Formação

O peixinho nadador

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Dom Pedro José Conti

Porfavor, por favor!- disse um peixinho do mar a um outro peixe: – Vocêque deve ter mais experiência, talvez possa ajudar-me… Então me diga:Onde posso encontrar a coisa imensa que chamam de Oceano? Em toda parteeu o venho buscando sem sucesso.

– Mas é precisamente no Oceano que você está nadando – disse o outro.

– Oh…isto? Mas é pura e simplesmente água! – disse o peixe maisjovem, – eu procuro o grande Oceano! – E lá se foi nadando, muitodesapontado, a buscar noutra parte.

Essasimples e bela historinha de Antony de Mello nos lembra que não bastaprocurar a verdade e o sentido de nossa vida com o olhar exterior.Muitas coisas começam a ser entendidas se procuramos vê-las com osolhos “interiores”, isto é, aceitando, ao mesmo tempo, as limitações eas riquezas do ser humano.

Seformos suficientemente humildes, deveríamos reconhecer as nossaslimitações. Sempre tem algo além do que descobrimos e conhecemos. Etambém sempre aparece alguém com alguma novidade para complicar aindamais os nossos raciocínios. Ficamos confusos. Sentimo-nos pequenos einúteis. Somos tentados a parar com a nossa busca.

Poroutro lado, a vida está cheia de surpresas. Quantas conquistasalcançamos, desde quando nascemos. Quanto aprendemos, e quanto jásabemos transmitir aos outros. Os grandes e os pequenos segredos davida. Quem nunca, desde criança, ensinou algo a um colega, a um amigo?Todos nós temos uma experiência, ou um saber que entendemos valer apena repassar. De pais para filhos. De companheiro para companheiro.Nesses casos nos sentimos importantes, na condição de quem sabe. É umaalegria.

Acreditoque deveríamos nos ajudar também e trocar mais experiências quandofalamos de Deus. No famoso discurso no Aerópago de Atenas, queencontramos no livro dos Atos 17,27-28,  o apóstolo Paulo, entre outrascoisas, diz “…Assim fez, para que (os homens) buscassem a Deus e,talvez às apalpadelas, o encontrassem, a ele que na realidade não estálonge de cada um de nós; pois nele vivemos, nos movemos e existimos,como disseram alguns dentre vossos poetas: ‘Também nós somos da sualinhagem”.

Seprocurássemos mais com os nossos olhos interiores, todos teríamosmuitas coisas para dizer sobre Deus. Ou talvez, mais do que falar,ficássemos contemplando, em silêncio, as suas maravilhas. Contudo, nãosozinhos, mas de mãos dadas, de corações unidos, porque ninguém podepensar em Deus, sentir a presença dele, perceber o seu amor, sem quererpartilhar tudo isso com os seus irmãos, com entusiasmo e simpatia.

Omistério da Santíssima Trindade, que celebramos neste domingo não é umquebra cabeça para nos lembrar as nossas limitações. Ao contrário é arevelação do próprio Deus, para que ao adorá-lo como Pai, como Filho ecomo Espírito Santo, pudéssemos experimentar a sua grandeza e suavontade de se fazer conhecer e amar, visto que Ele nos amou primeiro eda maneira mais perfeita possível.

Comefeito, quando chamamos a Deus de Pai, sentimos-nos filhos queridos,escolhidos, embalados por Alguém que sempre nos aguarda para nosabraçar quando voltamos, feridos, para casa. Quando admiramos o Filho,na vida, na morte e na ressurreição, não podemos não dizer com Tomé:“Meu Senhor e meu Deus”, tanto ele nos amou e nos ensinou a amar. Porfim, quando pensamos no Divino Espírito Santo, entendemos, finalmente,o que é o olhar interior, o que deve ser ver com os olhos da fé, daesperança e do amor. É  pelo Espírito que foi derramado em nossoscorações que proclamamos que “Jesus é o Senhor” e podemos orar comgemidos inexprimíveis ao Pai.  

Seeu caísse num rio de águas fundas, com certeza morreria afogado porquenunca aprendi a nadar bem. Mas no oceano do amor de Deus, ninguém correeste perigo. Ninguém se perde porque estamos no nosso verdadeiroambiente natural. Pena que alguns entre nós continuem procurando, semsaber para onde ir. Se percebessem que já estão mergulhados em Deus,iriam gostar muito. Vamos ajudá-los, se deixarem.


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