Formação

O fruto da paz

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A paz, plenitude da felicidade, íntima tranqüilidade é conseqüência da comunhão com Deus é um dos frutos do Espírito Santo (Gálatas 5,22 na Vulgata).

Davi assim se dirigiu ao Altíssimo: “Muita paz para os que amam a tua lei e não há para eles tropeço” (Salmo 118,165). Aliás Javé no Livro dos Provérbios aconselha: “Meu filho, não te esqueças da minha lei, e guarda no teu coração os meus preceitos, porque eles te acrescentarão longos dias, e anos de vida e paz” (Provérbios 3,1-2).

No Antigo Testamento isto significa ter uma vida feliz, abundante, pois há um dinamismo intrínseco resultante da aliança com a divindade, que faz prosperar na bonança aqueles que se submetem aos ditames eternos. Isaías é taxativo: “Não há paz para os maus” (Isaías 48,22). É que o Criador é o manancial da paz. Gedeão bem o sabia pois “edificou um altar ao Senhor, e chamou-o Paz do Senhor” – Javé Shalon (Juízes 6,24).

Aos olhos mundanos quem adere ao Todo-Poderoso parece ser infeliz, pois se priva daquilo que o mundo identifica, equivocadamente, com a ventura. A Bíblia, contudo, ensina: “As almas dos justos, porém, estão na mão de Deus e não os tocará o tormento da morte. Pareceu aos olhos dos insensatos que morriam; e a sua saída deste mundo foi considerada uma aflição e a sua separação de nós como um extermínio, mas eles estão em paz” (Sabedoria 3,1-3).

Dá o motivo disto: “Depois de uma leve tribulação, receberão uma leve recompensa, porque Deus os provou e achou-os dignos de si” (Sabedoria 3,5).

Cristo, que Isaías chamou de “Príncipe da Paz”, deixou claro que esta é sua maior dádiva. Tanto que, ressuscitado dos mortos, é ela que Ele oferece aos apóstolos. Antes de sua paixão já havia declarado a seus discípulos: “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz” (João 14,27).

Ele chamou de “Bem-aventurados os pacíficos” (Mateus 5,9), ou seja, os que praticam a paz. De seus agraciados Ele se despedia com estas palavras: “Vai em Paz” (Lucas 7,50; 8,49).

Martinez descreve desta maneira este fruto da ação divina no batizado: “A paz não só aquieta a alma com relação às coisas exteriores, mas ordena maravilhosamente os seus afetos e os unifica, faz com que o nosso coração seja uma coisa só por um amor triunfante, por um amor que se assenhora de todo o nosso ser. Por isto a paz é também o complemento e a perfeição do gozo”.

Marca a civilização hodierna o estigma da angústia. Isto se dá porque falta a harmonia interior, a plenificação ontológica, a ordem que aperfeiçoa, a segurança, a superação de si mesmo, o sossego existencial, a inefável quietação, o descanso paradisíaco, a serenidade, a imperturbabilidade, tesouros somente possuídos pelos que repousam em Deus, conforme preceitua São Paulo: “Não vos inquieteis com nada, mas em todas as circunstâncias manifestai a Deus as vossas necessidades por meio de orações e de súplicas, unidos à ação de graças. E a paz de Deus que está acima de todo enternecimento, guardará os vossos corações e os vossos espíritos em Jesus Cristo” (Filipenses 4,6-7).

Muitos aspiram colher este fruto divino, mas, perambulando por caminhos tortuosos, se desviam do Senhor e longe dele só existem as árvores da amargura. Diz, o autor da Imitação de Cristo que “o homem pacífico é mais útil do que o muito douto”.

Tem razão, pois a ciência, por si mesma, nada constrói de humano e duradouro, ao passo que, o amigo da paz, por toda a parte, irradia a fraternidade e a justiça, suporte das realizações profundas, penhor seguro de existências envoltas no néctar de uma bem-aventurada longevidade, resultado do equilíbrio psicossomático.

A paz, de fato, leva ao amor fraterno, pois aborrece as dissensões, conduz a justiça. Torna o ambiente mais humano, porque impregnado da tranqüila liberdade, da divina paz. * Professor no Seminário de Mariana – MG

Fonte: CatólicaNet


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