheço alguns cantores da comunidade, incluindo Davidson Silva, que já desde o começo eu percebia que o que ele cantava era importante para mim e para a minha vida espiritual, mesmo que eu não entendesse nada, por não saber a língua. E também, em Madri, eu percebi com os irmãos o quanto eu amava, preferia e queria estar com a Comunidade. Hoje, graças a Deus, depois de “juntar o quebra-cabeça” (depois que as coisas se clarearam pra mim), eu mandei a carta pedindo o ingresso na Comunidade e iniciei o primeiro degrau de estar com eles e na minha família, Comunidade Shalom E eu digo a todos que o caminho não é fácil, mas o Senhor nos dá força, a coragem e o amor desta importante vocação em nossas vidas, como árabes e brasileiros ou qualquer um de outro país, porque a idioma não é o fundamento, este é o conhecimento do amor um pelo outro. Shalom!

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