Formação

O Filho de Maria

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Dom Benedicto de Ulhôa Vieira
Arcebispo Emérito de Uberaba

Chama a nossa atenção o texto do Evangelho de São Marcos, no iníciodo capítulo 6º quando Jesus vai a Nazaré, cidade em que crescera, ecomeça a ensinar na sinagoga. Todos o conheciam e, sabendo que nãohavia tido escola, admiravam-se de sua sabedoria. Onde teria Eleaprendido o que sabia e eloquentemente estava transmitindo? Daí oestupor dos ouvintes. 

É neste ponto que o evangelista mostra a admiração dos nazaretanospor ser Ele o “tekton” que o latim traduz por “faber”, isto é, quemtrabalha com matéria dura. Daí a tradução portuguesa: “carpinteiro”.Como um carpinteiro sem estudo poderia falar tão desenvolvidamente! 

É neste texto que insolitamente o evangelista usa a expressão “ofilho de Maria”, ao contrário de Mateus (13, 55) que o chama de “filhodo carpinteiro” e Lucas (4, 22) “filho de José”. Com a expressão deMarcos – “Filho de Maria” – é provável que o evangelista quisesse fazeralusão à virgindade de Maria, pois é do uso bíblico comum designar só afiliação paterna. A exceção é pois de Marcos. 

A expressão deste evangelista – “filho de Maria” – está mais quejustificada no texto em que o primeiro dos evangelistas, Mateus, narraa origem de Jesus (Mt 1, 18-25), quando o anjo tranquiliza José, aodizer-lhe que o fruto da concepção de Maria é algo de singular emiraculoso, pela ação do Espírito de Deus. O texto é singularmente beloe vale relê-lo para perceber que o Messias se liga ao rei Davi, atravésde José – “filho de Davi”. E, ao mesmo tempo, “por obra do EspíritoSanto” é o Filho de Deus. A mariologia católica tem como únicofundamento a palavra de Deus, como a lemos na Bíblia. 

Os poetas, que sabem dizer as coisas sublimes da fé com palavrascoloridas de beleza, sempre nos encantam, quando falam da Mãe de Deus.Ela “o chama seu filhinho, beija-lhe o rosto e a fronte acaricia”,enquanto ele “dorme na carícia de seus braços e sonha na poesia dosseus olhos”. 

Estamos no mês de maio, que a piedade católica dedica à Mãe de Deus.O Santo Padre João Paulo II, devotíssimo de Nossa Senhora, na audiênciaparticular que com ele tive como arcebispo, que eu era, de Uberaba,aconselhou-me a levar, em visita às casas de famílias, a imagem deNossa Senhora, não só para abençoar as pessoas que a recebessem, mastambém para afastar os erros de doutrina, que poderiam penetrar noslares cristãos. Sugestão feliz, tão oportuna neste mês de maio, mês deMaria, que nos deu Jesus. E ao receber a imagem que nos visita,rezar-lhe: “O! vem: minh’alma é escura. Faze-a agora, / clara, tãoclara de um claror da aurora, / branca, tão branca de um brancor semfim”.


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