Formação

O pecado

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Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues

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     O bem e o mal que fazemos nãoparam em nós mesmos, entram e repercutem na história. Cada um de nós responderádiante de Deus pelo mal praticado e pela omissão diante do mal presente nomundo. Pecado, no sentido estrito, sediz de uma ação ou omissão da pessoa, contrariando a vontade de Deus. Emsentido analógico se pode falar em pecado estrutural para significar que oegoísmo infecta as estruturas da sociedade quando estas se constituem embenefício de um grupo ou classe social em detrimento dos outros, tornando-seassim geradoras de injustiça. Falamos então de injustiça social.

 

     A sociedade estará organizadade forma injusta se não respeitar e promover o direito de todos seus membros.As leis civis serão justas na medida em que garantam uma ordem social queatenda ao bem comum. Não basta para o discípulo de Cristo ser na vidaparticular uma pessoa honesta. É necessário empenhar-se para corrigir asdistorções no funcionamento da sociedade, transformando as estruturas injustas.Os legisladores são especialmente responsáveis nessa tarefa. Mas, por melhoresque sejam as leis, se as pessoas não se empenharem pelo seu cumprimento, ajustiça não se faz na convivência social. Estamos em plena quaresma.

 

   A segurança pública é aquestão de que se ocupa a Campanha da Fraternidade deste ano. Seu lema: “a pazé fruto da justiça”. Mas de onde vem a justiça? Ela é fruto do empenho daspessoas em fazê-la acontecer. Se não houver pessoas comprometidas com ajustiça, não haverá paz. A missão evangelizadora da Igreja destina-se atransformar a humanidade. Assim ensinava na “Evangelii Nuntiandi” o SantoPadre, o Papa Paulo VI: “Evangelizar, para a Igreja, é levar a Boa Nova a todasas parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude, e pelo seu influxotransformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade: "Eisque faço de novo todas as coisas". No entanto não haverá humanidade nova,se não houver em primeiro lugar homens novos, pela novidade do batismo e davida segundo o Evangelho.

 

    A finalidade da evangelização,portanto, é precisamente esta mudança interior; e se fosse necessário traduzirisso em breves termos, o mais exato seria dizer que a Igreja evangeliza quando,unicamente firmada na potência divina da mensagem que proclama, ela procuraconverter ao mesmo tempo a consciência pessoal e coletiva dos homens, aatividade em que eles se aplicam, e a vida e o meio concreto que lhes sãopróprios” (n. 18). Conversão é, pois, o sentido do empenho evangelizador daIgreja. O pressuposto é este: todos somos pecadores e precisamos mudar nossavida. São Paulo, na Epístola aos Romanos, ensina: “…todos, judeus e gregos,estão sob o domínio do pecado”(Rom 3,9). A antropologia paulina, ao mesmo tempoque reconhece a dignidade original do ser humano, criado por Deus em estado dejustiça e santidade, entende que a desobediência, já nas origens, introduziu nanatureza humana uma desordem que permanentemente tende a afastar o ser humanode Deus destruindo sua beleza original e conduzindo-o à morte. São Paulodescreve de forma dramática a condição humana marcada pelo pecado: “pois como opecado entrou no mundo por um só homem e, por meio do pecado a morte; a mortepassou para todos os seres humanos, porque todos pecaram…” (Rom 5,12).

 

    O pecado instalado dentro doser humano, ao colocá-lo longe de Deus, deixa-o entregue à sua própriafraqueza, levando-o à prática de obras más que selam definitivamente suadecadência rumo à morte, salário do pecado. Uma cultura que estimula as paixõespecaminosas é uma cultura de morte ou, se quiserem, da morte. Ao descrever odestino moral daqueles que desconhecem a Deus e sua lei, assim se exprime SãoPaulo: “E, porque não aprovaram alcançar a Deus pelo conhecimento, Deus osentregou ao seu reprovado modo de pensar. Praticaram então todo o tipo detorpeza: cheios de injustiça, iniqüidade, avareza, malvadez, inveja, homicídio,rixa, astúcia perversidade; intrigantes, difamadores, abominadores de Deus,insolentes, soberbos, presunçosos, tramadores de maldades, rebeldes aos pais,insensatos, traidores, sem afeição, sem compaixão. E, apesar de conhecerem ojuízo de Deus que declara dignos de morte os autores de tais ações, não somenteas praticam, mas ainda aprovam os que as praticam”(Cf. Rom 1,18-32).

 

    A raiz, pois, dos males queassolam a humanidade está no desconhecimento e desprezo de Deus. É um tremendoengano pensar que a paz social será alcançada mediante leis penais maisperfeitas e aparelhamento policial mais treinado para garantir a segurança docidadão. Isto é necessário, mas não ataca as raízes do mal. Os crimes brotam decorações plasmados por uma cultura sem Deus, muitas vezes feridos pelainjustiça e pela indiferença da sociedade, dos quais desapareceu o amor e odesejo do bem.

 

    Nós, cristãos, temos ainabalável convicção que só em Cristo o ser humano pode encontrar salvação:“…como o pecado reinou pela morte, assim também a graça reina pela justiça,para a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor”(Rom 5,21). Sobre issohaveremos de refletir no próximo artigo.


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