Formação

Não é bonito ser feio

Você já reparou o quanto se tem espargido aos quatro ventosa cultura do feio? Lançando um rápido olhar sobre as animações infantis logopodemos constatar isso. São personagens meio humanos, meio monstros;estereótipos masculinos com voz e trejeitos femininos e vice-versa. A figura dohomem e da mulher é representada na grande maioria de forma caricaturada e emalguns desenhos, por exemplo, não são mostrados sequer os rostos.

Em certo episódio do – monstrengo – Bob Esponja assisti, auma cena politicamente incorreta, grosseira e de extremo mau gosto. Opersonagem principal vendia um sabonete rejuvenescedor a uma mulher, na portade sua casa, de cujo interior se escutava uma voz, estridente, aproximando-se.Tratava-se da mãe da cliente atendida pela ridícula esponja falante. A imagemera repugnante, um pedaço de espinha dorsal, numa cadeira de rodas, encimada deum crânio falante. Pior ainda era a mensagem transmitida: a filha brigava com amãe e exasperava a idéia de comprar o sabonete que lhe pudesse rejuvenescer.

Inconformado, procurei meus direitos de consumidor. Nãologrei êxito, pois, até hoje não descobri o canal de atendimento ao consumidorda emissora que rodou a animação. Bem, mas isso é assunto para outro artigo.Quero ressaltar aqui o feio propagado como belo, aos moldes da mentiradisseminada como verdade. O feio é destituído, além da beleza, de verdade.

As tribos urbanas como os Emos, Darkers, hippies, clubber,punks, Headbangers, etc possuem um estilo cujo parâmetro, com certeza, não é abeleza. Piercings, maquiagens pesadas, franjas longas, roupas sujas, rasgadas,calças em tamanhos desproporcionados ao corpo, por excesso ou por falta sãoalguns dos acessórios considerados indispensáveis aos membros desses gruposque, digamos, pensam que é bonito ser feio.

Ora, é feio aquilo que não revela a essência de cada ser,logo, podemos assegurar não se tratar de um problema pontual, ligado apenas aalgum grupo ou dimensão da vida humana, por conta disso podemos falar numacultura do feio.

Já na música a feiúra está presente em composições cujasletras não passam de uma seqüência de palavras xulas, desconexas e xingamentosexecutadas por cantores tão ridículos ou vítimas quanto.

Nas artes plásticas o fenômeno da exaltação do feio cresce epredomina. Exposição com cadáveres de verdade podem ser vista na melhores salasde museus; um artista (será mesmo artista?) na Costa Rica amarrou um cãoabandonado a uma pequena corda, numa galeria de arte, até que ele morresselentamente de fome e sede à vista dos visitantes. O ato foi considerado uma“forma de arte” e, a Bienal Centroamericana de Arte convidou-o novamente arepetir o feito em 2008.

A problemática revela o feio levantando-se ferozmente contrao belo, mas um binômio para designar a luta entre o velho e o novo, Luz etrevas.

Na teologia de Santo Tomás o belo e o bom são a mesmarealidade. Beleza junto com a verdade, bondade e unidade é um atributo de Deus.O termo grego utilizado pelo evangelista João que designa Jesus como Bom (καλος / Kalos) pastor é sinônimo debelo. Então dizer que Jesus é o bom pastor ou o belo pastor é a mesmarealidade.

O desejo do Belo Pastor é reconduzir ao redil as ovelhas quese encontram presas nas garras do ladino lobo, o pecado e o próprio demônio,que procura roubar-lhe a beleza originária de filhos amados de Deus.


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