Formação

O Julgamento deste mundo

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Lemos no Evangelho de São João o que disse Jesus: “É agora ojulgamento deste mundo” ( Jo 12,31). Deixou também claro: “Se alguém mequer servir, siga-me e onde eu estou estará também o meu servo” (Jó 1226). No fim dos tempos, está claro nas palavras de Cristo, Ele virájulgar os vivos e os mortos e Ele deixou também evidente que haverá umarecompensa eterna para os bons e um castigo perene para quem nãoobservou os Mandamentos. Eis as palavras textuais do divino Redentor:“E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna”(Mt 25,46).

Há passagens na Bíblia que muitos gostariam de apagar e eis aí ademonstração de uma fé vacilante, frouxa, anêmica. Seja a religiãoculto esplendoroso da divindade, sem leis que se oponham às veleidadesdas paixões tal o ideal vazio de muitos cristãos. Claríssimo estetrecho do Evangelho: “Um jovem aproximou-se de Jesus e lhe perguntou:Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna? Disse-lhe Jesus:Por que me perguntas a respeito do que se deve fazer de bom? Só Deus ébom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos. Quais?, perguntouele. Jesus respondeu: Não matarás, não cometerás adultério, nãofurtarás, não dirás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe, amarásteu próximo como a ti mesmo (Mt 19,16-19). Portanto, quem não observatais mandamentos não entrará na vida eterna, estando, em conseqüência,condenado, evidentemente se não se arrepender.

Tudo isto confirma as palavras de Cristo acima recordadas: “É agorao julgamento deste mundo”. Adite-se que, quer se queira, quer não, acada passo Deus, ser onisciente, conhecendo tudo, julga se são bons oumaus os pensamentos de cada um. Este é um dos pontos chaves da Bíblia.Está no profeta Jeremias que Ele “sonda os rins e os corações” (Jr11,20).

No salmo se acha claro: “A palavra ainda me não chegou à língua, ejá, Senhor, a conheceis toda” (Sl 138,4). O julgamento não é tanto umasentença divina, mas sim uma revelação do segredo dos corações humanos.Isto convida então a todos à conversão, uma vez que Deus julga cada umsegundo suas próprias obras, seus pensamentos, suas intenções.

Para os justos não há condenação. Existe julgamento para o mundo maue tal foi a missão de Cristo: livrar os que O seguem das garras domaligno. Eis por que tem uma importância capital na vida do cristão odiário exame de sua consciência. Esta estabelece limites à liberdade emrazão exatamente da presença divina que tudo vê.

O critério supremo são os mandamentos, dado que desprezar gravementeum deles é se colocar em condição de condenação. O julgamento de Deustem por matéria não a ciência do bem e do mal, mas a sua prática. Aobra intencionada pelo Decálogo está inscrita nos corações e naconsciência de cada um e oferece elementos para o julgamento próprio.São os juízos internos que alternadamente acusam ou não o discípulo doRedentor.

É neste sentido que São Paulo diz que Deus julga as ações secretasdos homens, por Jesus Cristo (Rm 2,16). É, de fato, inevitável odiálogo com o Ser Supremo, dado que a consciência de cada um reageconforme o projeto divino. Aderir a este projeto é estar com aconsciência em paz. O remorso da consciência é um ótimo sintoma, poisleva à postura salvífica do arrependimento. Entretanto, a pureza deintenção evita que se pratique o mal e Jesus advertiu: “É do coraçãoque provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, asimpurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias” (Mt 15, 19).Aliás, foi neste sentido que Jesus também ensinou: “O olho é a lâmpadado corpo.

Se teu olho é são, todo o corpo será bem iluminado; se, porém,estiver em mau estado, o teu corpo estará em trevas. Vê, pois, que aluz que está em ti não sejam trevas” (Lc 11, 35-36). Em síntese, ojulgamento do mundo se dá em função da negação do Filho de Deus; ojulgamento pessoal ocorre a cada ação praticada.

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor no Seminário de Mariana de 1967 a 2008.


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