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O Dia do Senhor ou o Abriremos Domingo?

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Cruz vaziaEnsina-nos a Igreja sobre a importância do Domingo de forma a fazermos todos uma reflexão: “O Dia do Senhor mereceu sempre, na história da Igreja, uma consideração privilegiada devido à sua estreita conexão com o próprio núcleo do mistério cristão. O domingo, com efeito, recorda, no ritmo semanal do tempo, o dia da ressurreição de Cristo. É Páscoa da semana, na qual se celebra a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, o cumprimento nele da primeira criação e o início da ‘nova criação’ (cf. 2Cor 5,17). (…) Tão bem reza o salmista: ‘Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria’ (118, 24).”[1]

Pois bem, há no nosso contexto de “sociedade cristã” uma banalização deste Dia Sagrado por parte de umas dezenas de milhares de católicos. Ficamos impressionados como, tantas vezes, somos nós católicos, os primeiros a não valorizarmos o Dia do Senhor por excelência, para o qual – como batizados – somos chamados a vivê-lo com alegria e junto à Família, colocando como centro a nossa participação na Celebração Eucarística e a expansão da Caridade de Cristo fora da Igreja. Muitos neste dia padecem da solidão, do abandono nos hospitais sem terem uma visita, como outros ainda em tantos lugares, talvez o vizinho, precisam de alimento, roupas, remédios e uma palavra de esperança. Infelizmente o “conceito de descanso e diversão” se torna cada vez mais para muitas famílias, ocasiões para verdadeiras experiências de indiferença de Deus, de não participação no Mistério Eucarístico, deixando-se arrastarem pelas seduções do mundo. Dizem sempre: “Não temos tempo…”

O comércio colabora eficazmente, principalmente em tempos festivos como o Natal, com suas propagandas sedutoras e um amplo incentivo para o consumo. Dizem: É disso que vive a economia! No entanto, esta economia poderia ser “não selvagem”, não destruindo assim os valores cristãos e não levando os trabalhadores a quase uma escravidão por míseros salários e os consumidores como alvos da ganância do mercado. Virou moda agora vermos estampados nas vitrines: “Abriremos no Domingo!”. O funcionário – em nome da necessidade do trabalho e da oferta pela procura – se ver obrigado a abandonar o convívio familiar, o descanso do Domingo e a sua confissão religiosa para entrar nessa pressão em querer lucrar e lucrar. Para o empresário Católico a recomendação é maior. O católico tem o dever de santificar o Domingo com sua vida em Família, com a Eucaristia e com o repouso na alegria cristã e na convivência fraterna com outras pessoas, amigos e parentes.

“Abrir no Domingo”… Consiste numa ofensa grave à fé católica, ao direito assegurado pela Religião, como pela Constituição Brasileira em que confere o direito de cada um viver sua fé e expressá-la com liberdade de culto, é isso o que significa o “ser estado laico”. Infelizmente uma má interpretação do termo “estado laico” tem levado muita gente, inclusive os nossos representantes políticos, a pensarem que agora se pode banalizar a opção religiosa e os seus direitos. O Brasil – na sua maior parte – tem população católica. Privar a Pessoa e as Famílias do verdadeiro descanso dominical e da vivência da sua fé como Igreja, Comunidade de Fé, é um grande prejuízo para a harmonia das relações na sociedade, como também e principalmente, para a comunhão, o sentido e a expressão da vida em Deus que não é individualista, mas se expressa também eclesialmente, é celebração da vivência do amor e da vocação de ser batizado. Também o lazer do Domingo não pode ser de forma que afaste a pessoa e a Família do seu real sentido, viver o amor, o testemunho de cristão e a fraternidade.

Concluímos dizendo a todos que o domingo é o Dia do Senhor Ressuscitado (cf. Jo 20,19) . Vivê-lo é também fazer a experiência dessa Ressurreição. O Domingo é sempre a recordação de que tudo vai passar, só Deus permanecerá.portanto, esteja o nosso coração nesse tesouro. O tempo dado a Cristo nunca é tempo perdido. O Domingo faz com que cada dia da semana – como diz Orígenes – se viva sempre na presença, na celebração de um grande domingo. “Abram no Domingo”, não os seus negócios mas, na verdade, seus corações na gratidão e louvor a Deus por tudo o que ele é e realiza nas nossas vidas. Celebremos a nossa fé e alegria de sermos Igreja, diante de uma sociedade que necessita tanto de gente que dê tempo para Deus e traduza cada celebração na esperança de “viver caminhando entre as coisas que passam e abraçando as que não passam”, assim reza a Liturgia do Advento.


[1] João Paulo II. Dies Domini, 1;

 

Formação: Dez/2008


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