Fez sua páscoa nesta quinta-feira (1), aos 82 anos, Dom Antônio Roberto Cavuto, bispo emérito da Diocese de Itapipoca, no Ceará. Frade capuchinho, Dom Antônio esteve à frente da diocese por 15 anos e deixou uma história marcada pelo cuidado pastoral, pela proximidade com o povo e pelo incentivo à evangelização.
Nomeado bispo de Itapipoca em 2005 por São João Paulo II, Dom Antônio foi ordenado bispo em 2 de julho daquele ano e tomou posse no dia 31 de julho. Seu lema episcopal foi “Queremos ver Jesus” (Jo 12,21). Ao completar 75 anos, teve sua renúncia aceita pelo Papa Francisco, em outubro de 2020.

Durante o exercício do episcopado, também exerceu diferentes serviços no Regional Nordeste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que compreende as dioceses do Ceará. Foi membro da Comissão do Semiárido, secretário regional e bispo referencial das comissões para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada e para a Ação Socio-Transformadora.
Um pastor próximo da Comunidade Shalom
Na Diocese de Itapipoca, Dom Antônio também construiu uma relação próxima com a Comunidade Católica Shalom. Para a Missão, ele foi “um pastor que manteve as portas abertas”, acolheu os missionários e incentivou a ação evangelizadora, recorda Caio Carvalho, responsável local da Missão de Itapipoca.
“Dom Antônio sempre foi um grande pastor para nós, muito acolhedor e que sempre manteve as portas abertas para a Comunidade. Era muito atencioso conosco e sempre incentivou e apoiou a nossa ação evangelizadora na Diocese.”

A proximidade se manifestava também em momentos simples da convivência. Quando possível, Dom Antônio visitava a casa comunitária para almoçar com os missionários da Comunidade de Vida e procurava estar presente nos eventos da Comunidade.
“Eram momentos simples, mas que demonstravam essa proximidade e carinho dele pela Comunidade”, recorda. Mesmo com as constantes viagens pastorais pelas cidades da extensa Diocese de Itapipoca, a presença do bispo era marcada, segundo a Missão, pela acolhida, atenção e abertura.
Em 2017, Dom Antônio também participou do programa Fazendo Barulho, da REDEVIDA, em uma entrevista voltada especialmente aos jovens.
Na ocasião, partilhou sobre sua história vocacional e o chamado de Deus ao sacerdócio, deixando aos jovens um testemunho sobre a importância de estar atento à voz do Senhor e responder com generosidade ao chamado recebido.
Presença nos momentos de evangelização
Essa proximidade também ficou registrada em diferentes momentos da história da Comunidade Shalom em Itapipoca.
Dom Antônio esteve presente em atividades de evangelização promovidas pela Missão, entre elas o Renascer, tradicional retiro de Carnaval realizado pela Comunidade.
Outro momento especialmente significativo acontecia no Natal. Dom Antônio costumava celebrar a Santa Missa de Natal no Volta Israel, obra da Comunidade Shalom voltada ao acompanhamento de pessoas que enfrentam problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas, com foco na recuperação e reinserção social.
No ano de 2013, o bispo minitrou o Sacramento da Crisma a dois residentes do Volta Israel. A presença do bispo nesses momentos revelava uma Igreja próxima das pessoas e atenta às realidades das pessoas em maior vulnerabilidade.
Saiba mais: Dom Antônio Cavuto conduz o Santíssimo Sacramento pelas ruas de Itapipoca

Em 2020, seu último ano como bispo de Itapipoca, Dom Antônio presidiu a Santa Missa de abertura do Acamp’s, acampamento de jovens promovido pela Comunidade Shalom no Brasil e no exterior. Na ocasião, o bispo expressou sua felicidade de estar com os jovens.
“Eu me sinto, pela graça de Deus, muito feliz. Tento partilhar com os jovens essa felicidade, para que sejam felizes por seguirem Jesus, assim como eu sou, e testemunhar que vale a pena segui-lo”, afirmou Dom Antônio.
“Queremos ver Jesus”
Natural de Espírito Santo do Pinhal (SP), Dom Antônio ingressou no Seminário Menor dos Frades Capuchinhos, em Ouro Fino (MG), em 1959. Fez a profissão religiosa e cursou Filosofia e Teologia antes de ser ordenado sacerdote, em 24 de janeiro de 1971. Ao longo do ministério presbiteral, exerceu diferentes serviços pastorais e de formação na Província dos Capuchinhos de Minas Gerais.
Em 1980, tornou-se o primeiro Ministro Provincial da recém-criada Província dos Capuchinhos de Minas Gerais, sendo reconduzido ao cargo em 1983. Antes do episcopado, também atuou como pároco, guardião e formador em diferentes comunidades capuchinhas.
Ao completar 75 anos, teve a renúncia ao governo da Diocese de Itapipoca aceita pelo Papa Francisco. Depois de vários anos no Ceará, retornou em 2024 à Província dos Frades Menores Capuchinhos de Minas Gerais, passando a residir no Convento Nossa Senhora do Rosário de Pompeia, em Belo Horizonte.
“Um verdadeiro frade de São Francisco”
Em nota de pesar, os bispos do Regional Nordeste 1 destacaram a proximidade pastoral, o equilíbrio sereno e a humildade de Dom Antônio, características que, segundo eles, expressavam sua identidade de frade capuchinho.
O Regional recordou ainda o zelo do bispo pelas vocações na Diocese de Itapipoca e sua dedicação ao fortalecimento do clero e dos ministérios leigos.
“Seu lema episcopal: ‘Queremos ver Jesus’, marcou e conduziu toda a sua vida e missão”, afirma a nota.
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A presidência da CNBB também manifestou pesar pelo falecimento e agradeceu a contribuição de Dom Antônio para a evangelização e para a Igreja no Ceará. A entidade pediu orações pela alma do bispo e pelos familiares, amigos, presbíteros, religiosos, religiosas e fiéis que receberam seu ministério.
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Para a Comunidade Shalom, fica a memória de um pastor que soube acolher, incentivar e caminhar próximo à missão evangelizadora. Um homem que, com seu jeito simples e fraterno, ajudou a Comunidade a viver sua missão na Diocese de Itapipoca.
Que Dom Antônio Roberto Cavuto, cujo lema foi “Queremos ver Jesus”, agora contemple face a face aquele a quem dedicou sua vida.
Nós cremos na Vida Eterna!
Nota de pesar da Missão de Itapipoca
Dom Antônio sempre foi um grande pastor para nós, muito acolhedor e que sempre manteve as portas abertas para a Comunidade Shalom. Era muito atencioso conosco e sempre incentivou e apoiou a nossa ação evangelizadora na Diocese.
Ele também procurava estar presente nos nossos eventos e, quando era possível, ia à nossa casa comunitária para almoçar conosco. Eram momentos simples, mas que demonstravam essa proximidade e carinho dele pela Comunidade.
Em todas as ocasiões nas quais estivemos com ele, encontrávamos essa acolhida, atenção e abertura.
Em Dom Antônio sempre encontramos um pastor acolhedor, próximo, de portas abertas, que incentivava a evangelização e demonstrava carinho pela presença e pela missão da Comunidade na sua Diocese.
Caio Carvalho
Responsável pela Comunidade Shalom em Itapipoca


