Formação

O presente da amizade

comshalom

Muitos anos atrás vivia, na Pérsia, umrei que amava o seu povo. Para conhecê-lo melhor ele tinha o costume demisturar-se no meio das pessoas com os mais variados disfarces. Um diasentou-se numa esquina, e assim conheceu um homem que varria as ruas.Cada dia o rei voltava e sentava ao lado do gari, partilhava as suashumildes refeições e conversava longamente com ele. Desta forma o pobreacabou gostando do amigo desconhecido. Após muitos dias, finalmente, orei decidiu revelar-lhe a sua verdadeira identidade e pediu para queescolhesse um presente que pudesse guardar como lembrança dele. O homemo olhou espantado, depois disse: “O Senhor deixou o seu magníficopalácio para vir aqui comigo cada dia, partilhou a minha vida difícil ea minha miséria. A outros poderia ter dado valiosos presentes, mas amim o Senhor deu a si mesmo. Portanto, peço-lhe somente uma coisa: denão me excluir nunca mais da sua amizade”.

Acabamos de celebrar o Natal, iniciamoso Ano Novo e com o domingo da Epifania continuamos a refletir sobre osentido do nascimento de Jesus, o Menino-Deus. Podemos tambémacompanhar os Magos na busca dele seguindo a Estrela, até encontrá-lo eadorá-lo. Contudo devemos nos perguntar sempre o que ficará de tantosmomentos bonitos vividos nestes dias, e de tantos bons sentimentos queeste tempo faz surgir em nossos corações.

No Natal trocamos presentes, os Magostambém abrem os seus tesouros e oferecem ao Menino os dons simbólicosdo ouro, do incenso e da mirra. Ouro porque Jesus é Rei, incenso porqueé a presença visível de Deus, mirra porque irá doar a sua vida na cruz.O maior presente, porém, é Ele mesmo, o Menino-Deus. E com ele a suaamizade, o seu amor.

A historinha da Pérsia, deveria servir para nos lembrar o valor da amizade e o sentido verdadeiro do amor. Umpresente pode ser simples e modesto, como também sofisticado e caro;porém só tem sentido e valor quando é acompanhado pela sinceridade doafeto, do agradecimento e da amizade. Quando um presente é oferecidopor pura formalidade, ou por interesse, pode ser usado, exibido,divulgado, mas vale por si mesmo, não pelos sentimentos da pessoa que odoou, porque não os têm. Cada presente “representa” alguém. Se for umapessoa querida, o dom terá grande valor, se for alguém desconhecido oupouco familiar, o dom dirá bem pouco a quem o recebe. Tudo isso paralembrar que, afinal, oferecendo presentes damos, em primeiro lugar, umpouco de nós mesmos, dos bons sentimentos que o carinho por aquelapessoa suscita em nós.

Não esquecemos que também Herodesqueria encontrar o Menino. O que lhe teria oferecido? Medo, raiva,inveja? Ainda bem que esses “pacotes” nunca foram entregues. Tomara quenenhum dos “presentes” que recebemos e oferecemos no Natal tenham sidoembrulhados com esses maus sentimentos.

Deus continua a nos oferecem tantosdons! Todos exclusivos, fora de comércio e sem chance de troca.Agradecemos pouco e nem sempre usamos as dádivas recebidas para fazeralgo de bom. Contudo o Natal nos lembra que o dom mais precioso de Deusfoi Ele mesmo, por ter decidido partilhar a nossa condição humana e asnossas limitações. Ele sempre nos aguarda numa esquina da vida para nosoferecer novamente a sua amizade. Companheiro de caminhada, peregrinoem busca de quem sofre, consolador dos aflitos, pronto para nos darperdão, paz e esperança.

Apagam-se as luzesdo Natal. Guardemos as imagens do Presépio, a árvore de plástico, asbolinhas brilhantes. Somente daqui a um ano, tudo de novo.

Pedimos que o Senhor nunca nos excluada sua amizade. È o seu maior e inestimável presente. Ele quer ficarsempre conosco. Somos nós, às vezes, que o esquecemos, o trocamos, odesprezamos. Que Ele nos perdoe por mais um Natal de consumo e desuperficialidade.

Nunca é tarde, porém. Sigamos aestrela, sigamos os Magos. Ainda podemos encontrar o Menino, paraadorá-lo e oferecer-lhe um pouco da nossa pobreza em troca do seuinesgotável amor.


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