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Moysés Azevedo: É tempo de reajustar a rota da vida

Em suas palavras, o fundador da Comunidade Católica Shalom fez um novo convite aos cristãos: eis o tempo favorável para o retorno ao essencial, que é a busca pela santidade.

No último domingo (29/03), o  Moderador Geral da Comunidade Católica Shalom, Moysés Azevedo, falou ao vivo para milhares de pessoas em todo o mundo em uma transmissão exclusiva da LIVESH.

Em suas palavras, o Fundador falou sobre a importância de confiar em Deus diante de todos desafios da vida, com ânimo, coragem e esperança. Ele também rezou com todas as pessoas que acompanharam a Live.

No início da sua partilha, Moysés recordou da benção dada pelo Papa Francisco na última sexta-feira (27/03), no Vaticano, unindo-se à milhões de fieis em todo o mundo.

“Colocando-me em oração, vi que não poderia falar outra coisa a não ser o que nós vivemos no último dia 27, quando o nosso querido Papa Francisco se dirigiu à Praça de São Pedro para ali, transmitido pelas televisões do mundo inteiro, erguer a sua súplica e a nossa súplica aos céus para pedir o fim desta Pandemia, que envolve a todos nós, envolve a face da terra”, afirmou.

Um tempo da ação da Divina Providência

Moysés afirmou que esta Quarentena é um instrumento providencial de Deus, porque de tudo Ele tira um bem maior, para que todos possam, nestes dias de isolamento, ouvir a Palavra de Deus e adorar a Jesus, com submissão ao Seu amor, ao Seu senhorio, a Sua sabedoria.

Ele recordou que por meio da intercessão, este é o período de elevarmos o clamor dos homens e das mulheres do nosso tempo, suplicando a misericórdia de Deus sobre todo o mundo, sobre cada um de nós, sobre as nossas famílias, sobre os nossos queridos, sobre a humanidade inteira.

Para o fundador, sem dúvidas, este é um caminho que hoje nós devemos traçar, é um caminho que o Senhor nos concede.

Em unidade com a Igreja

“Impressionou-me também a Palavra, a Palavra de Deus lida e comentada pelo Santo Padre. Quis a Providência de Deus que fosse o mesmo texto que no início do nosso caminho o Senhor também nos deu, a tempestade acalmada, de Marcos 4, 35-41”, recordou Moysés.

Segundo o fundador, quando, como Comunidade, iniciamos estas transmissões, o Senhor nos inspirou a meditarmos nessa mesma passagem e nos deixar iluminar por ela. Para ele, foi consolador ver a confirmação e a direção do Papa Francisco, que nos confirma na fé como Igreja.

Leitura orante da Palavra

“Eu peço que, mais uma vez, nós possamos pegar as nossas Bíblias. Se não, vou ler aqui, mas é bom estarmos nesse momento com a nossa Bíblia, com o nosso Rosário, porque são os nossos grandes instrumentos, não é verdade? E unidos, assim, por esta transmissão que estamos procurando nos manter juntos, juntos com Jesus e juntos uns com os outros, lermos Marcos 4, 35-41”, afirmou Moysés.

Meditação

“Fazendo uma analogia àquela tempestade, àquela noite, o Papa nos recordava que a passagem começa, dizendo: “Ao entardecer daquele dia”. Realmente no mundo estamos vivendo como uma noite. Realmente é como se nós estivéssemos em meio às trevas.

Estamos confusos, desolados, estamos nos sentindo muitas vezes sós. Fomos surpreendidos por uma tempestade tremenda que nos abalou, que nos abala, abala a todos nós! Abala pessoalmente, familiarmente, abala como cidade, como país, como nação, como mundo.

A humanidade está abalada. Esta pandemia que assola todos os nossos continentes e todas as nossas nações nos abalam pessoalmente. Isto é verdade”, afirmou Moysés.

O fundador reitera as palavras do Papa: Estamos todos no mesmo barco, sem exceção de ninguém. Ricos e pobres, doutores e simples, homens, mulheres e crianças, países desenvolvidos, subdesenvolvidos ou em desenvolvimento – Todos estamos no meio, juntos neste barco.

Frágeis, porém confiantes

Moysés afirma que essa tempestade mostra o quanto somos frágeis, o quanto somos pequenos, o quanto nós mesmos pouco ou nada podemos fazer.

“Humanamente falando, estamos desorientados. Humanamente falando! E tal como os discípulos, nós nos dizemos angustiados, e como eles, dizemos: “Nós vamos perecer! Estamos para perecer”. Mas, meus queridos irmãos, no meio de tudo isso, é importante lembrara que nesta barca, que nesta tempestade nós não estamos sozinhos”, frisou.

O fundador recordou ainda, em suas palavras, que não temos como prever o amanhã, mas conosco está Aquele que é forte, Aquele que tem a orientação, que tem a direção, e é com Ele que nós podemos ter um amanhã.

Um Pai de misericórdia

“Nós não podemos, neste momento, nos deixar envolver pelo pânico e pelo pavor, e acharmos que não tem jeito, que não tem amanhã, que não temos como ir à frente, que vamos todos perecer. Não! Não! Deus amou tanto o mundo que enviou o Seu Filho não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele”, recordou Moysés.

O fundador frisou que Deus não é o autor dos males deste mundo, que não é um condenador, mas um Pai cheio de amor, de misericórdia e de bondade, que olhando a nossa fragilidade, vem em nosso socorro para nos salvar.

“Ele é o salvador! E não foi exatamente isso que aconteceu, quando os apóstolos angustiados, disseram: “Mestre, não te importa que nós pereçamos?”. O Papa nos recordava na homilia: “Não há ninguém que se importe mais de nós do que Ele”. Sim, Jesus se importa conosco. Ele sofre conosco este momento, mas Ele não sofre simplesmente para sofrer. Ele toma, por amor, o nosso sofrimento”, lembrou Moysés.

Tirar um bem de todo o mal

Moysés questiona:

“Mas por quê, então, procurar tirar o grande bem que Deus deseja nos dar por meio desse momento que estamos vivendo, por quê? Porque todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus, e se Deus permitiu, e Ele não é o autor! Mas se Ele permitiu, Ele tem um grande bem para tirar para mim, para você, para as nossas famílias, o nosso país, para o mundo. Sem dúvidas há um bem maior que Deus nesse momento deseja realizar na nossa vida.”

O reconhecimento da nossa vulnerabilidade

“O Papa Francisco disse, em primeiro lugar: a tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade. Sim, a tempestade nos mostra que não somos fortes como julgávamos que éramos. Ela desmascara as nossas capacidades. Achávamos que pudéssemos resolver tudo, na hora em que quiséssemos, da forma que quiséssemos.

Achávamos muitas vezes que a inteligência, o dinheiro e o poder eram a solução para tudo. Mas no meio dessa tempestade, podemos ver que somos vulneráveis. Nós somos frágeis, fracos”, recordou Moysés.

O fundador lembrou ainda que, às vezes, colocamos a nossa segurança no que não pode nos dar segurança. Ele frisou que, sem dúvidas neste momento vemos que os nossos projetos, planos, hábitos, prazeres, que muitas vezes ficamos buscando para anestesiar a nossa vida, infelizmente ou felizmente viram pó.

Segundo ele, este é o tempo de vermos que as nossas supérfluas seguranças, nas quais ordinariamente estamos envolvidos, são coisas perecíveis, e que na hora da precisão e das angústias, essas coisas não podem nos salvar. Moysés reitera que o poder não pode nos salvar, tampouco o possuir, o dinheiro, o prazer e as ilusões.

A tempestade nos desnuda: Quem somos nós?

“A tempestade também, diz o nosso querido Papa Francisco, desnuda os propósitos de empacotar e esquecer as nossas raízes, privando-nos da imunidade para enfrentar as adversidades. Quem é o homem? Quem somos nós? Quem sou eu? Quem é você?

No meio do nosso dia a dia frenético, muitas vezes perdemos a nossa identidade de quem somos. Nós somos filhos de Deus, amados e criados por Ele, redimidos por Jesus Cristo no Seu precioso sangue. Nós temos uma vida eterna. Nós temos o batismo. Nós temos o Espírito Santo.

E isso é o que conta, o que salva, o que nos faz ser homens plenos. A glória de Deus é o homem vivente!”, recordou Moysés.

Segundo o fundador, nos desesperamos diante das adversidades, porque não nos apoiamos no que é essencial, no que é eterno, naquilo que os nossos pais nos ensinaram, naquilo que os nossos avós nos ensinaram, naquilo que nós recebemos na pia batismal, naquilo que recebemos no nosso Catecismo.

“Às vezes julgamos: “Ah, são coisas de criança”, e vamos ficando cada vez mais inteligentes e sábios, e vamos colocando a nossa segurança no que passa, mas quando vem uma tempestade dessas vemos que o essencial são as raízes da nossa fé. É Jesus, é a Palavra de Deus, é a Eucaristia, é a oração”, frisou.

Valorizar o essencial

Moysés recordou que no nosso caso, como Comunidade, o essencial não são tantas atividades, tantas coisas, mas antídoto para superar todas elas, o remédio para curar as nossas feridas: Deus, a Sua misericórdia, o Seu amor, a Sua bondade, a nossa vida de contemplação, de oração, a nossa vida de unidade.

“Como está nos fazendo falta a nossa vida de unidade! Nós, como Comunidade Shalom, às vezes dizemos; “Ah, célula, célula…”, mas como está nos fazendo falta o rosto dos nossos irmãos, a nossa oração em comum, os nossos violões, os nossos cantos afinados ou desafinados. Como estão fazendo falta!

O abraço, como está fazendo falta! Estarmos juntos, unidos. Sim, a tempestade revela os nossos valores essenciais e fundamentais”, pontuou Moysés.

“A missão, a evangelização, quanto tempo perdido, gastado conosco mesmos, com vãs preocupações, que agora vemos que é pouco ou nada. Mas sempre é tempo de recomeçar, e o Deus de amor e de Misericórdia, na tempestade nos faz voltar o nosso olhar para aquilo que é essencial, para aquilo que não passa, porque, como diz o Papa, com a tempestade cai a maquiagem que mascara o nosso eu”, afirmou o fundador.

Somos todos discípulos

Moysés afirmou ainda que essa tremenda tempestade no mundo inteiro e nos nossos corações, pepermite que façamos a descoberta de que precisamos de Deus e precisamos uns dos outros, porque ninguém é salvo sozinho.

Nestes momento, segundo o fundador, nós vemos a grande necessidade que temos de Deus e do outro, porque na verdade temos um Pai, e somos todos irmãos. Ele frisou que somos uma grande família, a família de Deus, a família dos discípulos de Jesus Cristo.

Não ao egoísmo que fragiliza o homem

Em suas palavras, Moysés recordou que, por meio do nosso egoísmo, da nossa busca de lucro desenfreado, por meio da nossa insensibilidade e pelo nosso afastamento de Deus e dos outros, nós vamos gerando uma sociedade frágil, uma sociedade doente.

“Jesus nos chama, diz o Papa Francisco, a aproveitar esse tempo de prova como também um tempo de decisão, um tempo de decidir o que é essencial na nossa vida, distinguindo o que é verdadeiramente necessário do que é acidental.

Podemos até ouvir aquela voz de Jesus com Marta e Maria. Marta tão atarefada no dia a dia, com tantas coisas, tantas preocupações, e Jesus dizendo: “Marta, Marta, tu te tornas aflita com muitas coisas, te preocupas com muitas coisas. Mas Maria escolheu o essencial”, reiterou Moysés.

E o que é o essencial?”, indagou o Fundador.

A presença de Jesus. Sim. E o Evangelho de Jesus, a verdade de Jesus, os valores de Jesus, a esperança de Jesus, a caridade de Jesus! Às vezes, na nossa vida, nós trocamos com muita facilidade o que é eterno pelo que é transitório, e colocamos todo o nosso esforço naquilo que passa.

Não nos empenhamos em cultivar aquilo que não passa, que é eterno, que nos vai fazer verdadeiramente felizes hoje e para sempre” afirmou.

Deixar Deus falar ao coração

“Por isso neste tempo de tempestade, neste tempo de quarentena, estamos em um deserto. O Senhor diz no profeta Oséias: “A chamarei para o deserto e falarei ao seu coração”. Deixemos Deus falar no nosso coração e reajustemos a rota da nossa vida”, ponderou.

O fundador exortou à não centralização em si mesmo, que gera morte e tristeza, tira o sabor da verdadeira vida, que só é plena quando ofertada generosamente em favor dos outros.

“Às vezes, a rota da nossa vida está tão centralizada em nós mesmos, que mesmo dentro das coisas de Deus, mesmo como um consagrado, eu como um consagrado, você como um consagrado, mesmo dentro da Comunidade, muitas vezes estamos tão centralizados em nós.

O nosso chamado é a reajustar a rota da nossa vida, a descentralizarmos de nós mesmos e nos lançarmos rumo ao Senhor e aos outros.

Essa é a receita da felicidade: não viver para si mesmo, mas viver para Deus e viver para os outros. Essa é a receita para nós realmente termos força, ânimo, para superar todos os desafios da nossa vida e do mundo inteiro” frisou.

Um novo chamado

Amar! Shemá, Israel! Ouve Israel! O Senhor teu Deus é o único Senhor! Amarás o Senhor teu Deus com toda a tua alma, com todo o teu coração, com todas as tuas forças! E diz Jesus: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. E mais na frente, diz Jesus: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!”, recordou o fundador.

Moysés finalizou convidando todos aqueles que acompanhavam a transmissão a uma conversão à santidade, essencial neste tempo em que a humanidade espera dos cristãos uma resposta, um sinal de paz e de esperança.

Assista ao vídeo da pregação, na íntegra.

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