Formação

O Cristão vota consciente

comshalom

É tempo de propaganda eleitoral. O País pode escolherdemocraticamente aqueles que nos governarão nas esfera estadual e federal.Hoje, o cidadão brasileiro tem o famoso direito de voto. Que maravilha! Afinalde contas, nossa República passou por turbulentos anos debaixo de repressão eincertezas (pra onde ninguém quer voltar). Então, gostaria de fazer uma pequenareflexão sobre esse assunto.

São Paulo, escrevendo aos cristãos que ainda viviam sob odomínio romano, nos ensina sobre o relacionamento com as autoridades políticas(leia Rm 13.1-7 abaixo). Ele afirma que toda autoridade é instituída por Deusdebaixo de Seu plano para cada sociedade e, por esta razão, todo filho de Deusdeve ser submisso a esta instituição. Também nos mostra que não devemos temê-laquando agimos bem, mas devemos respeitar seu poder de justiça quando agimosmal.

Analisando superficialmente, você pode pensar que estaverdade bíblica não deve ser praticamente aplicada. Como poderia um cristãovivendo no Oriente Médio submeter-se aos duros governos islâmicos? Ou comoexercer cidadania debaixo das idólatras nações asiáticas? Estranho, mas muitointeressante. Lembra-se da história quando os três amigos de Daniel desobedeceramà lei e não adoraram a estátua de Nabucodonosor? Os três desobedeceram a umalei política da Babilônia e pagaram o preço sendo lançados na fornalha.Justíssimo aos olhos dos babilônicos. Mas, por não desobedecerem à lei moral doSenhor (que abomina a idolatria) foram salvos e livrados milagrosamente damorte, proclamando o poder do Deus verdadeiro. Aí está uma distinção. Estamoslivres para desobedecer à esfera política quando esta vai contra a lei moral deDeus, mesmo que custe nossa vida.

Outra história. Lembram-se quando o povo era governado pelosReis de Israel? (veja o livro dos Reis). Quando um rei fazia “o que era malperante o Senhor” todo o povo caía em pecado. Porém, quando outro rei “agradava aoSenhor”, o povo era motivado a derrubar os postes-ídolo voltando o coração aDeus. E olha que nesta época, o povo escolhido estava debaixo da lei política,moral e cerimonial entregue diretamente pelo Senhor.

Mas o que isto tem a ver com a nossa vida política hoje? Epior, nem somos de Israel, mas brasileiros! Já sabemos o primeiro ponto:devemos obedecer às autoridades quando estão de acordo com a lei moral de Deus.

No entanto, quero mostrar-lhe uma coisa que talvez vocênunca tenha dado valor. Graças ao nosso bom Deus hoje vivemos numa república democrática!Não temos mais que viver sob ditaduras perversas, autoritarismos cegos, maspodemos eleger nossos governantes dentro do próprio povo. Agora pense, seriaótimo se nosso governo fizesse “o que é bom perante o Senhor”, concordando sualei política à lei moral e conduzindo o povo num caminho mais correto. O Senhornos deu a benção da democracia junto com os princípios cristãos para uma vida em sociedade. Estáevidente! Se quisermos viver numa lei política mais próxima à lei moral,devemos eleger governantes que vivam os princípios cristãos! Dá até praimaginar Deus nos cobrando: “Cristãos do Brasil, eu vos abençoei com ademocracia, por que os servos com meus princípios ainda não estão no governo?”.

Pois é, hoje penso que muitos cristãos têm medo de política.Há quem pense: “Católico nem deve se aproximar destas coisas. Isto é terrenosujo, corrupto, vai acabar se perdendo!”. Mas entendo que não devemos teraversão à política, mas sim aos maus políticos! Estes não podem ficar ondeestão. Ou você acha que eles estão agradando a Deus liderando o povo para opecado, injustiça? Vamos usar a democracia, é bênção do Senhor na esferapolítica para nosso povo.

 Daí você pergunta: “Então devemos sair elegendo todo mundoque se diz Católico?” E eu respondo: “Você pode diferenciar o joio do trigo?”Como fazer então para eleger um cristão autêntico se somente o Senhor conhece ocoração! A única coisa que podemos avaliar são as evidências: um cristãoverdadeiro teme a Deus, e resplandece uma vida cheia do Fruto do Espírito! –veja Gl 5,19-25. Acho sim, que devemos eleger Católicos autênticos. Homenstementes a Deus e preocupados com os pobres, com os excluídos de modo geral.

Por tudo isso, entendo que nossa pacata e acomodada posiçãofica perturbada por estas verdades. Percebo que é papel do cristão educar seusfilhos sobre a realidade brasileira e ensiná-los que “feliz é a nação cujo Deusé o SENHOR”. Também é papel do cristão estimular a vida política de seus irmãosvocacionados, zelar por seu trabalho, suportá-los nas horas de dificuldades ecomemorar nos momentos de alegria. Devemos rezar intercedendo a Deus para queeles não se corrompam na vida pública; não se envergonhem da Fé Católica, daIgreja de Cristo nem envergonhem o Evangelho que defendem; atuem com justiçapara com toda a sociedade; honrem o nome de Deus e o façam bem conhecido eadmirado e governem sempre com os princípios da lei divina. Também devemosrezar para que seu mandato não seja insignificante, tornando-se mais um queentra e logo sai sem deixar saudades, mas que faça diferença com atitudes,propostas e ações; para que eles mesmos não sejam engrandecidos por vaidade;que o povo usufrua da bondade divina pelas boas obras de suas mãos.

Finalizando, eu quero usar a bênção da democracia para mudaros princípios que regem nosso país. Não quero ter que desobedecer a leipolítica por estar distante da lei moral. Quero irmãos vocacionados e dedicadosinfluenciando nossas autoridades e quero o nome de Deus exaltado pelo bomtrabalho deles. Peço para que o Espírito Santo esclareça esta mensagem no seucoração. E que o seu fruto seja uma nova atitude frente a nossa sofridasituação política brasileira. Graças a Deus estamos cada vez mais desenvolvendoconsciência política em nosso país. Um exemplo concreto disso foi o projeto“ficha limpa”. Uma iniciativa nossa, da Igreja que deu certo.

Que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil possainterceder para que possamos eleger nossos governantes segundo o coração deDeus. Que Maria nos ensine a amar e zelar por esse povo tão lindo, o povobrasileiro.

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, rogai por nós!


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