“Ó morte, onde está tua vitória?” O Sábado de Aleluia e o Amor que se abandona de si mesmo por amor aos seus.
Entre o silêncio da morte e o alvoroço da Ressurreição, o Sábado de Aleluia ocupa um lugar singular no calendário cristão. É o dia da espera —”Ó morte, onde está tua vitória?” O Sábado de Aleluia e o Amor que se abandona de si mesmo por amor aos seus. tensa, esperançosa, silenciosa. E foi nesse espírito que os fiéis se reuniram para mais um momento marcante do Retiro de Semana Santa da Comunidade Shalom. A pregação do Bispo Marco tocou no núcleo mais profundo do mistério pascal. Com palavras que alternam delicadeza e contundência, ele iluminou o sentido da Encarnação à luz da condição humana: “Já que o homem fugiu de Deus, Deus se faz homem e vem ao encontro do homem para devolver a dignidade e resgatar o homem.” A imagem da nudez foi o fio condutor da reflexão. O Bispo percorreu as Escrituras para revelar o que essa nudez significa: de Adão e Eva, que se esconderam de Deus no Jardim do Éden por estarem nus, a Pedro, que ao reconhecer Jesus ressuscitado na margem do lago, sentiu vergonha da própria nudez, mas ainda assim se lançou ao mar para ir ao encontro do Senhor. Em ambos os casos, a nudez não é apenas física. É a condição de quem perdeu a dignidade, de quem se afastou da fonte de toda beleza e sentido. “A nudez do homem é estar sem dignidade”, disse o Pregador, antes de anunciar a resposta divina: “O Pai nos torna dignos porque nos reveste.” Mas o que mais arrancou o silêncio atento dos presentes foi a profundidade do amor revelado nesse gesto. Não se trata de um Deus distante que estende a mão do alto, mas de um Deus que se esvazia, que desce, que se abandona de si mesmo. “Deus se abandona dele mesmo por amor a nós”, proclamou o Bispo Walter, sintetizando em poucas palavras o escândalo e a beleza do mistério cristão. É precisamente nesse amor sem reservas que ressoa a palavra do Apóstolo Paulo aos Romanos: *“Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós levemos uma vida nova“* (Rm 6, 4). Descer com Cristo à morte não é o fim da história, é o começo de uma vida que a morte já não consegue deter. E se o Glorioso Rei ressuscitou, a pergunta ecoa com força e alegria pelas paredes da Basílica: *ó morte, onde está tua vitória?* O Sábado de Aleluia é, assim, muito mais do que uma pausa litúrgica. É o momento em que a Igreja contempla um Deus que não aguarda o retorno do filho pródigo à distância — mas que vai ao seu encontro, caminha até ele e o reveste de volta com o manto da dignidade perdida. A Ressurreição é uma realidade viva, que pulsa em cada batizado chamado a levar uma vida nova. A vitória já foi conquistada. E o Glorioso Rei ressuscitou.